terça-feira, 10 de março de 2015

Reclama da Corrupção? Mude de atitude, comece por você... (Por Thiago Muniz)

Corrupção é o ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. É tirar vantagem do poder atribuído. "Corrupção" vem do latim corruptus, que significa "quebrado em pedaços". O verbo "corromper" significa "tornar-se podre". No Brasil, há um projeto de lei aprovado pelo Senado em junho de 2013 e atualmente em análise pela Câmara dos Deputados do Brasil propondo que se considere a corrupção um crime hediondo. Segundo Calil Simão, é pressuposto necessário para a instalação da corrupção a ausência de interesse ou compromisso com o bem comum:

"A corrupção social ou estatal é caracterizada pela incapacidade moral dos cidadãos de assumir compromissos voltados ao bem comum. Vale dizer, os cidadãos mostram-se incapazes de fazer coisas que não lhes traga uma gratificação pessoal." 

(Calil Simão)

A corrupção é o mal mais pernicioso da infracivilização. Na supercivilização de que são exemplos os territórios ao norte da Europa, ela é quase nula, porque os seus povos sabem corrigir as enfermidades da democracia e vão eliminando com o progresso as causas das doenças mentais comunitárias que atrasam a evolução da Humanidade. A legislação é muito mais aperfeiçoada, tendo erradicado progressivamente os motivos que levam o homem a ser lobo do homem, se não se lhe puser freio, como fazem por lá. Abençoados sejam! Por cá não é assim para desgraça nossa.

É uma Europa onde há de tudo, como numa farmácia. Há cidadãos que se impõem pela cidadania para que haja uma democracia saudável, e há outros laxistas, indiferentes, preguiçosos, medrosos, passivos, imprestáveis quando se fala em pedir-lhes que se motivem e movimentem para a luta política.

O que fazem os cidadãos para combater a corrupção na infracivilização? Nada. Mas na supercivilização fazem com que seja punida exemplarmente. Exemplarmente, na Islândia e na Finlândia não foram o povo quem pagou a crise, mas quem a causou. Abençoados povos!

A corrupção o que gera? O alheamento da vida política, a indiferença por toda a criminalidade que anda à solta mais ou menos protegida por leis cheias de buracos e alçapões, produzidos à medida do interesse de pessoas pouco honestas, espertas no ludíbrio, consentindo o abuso de privilegiados sem mérito, socorrendo-se algumas vezes de grupos de pressão junto das autoridades, em prejuízo de quem atua dentro da lei e da ética.

A corrupção gera compadrio, gera atraso econômico, gera pobreza, gera apatia, insatisfação e revolta; gera um estilo de comportamento social que alastra por todos os escalões do funcionalismo público, desde as enfatuadas chefias ao mais simples subordinado que espreita uma oportunidade de sacar mais algum dinheiro do indígena precisado de qualquer documento ou qualquer autorização duma instituição, para esse compor satisfatoriamente a sua vidinha tristonha ou pouco airosa. E é fácil de ver o que está sujeito à corrupção: uma autorização para funcionamento duma atividade comercial ou industrial, a legalização dum benefício incomum, a compra e venda dum parecer favorável, a renovação duma licença, o perdão duma multa, duma coima, a compra duma ilegalidade numa empresa estatal ou mesmo semi-pública, o favorecimento num concurso público, a angariação dum novo funcionário, com recurso à portuguesíssima cunha, o célebre 'jeitinho' à portuguesa. O seu branqueamento insere-se na ainda mal estudada designação de 'porreirismo nacional' que vota isto tudo à lassidão e posterior esquecimento, como se fosse uma fatalidade inelutável. Contudo, se uma vez ou outra se requere Justiça, esta só enrola, e enrola até à prescrição do ato ilícito ou criminoso.

Porque a legislação dá azo a que aconteça assim.

Quanto mais tempo demorar o fim da corrupção, mais próximo estará o fim da nossa autonomia nacional. Há alguém que desperte para esta evidência?

Faz algum tempo no ano passado quando fui a uma farmácia e no final da compra ao passar no caixa o cidadão que estava atendendo não me cobrou um dos medicamentos. Ao receber troco a mais e ver no cupom fiscal esse detalhe eu avisei a ele que não havia me cobrado o remédio. Entreguei o dinheiro e ele espantado, com os olhos “arregalados” agradeceu a “honestidade”.

