quinta-feira, 16 de abril de 2015

CBF: a $eleção das cifra$ (Por Thiago Muniz)

Marco Polo Del Nero tomou posse como presidente da CBF, em cerimônia fechada para a imprensa. A CBF muda de mãos, sai Marin, o presidente do 7 a 1, e entra Nero, o vice-presidente do 7 a 1. Não muda, portanto, de cabeça.

E a posse acontece em meio ao primeiro escândalo da gestão Nero: a “Folha de S.Paulo” de hoje revela, em reportagem de Sérgio Rangel, uma estranha transação que envolve dois apartamentos, um deles comprado pelo novo presidente da CBF de um velho amigo do ex-presidente Ricardo Teixeira.

Em resumo, pelo seu discurso, a nova CBF de Del Nero não quer olhar para o passado e entender erros. Para ele, o Brasil tem mais a ensinar do que a aprender no futebol. A visão do cartola é de um cenário bem positivo no futebol brasileiro. Só que não.

Wagner Abrahão, dono do Grupo Águia, parceiro da CBF há 20 anos, vendeu para Nero, em fevereiro passado, um apartamento de cobertura na Barra da Tijuca por 5 milhões e 200 mil reais e recebeu como parte do pagamento de Nero um outro apartamento praticamente igual, apenas um metro quadrado menor, no mesmo condomínio, comprado pelo cartola um ano antes por 1 milhão e 400 mil reais e que entrou na transação por 400 mil reais.

Você não entendeu? Vou repetir:

Wagner Abrahão, dono do Grupo Águia, parceiro da CBF há 20 anos, vendeu para NWlero, em fevereiro passado, um apartamento de cobertura na Barra da Tijuca por 5 milhões e 200 mil reais e recebeu como parte do pagamento de Nero um outro apartamento praticamente igual, apenas um metro quadrado menor, no mesmo condomínio, comprado pelo cartola um ano antes por 1 milhão e 400 mil reais e que entrou na transação por 400 mil reais.

Ainda não entendeu? Não faz mal. Nero e Abrahão garantem que não há nada de antiético ou ilegal na transação, feita por uma imobiliária de filhos de Abrahão.

Mas pode ter certeza de que há muito a ser explicado. À ‘Folha de São Paulo', por-email, Del Nero disse que "não há conflito ético" no negócio. Segundo ele, o apartamento foi comprado da JAT Administração de Bens Ltda., que pertence aos filhos de Abrahão, e não ao empresário. A empresa, contudo, fica no mesmo endereço do Grupo Águia.

Abrahão também negou qualquer conflito ético na venda do imóvel. Ele afirmou que vendeu a cobertura, que era sua residência, porque o dúplex "estava à venda e gerou interesse para a aquisição".

O parceiro “predileto” dos mandatários da CBF, Wagner Abrahão, na Copa de 1998, teve o passaporte apreendido na França acusado por agências de turismo de lesar centenas de brasileiros. Ele vendeu ingressos acima da capacidade permitida e vários compradores ficaram de fora da final. Hoje, ele é responsável pelo transporte de todos os jogadores das competições da CBF. Da seleção aos clubes das séries A, B e C do campeonato brasileiro. Novos comandantes, velhas práticas. É aquela velha máxima que diz que algo deve mudar, para que tudo continue como está.

Aliás, terá sido por isso que a posse é fechada aos jornalistas? Nada demais...na próxima manifestação eles estarão lá na linha de frente brigando e gritando contra a corrupção.

Não foram eles, foram a imprensa com meia duzia de tontos que querem "europerizarem" o futebol brasileiro, acharam que com um técnico que trabalhou na Europa (Felipão) e com um bando de cabeça de bagre que jogam nos melhores times da Europa fariam frente as seleções europeias, sendo que o futebol brasileiro sempre foi o melhor do mundo quando jogado no nosso estilo e não dos europeus, da forma que querem que seja, o futebol brasileiro sera apenas mais uma seleção, monta uma seleção só com jogadores que jogam no Brasil e com técnico genuinamente brasileiro, a coisa muda, só que tem muita gente mamando nas negociatas de jogadores.

Em outras partes do mundo, os clubes já teriam se distanciado para não ter prejuízo, teriam formado seu próprio "clubinho", aka Liga, e teriam largado mão desse poço de corrupção familiar, sinônimo de estatal/cartório, chamando CBF. Mas vejam só, os clubes brasileiros também são estatais controladas por poucos, que não visam eficiência, lucro, e muito menos resultados. E contanto que a vaca continue viva e jorrando leite público, está tudo bem. Mas por sorte, vamos criar uma MP para resolver problemas trabalhista e tudo ficara UMA MARAVILHA, porquê tudo se resume a problema trabalhista. Muito legal esse tipo de visão, na qual mais um artigo da CLT, ou outra burocracia legislativa, resolve todos os problemas do país.

É por essas e outras que o futebol no Brasil está indo de mal a pior, mesmo depois de levar 7x1, que escancarou a fragilidade do nosso futebol também em campo mas eles não aprendem, ou melhor, insistem em querer afundar e matar a galinha dos ovos de ouro. Querem só se dar bem, individualmente e que se dane o resto. Nessa, acho que a Rede Globo têm muita culpa no cartório pois com a monopolização das transmissões do futebol e de um time só, deixa todos os outros fragilizados, sem conseguir patrocínio pois não são expostos na mídia e é mais um passo para que o futebol fique mais fraco ainda. Preferem passar jogos da Europa, ou seja, dão visibilidade a times do exterior em detrimento dos times brasileiros, aumentando ainda mais os fãs dos times de fora. Façam uma pesquisa com as crianças e vejam seus times preferidos. Verão que muitos já não torcem para times do Brasil e isso é o fim!

