quinta-feira, 19 de março de 2015

Sociedade corrupta que reclama da corrupção: Contradição?

Quando a população se sente uma vítima inocente da corrupção e descaso egoísta, e ignora sua colaboração direta para a proliferação dos mesmos. Ninguém é inocente. E os políticos são um reflexo da sociedade que eles representam.

O assunto político tem tomado grandes proporções ultimamente. As mídias sociais estão repletas de revoltas contra os políticos em geral e afirmações extremas sobre os mesmos, o ódio contra a corrupção que afeta a população é mais do que aceitável, é necessário. As páginas no facebook pedindo impeachment (mesmo que escrito errado) da presidente e esbravejando contra a corrupção dos poderosos ganham milhares e milhares de seguidores todos os dias e defensores mais que calorosos. Pessoas que votaram em um candidato se sentem superiores e adoram gritar aos quatro ventos que não colaboraram com o caos regrado à corrupção que temos vivido atualmente. Será?

Quando nos perguntamos o porquê de ser praticamente impossível encontrar um candidato com a ficha limpa bem posicionado no Brasil, dificilmente obtemos respostas. O problema em geral está na população. É isso aí, somos nós mesmos, que não apenas tememos o desconhecido como colaboramos diretamente para a corrupção geral.

Sabe aquele dinheiro que você, mesmo vendo o rapaz derrubar, botou no bolso correndo antes que ele percebesse que caiu? Aquele dinheiro que, ao dar o troco, o atendente do supermercado te passou sobrando e você manteve silêncio e se sentiu satisfeito, sortudo? Àquele produto que você comprou baratinho mesmo desconfiando que era roubado, àquela prestação que você espera “caducar” no sistema de proteção de crédito e não pretende pagar nunca? E aquele dia que você fingiu estar dormindo no banco colorido do ônibus para não precisar ceder o lugar para a gestante ou o idoso que entrou? Você entrou pelas portas traseiras do ônibus se sentindo o maioral e ainda é cheio de desculpas? Pois é. Sabia que os políticos corruptos também inventam um monte de desculpas para justificar seus atos? Você é tão corrupto e egoísta quanto os odiosos políticos que você acusa com tanto ardor.

Você sai por ai, esbravejando contra todos e se sentindo vítima da corrupção que você mesmo alimenta, mas está sempre tentando levar vantagem em tudo. A diferença entre você e os nossos políticos é que você tem menos poder. Do contrário, seria mais um se divertindo com o dinheiro público. Se você aproveita todas as oportunidades, mesmo que incorretas, para se dar bem nas situações, comece a pensar em suas atitudes antes de sair acusando por aí. Vamos aprimorar nosso próprio caráter para garantir melhores pessoas no poder futuramente, a começar por nós mesmos?

Eu acho que a educação doméstica pesa muito dentro de uma sociedade. Tenho pouco a dizer, porque minha opinião nós somos produto do meio. Se quando criança você chega da escola ou da casa do coleguinha com qualquer objeto seus pais não perguntam a criança e não procuram saber nada sobre aquilo, isso já é um mal começo pois a criança cresce com essa educação se torna um homem público assim e assim está a nação de muitos seguidores.

Esta questão social de corrupções pessoais do nosso dia a dia é sempre utilizada na militância partidária com intuito de amenizar as reclamações... é tudo uma engenharia social... sempre que estoura escândalos de corrupção sempre surge frases preparadas assim... "mas todos somos corruptos"... de fato somos, mas isso pode soar como justificativa... e a intenção é essa. Em nosso
sub-consciente fica registrado assim: "eu também roubo", e consequentemente diminui o número de reclamantes... essa é a tática do "você também faz isso" e sempre funcionou nas engenharias sociais.

Corrupção política vai muito além das corrupções diárias do cidadão... pois não costumam ser roubos pessoais, e sim grandes roubos para também beneficiar partidos políticos em suas campanhas
milionárias, prejudicando toda a nação... e independentemente das nossas questões sociais é louvável e é preciso reclamar.

Sabe qual a diferença entre roubar um real no troco e desviar milhões da saúde? O tamanho da bocada que a pessoa consegue dar. Só roubou um real porque é o máximo q consegue. A falta de caráter e honestidade é a mesma! Tô falando do espertinho q vê o troco errado e não devolve, que compra produto roubado, que dá a "cervejinha" do guarda pra não ser multado. A falta de caráter e de honestidade é a mesma de quem desvia verba da saúde!