Naquele dia fiquei pensando no que houve e acreditem, com muito mais espanto do que o atendente. Não saia da minha mente o semblante de “estupefato” dele, pois em minha mente eu não fiz mais do que a minha OBRIGAÇÃO. Estamos tão presos ao cotidiano que por um instante me esqueci de como é nossa sociedade, de como nós, o povo brasileiro somos corruptos.

Nós brasileiros na grande maioria infelizmente somos o povo de jeitinho, o povo que quer levar a melhor e se dar bem em tudo, somos o povo da “gambiarra”. Nós somos o a nação que elege POLÍTICOS CORRUPTOS.

Sempre me indaguei sobre o porquê de tanta corrupção e, logicamente, concluí o óbvio. Nós temos políticos corruptos porque somos um país que sofre desde a sua base até o topo de uma corrupção crônica e histórica. Um dos sintomas dessa corrupção é a “burocracia” que serve de engodo para desvios de verbas. Somos o país onde cartéis se disfarçam de “consórcios” e “holdings”, onde políticos acusados de peculato, roubo e corrupção recebem cargos importantes. João Paulo Kleinubing, por exemplo, é diretor presidente do BADESC. Pode isso? Um político acusado de corrupção recebe a diretoria de um BANCO? Se ele é inocente ou não é outra história, mas moralmente esse fato está há milhas do correto.

Outro fato que me levou a escrever sobre o assunto foi que certo dia deste mês eu fui a um posto de gasolina e ao pagar a conta após ter abastecido e comprado alguma coisa na loja de conveniência o atendente me deu o troco sem cobrar o combustível. Estava saindo do caixa quando percebi o engano, me voltei pra ele e disse “-Você não cobrou meu combustível”. Acreditem, se os olhos pudessem saltar de suas órbitas os dele estariam no chão, tamanho o espanto por eu ter feito isso. Entreguei o dinheiro e ele agradeceu sem jeito. Isso tudo numa fração de segundos. Nunca esqueço o semblante dessas pessoas que estão desacostumadas com a honestidade, com a bondade humana.

O motorista que bebe e dirige, que não dá seta, o motorista que avança o sinal, o pedestre que atravessa sem olhar pros lados, o cidadão que troca seu voto por combustível, por dinheiro. A pessoa que leva troco dado a mais mesmo percebendo. A pessoa que não respeita o direito alheio e cobra somente os seus. A pessoa que não pede usando um “por favor” ou que não sabe agradecer com um simples “obrigado”. O motorista arrogante que joga seus “picapes” em cima de manobristas. O cidadão que gosta de levar vantagem em tudo, que acha que deve pensar somente nele e mais ninguém. A pessoa que entra com pedido de auxílio doença sem de fato estar doente, a pessoa que não respeita colegas no trabalho ou seu patrão. Patrões arrogantes que maltratam seus empregados e os humilham. O policial que cobra propina de traficantes pra “esquecer” certas situações. O policial que maltrata, humilha e tortura cidadãos. Juizes que aceitam incentivo$ para esquecer processos. Políticos que constroem obras que são elefantes brancos e não servem pra nada. Políticos que aumentam impostos do dia pra noite e sem avisar ou consultar o povo como foi o caso da taxa de coleta de lixo e do IPTU aumentados em Blumenau pelo Prefeito Napoleão Bernardes. Políticos que usam religiões, religiões que usam políticos. Todos vocês são o motivo do Brasil ser um país de CORRUPTOS e LADRÕES.

Enquanto NÓS o POVO não mudarmos nosso comportamento e começarmos a olhar para o próximo com respeito nós jamais deixaremos de ser esta nação que envergonha. Os políticos são o reflexo do povo que os elege e não o contrário. Votar corretamente e conscientemente é o mínimo que deveríamos fazer. Enquanto houver “jeitinho” haverá corrupção e estaremos reclamando de nós mesmos.

Investir na tríade Educação, Saúde e Segurança é o básico que qualquer governo deveria fazer. Educação gera empregos de qualidade e diminui a criminalidade. A saúde assegura qualidade de vida e segurança garante que a educação e a saúde sejam efetivas. Enquanto não houver educação de qualidade não haverá consciência da realidade.

Chega de políticos fazerem o que são pagos pra fazer, ou seja, o básico e serem ovacionados por

Políticos devem ser ovacionados quando fizerem o extraordinário, pois quando fazem o básico nada mais fazem do que sua OBRIGAÇÃO. Políticos devem ganhar seus votos pelo que fizerem de bom à população como um todo e não por ter pago um tanque de combustível” a um cidadão que depois estará reclamando da carga de impostos e da corrupção que origina tais impostos, ou por acaso existe alguém que discorda que nossa carga tributária não tem origem nos desvios dos CORRUPTOS.