Por mim eu acabava com tudo isso e investia no futebol amador mesmo, os ingênuos que não querem ficar ricos e simplesmente tem amor ao futebol, ao esporte, a seleção! Será que ainda existe gente assim? Os europeus pagam nossos jogadores a preço de ouro, e nós ainda não acordamos para o potencial do futebol de base! Podemos fazer um futebol só pelo esporte? Sem investimentos milionários? Ainda é possível o Brasil impor o futebol da simplicidade e do talento?

Essa CBF só tem cara de pau. Estão querendo enganar quem? Com esse modelo de administração o futebol brasileiro continuará perdendo, com clubes falidos e o esporte caindo pelas tabelas. Esse é um caminho sem volta. Não adianta ficar criticando se os clubes não conseguem se entender. O futebol brasileiro precisa pensar de uma maneira mais profissional e isso parte dos mais interessados, que são os clubes. O futebol brasileiro precisa se modernizar e espero que ele seja capaz de fazer as mudanças necessárias para isso.

Mais um dirigente se livrou de uma saia justa na Fifa por causa de presentes dados pela CBF no período da Copa do Mundo-2014. O presidente da Federação Inglesa (The FA), Greg Dyke, devolveu o relógio Parmigiani - que patrocina a CBF - para deixar de ser alvo de investigações por parte do Comitê de Ética da Fifa.

Essa "novela" por conta do relógio se arrasta desde o meio do ano passado. A CBF distribuiu 65 peças (28 para membros do Comitê Executivo da Fifa e um para cada dirigente de Federação cuja seleção jogou a Copa-2014). Em setembro, a FIfa chegou a estipular a data-limite de 24 de outubro para que os cartolas devolvessem o presente sem que virassem alvo de investigação. Mas alguns, como foi o caso de Dyke, atrasaram, e muito, a entrega. Segundo a Fifa, os relógios serão doados para organizações sem fins lucrativos ou comprometidas com projetos de responsabilidade social no Brasil.

Na época que expôs a situação, a Fifa disse que os relógios custaram R$ 62,5 mil, na cotação do dólar na época. A CBF, por sua vez, alegou que o valor era R$ 20,5 mil. O Código de Ética da Fifa veta presentes que não tenham apenas "valor simbólico".

A desregulamentação da função “agente Fifa”, que passará a vigorar oficialmente a partir desta quarta-feira, deverá causar uma enxurrada de cobranças financeiras em cima da CBF. Isso porque muitos empresários insatisfeitos com a mudança querem receber de volta os valores que foram pagos desde o início para terem o direito de trabalhar na área, além, claro, de indenização.

Hoje, 180 agentes de um total de 300 cadastrados estão ativos no Brasil. Cada um deles desembolsou no mínimo de R$ 15 mil a R$ 20 mil para receber a carteirinha. Todos pagam R$ 1,5 mil por ano de seguro obrigatório e R$ 120 de mensalidade. Um profissional que começou a trabalhar registrado desde 2005, por exemplo, já gastou aproximadamente R$ 30 mil só com a manutenção da credencial até agora.

O Bom Senso FC divulgou um posicionamento sobre o fair play financeiro divulgado pela CBF nesta semana e fez duras críticas ao modelo que será adotado pela entidade no Campeonato Brasileiro. Além de ironizar a iniciativa chamando-a de ‘fair play genérico’, o movimento de atletas diz a medida “não faz mal a ninguém”.

O erro principal apontado pelo Bom Senso FC é a forma como os clubes serão punidos por atrasos salariais, onde o atleta da própria equipe precisa entrar com uma ação contra seu próprio time para que ele perca pontos no campeonato. “A exposição do jogador torna o modelo ineficaz”, diz o texto do movimento.

Ainda de acordo com o Bom Senso FC, o ideal seria adotar um modelo em que “os clubes prestem contas periodicamente sobre o pagamento de salários e direito de imagem a todos os seus funcionários (atletas e não-atletas) e com punições desportivas e responsabilização pessoal dos dirigentes que não estiverem em dia com suas obrigações fiscais e trabalhistas”, e defende o funcionamento do fair play financeiro através de um projeto de lei, como contrapartida ao refinanciamento da dívida dos clubes.

CBF fatura mais com patrocínio do que os 11 maiores clubes do país juntos

Após faturar R$ 359 milhões com patrocínios em 2014, alta de 29% sobre o ano anterior, a CBF superou a soma da arrecadação dos 11 maiores clubes que estão na elite do futebol brasileiro. Flamengo, que atingiu R$ 80 milhões, e Corinthians, com R$ 64 milhões, são os clubes que mais faturaram no segmento no ano passado. Enquanto clubes têm dificuldades em estampar uma marca na camisa, a CBF elevou em 452% sua receita com patrocínio desde 2007, ano que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa-2014. Atualmente, a entidade conta com 13 empresas patrocinadoras: Nike, Ambev, Itaú, Vivo, Sadia, Chevrolet, Gol, Gillette, Samsung, MasterCard, Englishtown, Seguros Unimed e Michelin.

Inversão dos valores

Os dados são do levantamento realizado pelo consultor de marketing e gestão esportiva, Amir Somoggi, cujos dados completos do estudo serão publicados nos próximos dias pelo LANCE!. “Está claro que o dinheiro da CBF tem que estar nos clubes”, diz Somoggi, que cita como comparação a Europa, onde ocorre o inverso. Na Espanha, por exemplo, Real Madrid e Barcelona faturam, respectivamente, R$ 686 milhões e R$ 573 milhões, enquanto que a Federação local ficou com R$ 113 milhões.

Pobre futebol brasileiro!


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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