Quando ocorre as eleições não temos como saber se o político é ou não honesto ou não corrupto, e mesmo que não seja pode se tornar após ser eleito, e se irá mesmo cumprir as promessas de campanha, etc..., então se basear em honestidade, moral e ética que compõem a base para o politico ser ou não corrupto ou mesmo querer relacionar, comparar ou justificar a corrupção baseado no comportamento da população não faz nenhum sentido e não resolve nada, pois se o ser humano é bom ou mau isso não vem ao caso, para isso existe as punições através das leis e esta punição não existe na politica e em outros setores da sociedade na forma como deveria existir e por isso esta esta bagunça. Na minha opinião falar em ética, moral e hipocrisia é o mesmo que falar em conto de fadas e é em cima deste tipo de pensamento que os políticos fazem a festa, enquanto houver pessoas esperando moral e ética deles e não lutarem por leis mais rígidas os políticos vão meter a mão no dinheiro público.

O que eu estou querendo dizer, mas parece que é difícil de entender é que se o político é ou não honesto seria irrelevante se tivéssemos leis rígidas com punições duras como vários anos de prisão ou perpétua, devolução do total roubado com juros e multa, etc, dai não precisaríamos nos preocupar com isso pois este seria o filtro para separar os bons dos ruins, pois na minha opinião pelo que vejo hoje em dia ninguém entra na politica para dar uma de bonzinho e trabalhar para a população e sim para o seu próprio enriquecimento. Este negócio de ficar avaliando caráter de politico e de dar resposta nas urnas a cada vários anos para mim isso é conversa e opinião formada pelos próprios políticos, pois daqui uns anos vamos votar em outro politico (vamos avaliar se ele é corrupto ou não) e vai ser a mesma coisa de sempre.

A corrupção é alimentada no nosso cotidiano, está fincada em todas as partes, como na política uns tentam seguir de modo ético, já outros adoram tirar vantagem a qualquer custo, ela é cultural assim como a conformação com o 'menos pior' também é.

Minha família e escola me educaram muito bem, porém, a educação no pais vem se tornando cada vez mais pífia, não se ensina mais cidadania nas escolas, algumas matérias estão sendo eliminadas, o resultado disto são futuras geração cada vez mais tacanhas, ou seja, o regime atual do Brasil pressiona o Povo para corrupção, é um circulo vicioso que precisa ser quebrado, ou nosso pais será medíocre em algumas gerações. O que vemos a 12 anos não está correto, nem todo mundo é sangue frio pra aguentar ser roubado e continuar na retidão, alguns se revoltam e começam a se corromper, e a cada geração isto se torna mais natural. Temos que quebrar esta corrente do mal.

Sou totalmente contra a corrupção”.

Essa máxima espalhada nas redes sociais via compartilhamento de frases de efeito tem sido a tônica das eleições 2014. A pergunta que fica é: quem é a favor da corrupção? Até hoje não conheci sequer uma pessoa que tenha dito ser favorável. Dito isso, podemos concluir: a solução para o problema da corrupção parece ser mais complexa do que aparenta.

Ululante, todas as pessoas envolvidas em casos de corrupção devem ser julgadas e condenadas pelos seus atos dentro do que a nossa lei estabelece, mas também sou contrário à pré-julgamentos e a condenações antecipadas, pois compreendo que no meio político há enormes interesses envolvidos e, muitas vezes, a disputa é extremamente desleal: “o poder enlouquece aquele que o detém”. Sendo assim, uma vez comprovado o ato, poucos discordam que a punição deve ser aplicada tanto para A quanto para B, mas será que é assim na prática? O que temos visto com bastante estranheza é a relativização dada pela imprensa e reproduzida pelas pessoas quando o assunto é ‘suspeita de corrupção’, os exemplos abundam e não caberia aqui nesta breve nota sobre o que entendo por corrupção.

Infelizmente (ou não) não podemos (ou nem devemos?) mudar as pessoas, os seres humanos são naturalmente diferentes, enquanto uns praticam atos ilícitos, outros não. Uns são corruptos, outros não. Sou adepto a não generalização nesse ponto, este princípio faz com que eu individualize tais atitudes. Individualizar, portanto, é não generalizar – “a ciência nos ensinou o dom da generalização, mas esqueceu de nos apresentar o que há entre uma ponta e outra”. Quando o assunto é corrupção, o mais prudente é “dar nomes aos bois”. Não é razoável transferir culpabilidade: “a responsabilidade é sempre do outro”, “o brasileiro é assim”, “a culpa é do Fidel”.

Não compactuo com posições dogmáticas em que determinados indivíduos ou grupos de pessoas se colocam ‘acima do bem e do mal’. Por isso, não creio que partido A e/ou B ou governo X e/ou Y sejam, a priori, corruptos, mas sim que ‘cicrano’ (integrante de um determinado grupo político) tenha cometido atos à margem da lei - sem nos esquecermos da corrupção privada, aquela do dia-a-dia, alguém? Um parêntese para as leis: é mister entender que as leis não são dadas naturalmente e não podem ser tampouco estáticas, elas existem e têm data de nascimento, ou seja, o que hoje é ilegal, amanhã pode ser legal e vice-versa. Quero dizer com isso que algumas das nossas leis eleitorais estão defasadas e, por isso, atitudes corriqueiras são tratadas como ilegais, embora sejam ‘moralmente aceitas’ como, por exemplo, o lobby. Faz-se necessária a compreensão da rápida mudança que vivemos para que possamos atualizar os nossos códigos sem excessos. “Onde há excesso de leis, há escassez de moral”.