Com uma esquerda utópica, burra e egoísta, com uma direita preconceituosa, aproveitadora e manipuladora o futuro é incerto. Parafraseando Cazuza “Brasil! Mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim?”. Nós pagamos de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Nós pagamos o preço por nossos erros. Só posso ter esperança e pedir a todos os brasileiros, BRASIL, MOSTRA A TUA CARA.

PS: Às pessoas de bem, só posso pedir que não desistam, tenham esperança em nosso futuro.

O homem, na sua pequenez espiritual, engatinhando para alcançar a plenitude do espírito, tem a petulância de se achar dono da Verdade!! Que verdade? A que seus parquíssimos conhecimentos, intuições confusas e sentimentos instáveis lhe mostram? Como pode um ser tão imperfeito em todo o sentido conhecer a Verdade e, ainda por cima, querer impô-la aos semelhantes? Lembram-se da Teoria do Geocentrismo, da Indivisibilidade do Átomo? E da Constante de Planck que convulsionou os velhos conceitos da Física? E a tese do Multiuniverso(ou Multiverso)? Coitado do homem! Quão distante está da Verdade Absoluta! Só Deus a detém! Enquanto isso, vamos mudando, corrigindo, ampliando nossas verdades, sempre relativas.

Você sabe para que está sendo convocado(a) no dia 15 de Março?

Não é para brigar por centavos, ou trocar uma merda de partido político, muito menos mudar o fantoche presidente da república atual. Nada disso resolve mais! Pense...afinal repetimos os mesmos erros a cada eleição. Não temos representantes, nem governo. Temos uma máfia instalada e sem intenções de findarem essa teta de vaca interminável e rentável que é o sistema político e burrocrático nacional.

Os padrinhos fanfarrões que nutrem a maneira de ser eleito nessa disfarçada democracia estão torcendo muito pela troca de cadeiras e bancadas. Estão torcendo muito para que a massa popular consiga pressionar a saída do fantoche atual. Pois assim irão renovar os votos matrimoniais com novos fantoches. Claro que não podemos deixar como está. Apenas não pensem que será remédio, lá na "casa deles" já está tudo preparado para troca disfarçada. PSDB - PMDB ou PT. Tanto faz.

Precisa mudar a maneira, o sistema de se fazer política. Temos que mostrar que sabemos o que queremos e como queremos. Não sejam fantoches de bandeiras já deturpadas. Vamos para as ruas sim, mas de forma ordenada e com verdadeiro sentido de mudança. O Brasil foi sucateado pelos políticos e isso tem que mudar. Que não seja desperdício de tempo e propósito essa possibilidade de manifestação legítima.
O PT, O PSDB E A ARTE DE CEVAR OS URUBUS

Se houve um erro recorrente, que pode ser trágico em suas consequências, cometido pela geração que participou da luta pela redemocratização do Brasil, foi permitir que a flor da liberdade e da democracia, germinada naqueles tempos memoráveis, fosse abandonada, à sua própria sorte, no coração do povo, relegada a segundo plano pela batalha, encarniçada e imediatista, das suas diferentes facções, pelo poder.

Perdeu-se a oportunidade — e nisso também devemos nos penitenciar — de aproveitar o impulso democrático, surgido da morte trágica de Tancredo Neves, para se inserir, no currículo escolar de instituições públicas e privadas, obrigatoriamente, o ensino de noções de cidadania e de democracia, assim como o dos Direitos do Homem, estabelecidos na Carta das Nações Unidas, e esse tema poderia ter sido especificamente tratado na Constituição de 1988 e não o foi.


























Não se tendo feito isso, naquele momento, a ascensão ao poder de um auto-exilado, o senhor Fernando Henrique Cardoso, poderia ter levado ao enfrentamento dessa mazela histórica, e, mais ainda, pelas mesmas e mais fortes razões, a questão deveria ter sido enfrentada quando da chegada ao poder de um líder sindical oriundo da camada menos favorecida da população, pronto a entender a importância de dar a outras pessoas como ele, o acesso à formação política que lhe permitiu mudar a si mesmo, e tentar, de alguma forma, fazer o mesmo com o seu país.

Em vários anos, nada foi feito, no entanto, nesse sentido.

