quarta-feira, 18 de março de 2015

República do Café com Leite ressurge no Brasil (Por Thiago Muniz)

Muita gente indignada não sabe, mas há um racha no PSDB dividido entre MINAS E SÃO PAULO.
Para quem estudou história do Brasil é mais simples de entender. Trata-se do mesmo princípio da Política do Café com Leite que resumindo, fazia com que o Poder na época da República Velha fosse alternado entre os estados de Minas Gerais e São Paulo.

Pois bem, as três tentativas de eleição a presidência antes de Aécio tentar nesse último pleito, foram alternadas por José Serra (2002) e Alckmin (2006) x Lula; e novamente Serra x Dilma em 2010. O PSDB São Paulo tentou três vezes e foi derrotado.

Aécio Neves foi o que deu mais trabalho ao PT, despontando como líder da oposição atual e um dos mais admirados políticos anti-PT que encarna a indignação de muitos cidadãos. Porém Aécio foi derrotado em casa. Não só perdeu a eleição para presidência no território Mineiro, fato que mudou o mapa da vitória de Dilma, como perdeu também o Governo do Estado para um candidato do PT. Para ficar mais complicado o Governador que substituiu Aécio na última gestão está sendo investigado na Operação Lava Jato (Senador Antônio Anastasia).

Onde quero chegar?

Anotem o que estou escrevendo aqui, pois eu aposto que um movimento forte em breve sucumbirá para começar a tirar a grande Força que Aécio está recebendo e ele será enfraquecido até 2018. É certo que o PT está sangrando e sangrará mais ainda, pois tem novos escândalos vindo em breve. Acredito que a menos que Dilma seja vinculada a algum crime, ela consiga chegar ao fim de seu Governo, mas certamente o PT estará muito frágil em 2018.

Sendo assim… será que o PSDB São Paulo, deixará nas mãos de Aécio a incumbência de disputar novamente a presidência da República, ou será que no JOGO POLÍTICO, começará aos poucos um desgaste de sua imagem para que Alckmin surja como o Homem Forte do Partido nas próximas eleições? Tendo em vista que São Paulo é um dos maiores redutos Anti-PT do Brasil?

Só uma especulação do futuro…

Acho que o PT deve apelar para o Lula, a única chance do partido ganhar, já o PSDB é uma incógnita, eu acredito que Aécio não perderá tanta força. Apenas quero, como todos os brasileiros, que assuma alguém que não tenha nenhum envolvimento em escândalos, o que é muito difícil mas não impossível. Talvez surja alguém diferente que conquiste a confiança dos brasileiros, assim espero.

Alckmin terá mais chance que Aécio para 2018. E pelo que estou vendo, Aécio não está com moral com nenhum setor da direita ou qualquer que queira a saída de Dilma. Uns porque nunca gostaram dele (só usaram pra tirar o PT), outros porque consideram Aécio um opositor fraco, e outros porque acham que existem nomes mais fortes dentro do próprio PSDB. Enfim, não acha que Aécio é herói de alguém está viajando.

A política foi inventada para que as pessoas não saiam às ruas. Quando isso acontece, a política fracassa. É o que está acontecendo no Brasil. A razão para que mais de um milhão de pessoas tenham deixado suas casas para protestar em um domingo, sob garoa, é bastante compreensível: o escândalo da Petrobras coincide com um doloroso ajuste econômico. Ambos os fenômenos estão relacionados.

Entenda um pouco sobre a República Café com Leite

A política do café com leite foi uma estrutura de poder empregado no Brasil durante a República Velha (1889-1930), que consistiu no predomínio político dos cafeicultores de São Paulo e dos fazendeiros de Minas Gerais, que se revezavam ocupando a presidência do país.

Desde os tempos do Império a aristocracia cafeeira dominava a vida política do país, de modo a defender seus interesses econômicos. Durante os primeiros governos republicanos, os cafeicultores que não participaram diretamente do golpe militar que proclamou a República foram descriminados.
Com isso, a influência política dos produtores de café só voltou a ser significativa a partir do terceiro governo republicano, quando Prudente de Moraes o primeiro presidente civil, assumiu a Presidência.

As raízes da liderança paulista e mineira na política brasileira, durante a República Velha, encontravam-se na própria Constituição republicana, promulgada em 24 de fevereiro de 1891. A Constituição de 1891 determinava a forma federativa com ampla autonomia dos estados e a sua representação proporcional na Câmara dos Deputados, isto é, cada estado elegia um número de Deputados Federais proporcional ao número de seus habitantes.

Os estados de São Paulo e Minas Gerais possuíam mais de um terço da população brasileira e formavam os maiores colégios eleitorais do país. Só necessitavam atrair outro Estado, ao qual seria entregue a vice-presidência, para manter seu domínio no plano federal.

A supremacia política nacional, desses dois estados, se convencionou chamar de “Política do Café com Leite”, que só se definiu em suas linhas completas, a partir da Política dos Governadores, que consistia numa troca mútua de favores entre os governantes estaduais (oligarquias) e o Governo Federal.

Um personagem fundamental para entendermos essa aliança é o “coronelismo”. Este título foi criado ainda na Monarquia. Porém com a República eles continuaram com grande prestígio social, político e econômico. Exerciam um poder enorme em suas localidades e exerciam também certa pressão sobre a população. Um exemplo disso é que nas proximidades das suas propriedades o Coronel controlava todos os votos eleitorais à seu favor. Esses locais ficaram conhecidos como “currais eleitorais”.

Em ano de eleição, todos os “afilhados” políticos do Coronel votavam no candidato que o “padrinho” apoiava. Esse controle de votos ficou conhecido como “voto de cabresto”, que se tornou frequente em toda Primeira República e foi, justamente, o que manteve as repúblicas oligárquicas no poder.

A “Política do Café com Leite” caracterizou-se pela liderança dos chefes políticos do Partido Republicano Paulista (PRP) e do Partido Republicano Mineiro (PRM). Desde a administração de Prudente de Moraes até Washington Luís, apenas três presidentes eleitos (Hermes da Fonseca, Epitácio Pessoa e Washington Luís), não procediam dos Estados de Minas Gerais ou de São Paulo.

Com a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, o preço do café brasileiro caiu drasticamente, o que levou os cafeicultores paulistas a terem uma crise de superprodução. Esta fragilidade econômica de São Paulo foi decisiva para que Minas Gerais se unisse ao Rio Grande do Sul e à Paraíba, formando a chamada Aliança Liberal, a qual resultou na eleição do gaúcho Getúlio Vargas à presidência encerrando o ciclo da política café-com-leite.

A Política do Café com Leite, como ficou conhecida popularmente a dominação paulista e mineira do governo federal, só terminou com a Revolução de 1930, que destruiu as instituições políticas a República Velha. Observe que o nome da política refere-se ao café, de São Paulo e o leite, de Minas Gerais.

BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


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