Por que a nossa percepção sobre a corrupção mudou? Qual é a diferença fundamental nos últimos anos?

A principal diferença é que agora ‘eles’ são julgados e condenados e a imprensa divulga isso, embora não sem interesses por trás dessa “boa fé” e algumas dezenas de centenas de jornais vendidos. Realmente, não é falácia quando dizem que em outros momentos “era tudo varrido para debaixo dos panos”. A nossa história recente mostra que um dos momentos de maior incidência de corrupção ocorreu exatamente em um governo ‘fechado’, ou mais precisamente, no regime ditatorial. É evidente que no governo cívico-militar brasileiro havia muita corrupção, não é razoável pensar ao contrário, mas a falta de liberdade do judiciário, do legislativo e da imprensa deu a falsa sensação de que a ditadura brasileira ‘venceu a corrupção’.

A mudança precípua é, portanto, quantitativa. Em outras palavras, o quanto ‘isso’ aparece para o cidadão e o que o Estado faz com ‘isso’? Atualmente, se prende políticos corruptos, vide caso inédito julgado pelo STF, e outros poucos exemplos. Concomitantemente, ainda falta a isonomia necessária para que nossa democracia possa evoluir. Isonomia resulta em estabelecer direitos e deveres iguais para todos, usando os mesmos critérios. É uma cobrança necessária.

Não é a forma de governo que ditará a condição humana. A história novamente mostra que sempre houve corruptos e corruptores, independente da estrutura de governo, passando pela polis grega, pelo império romano, até as democracias escandinavas. Por isso, não podemos condenar a todos ou culpar ‘o sistema’, é preciso aceitar que a corrupção é intrínseca ao homem: “o poder transforma em Calígula quem quer que o detenha”. Consequentemente, ninguém está imune a isso - direta ou indiretamente.

Por outro lado, é preciso que as nossas instituições democráticas tenham o mínimo de previsibilidade quando o assunto é corrupção. Presumir que indivíduos podem se valer de expedientes escusos é o primeiro passo para criar mecanismos de prevenção, embora eu acredite que não há ‘cura’ definitiva para tal problema e, por isso, estaremos sempre dois passos atrás. O caminho é uma via de mão dupla: de um lado a punição, de outro a educação.

Em se tratando de eleições, nenhum candidato, por mais que tente, pode ser visto como paladino da verdade. Nenhum partido tem o ‘remédio’ definitivo para a corrupção, quem disser isso está usando de má fé - outra faculdade do ser humano. Não somos anjos! Desconfio sempre de candidatos que se apresentam como militantes da autoridade moral, sabemos a fonte dessa moral.

Todavia, podemos apontar avanços no que diz respeito à transparência. Atualmente, algumas ferramentas são bastante úteis para o acompanhamento do cidadão. O “Portal Transparência” é um bom exemplo disso. Estas e outras ferramentas são mais benéficas do que o simples ‘apontar de dedo’. A autocrítica também é um bom instrumento contra a corrupção. Possivelmente, o problema da corrupção não está (somente) nela em si, mas em como nós a encaramos. Relativizar, a meu ver, é o pior dos mundos; dois pesos e duas medidas é lugar comum para quem não está de fato preocupado com o problema. Não há, nestes poucos parágrafos, a tentativa de impor determinados padrões morais, mas em um ambiente democrático, o que faremos com a corrupção?

Por fim, parafraseando um importante autor francês: ‘a única revolução possível’ - e esta sim ajudaria a resolver alguns dos nossos problemas – ‘é a revolução moral’. Bem influenciado por outro (alemão), completo: a transvaloração de todos os valores é, talvez, a única chance de criar novos valores éticos e morais. Ainda que a humanização do homem não implique necessariamente em arquétipos ideais.

Se sentiu ofendido? Provavelmente porque se caracteriza com essa parcela da população... Em momento algum me ofendi com o texto, e até concordo em grau e gênero pois já me senti muito impotente vendo esses "causos" acontecerem na minha frente sem ter o que fazer.


2 comentários:

  1. Pactuo com essa idéia Thiago. Lembrei de um amigo que compartilhou comigo ao indaga-lo: como viver bem em meio a corrupção? e ele respondeu: o importante na vida é o que vc faz.
    Talvez esse pensamento nos ajude a ter paz diante dessa guerra corrupta.

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    1. Pois é meu amigo, são pequenas atitudes que podem contribuir para uma melhora em nossa cultura.
      Abraços!

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