Mesmo tratando-se de questão fundamental — a de explicar aos brasileiros para além das eventuais campanhas feitas pela Justiça Eleitoral a divisão e a atribuição dos Três Poderes da República, noções do funcionamento do Estado, dos direitos e deveres do cidadão, e de como se processa, por meio do voto, a participação da população — nunca houve, e tratamos do tema muitas vezes, nenhuma iniciativa desse tipo, mesmo que pudesse ter sido adotada, a qualquer momento, por qualquer administração municipal.

Pensou-se, erroneamente, que bastava voltar à eleição, pelo voto direto, do Presidente da República, e redigir e promulgar um novo texto constitucional, para que se consolidasse a Democracia no Brasil.

Na verdade, essas duas circunstâncias deveriam ter sido vistas apenas como o primeiro passo para uma mudança mais efetiva e profunda, que teria de ter começado por uma verdadeira educação cívica e política da população.

Imprimiu-se a Democracia em milhões de exemplares da Constituição da República, mas não nos corações e mentes da população brasileira.

De um povo que vinha, historicamente, de uma série de curtas experiências democráticas, entrecortadas por numerosos golpes, contra-golpes, de todo tipo; educado ao longo das duas décadas anteriores, dentro dos ritos e mitos de uma ditadura que precisava justificar, de forma peremptória, a derrubada de um governo democrático e nacionalista — ungido pelo plebiscito que deu vitória ao presidencialismo — com a desculpa do bovino anticomunismo da Guerra Fria, cego e ideologicamente manipulado a partir de uma potência estrangeira, os Estados Unidos.

À ausência de um programa de educação democrática para a população brasileira e da defesa da Democracia como parte integrante, permanente, necessária, no nível do Congresso e dos partidos, do discurso político nacional, somou-se, nos últimos tempos, a deletéria criminalização e judicialização da política, antes, depois e durante as campanhas eleitorais.

Assim como parece não perceber que a desestruturação da Petrobras, do BNDES, das grandes empresas de infra-estrutura, de outros bancos públicos, criará um efeito cascata que prejudicará toda a nação, legando-lhe uma vitória de Pirro, caso venha a chegar ao poder em 2018, a oposição também não compreende, que ao incentivar ou se omitir, oficialmente, com relação a ataques à Democracia e aos apelos ao golpismo por parte de alguns segmentos da população, está dando um tiro pela culatra, que só favorecerá uma terceira força, com relação à qual comete terrível engano, se acredita que tem a menor possibilidade de vir a controlar.

A mesma parcela do público radicalmente contrária ao Partido dos Trabalhadores, estende agora, paulatinamente, o processo de criminalização da política ao PSDB e a outros partidos contrários ao PT, e já há quem defenda, na internet, e nas redes sociais, a tese de que o país precisa livrar-se das duas legendas, e de que a saída só virá por meio do rápido surgimento de outra alternativa política, ou de uma intervenção militar.

Bem intencionado na área social, na macroeconomia, em alguns momentos, e em áreas como as Relações Exteriores e a Defesa, e atuando quase sempre sob pressão, o PT cometeu inúmeros erros — e não apenas de ordem política — nos últimos anos.

Deixar de investigar, com o mesmo rigor que vigora agora, certos episódios ocorridos nos oito anos anteriores à sua chegada ao poder, foi um deles.

Abrir a porta a páraquedistas que nada tinham a ver com os ideais de sua origem, atraídos pela perspectiva de poder, também foi um equívoco.

Como foi fechar os olhos para o fato de que alguns de seus militantes estavam caindo, paulatinamente, na tentação de se deixar seduzir e contaminar, também, pelas benesses e possibilidades decorrentes das vitórias nas urnas.

O maior de todos, no entanto, foi se omitir de responder, do começo, àqueles ataques mais espatafurdios, sem outra motivação do que a do ódio e do preconceito, que passou a receber desde que chegou à Presidência da República.

Ao adotar, de forma persistente, essa posição, o PT prestou um terrível, quase irreparável, desserviço à Democracia.

Em um país em que blogueiros são condenados a pagar indenizações por chamar alguém de sacripanta, a própria liturgia do cargo exige que um Presidente ou uma Presidente da República usem a força da Lei para coibir e exemplar quem os qualifica, pública e diuturnamente, na internet, de fdp, ladrão, bandido, assassina, terrorista, vaca, anta, prostituta, etc, etc, etc.

E tal liturgia exige que isso se faça desde a posse, não apenas para preservar a autoridade máxima da República, que a ninguém pertence pessoalmente, já que conferida foi pelo voto de milhões de brasileiros, mas, sobretudo, para defender a democracia em um país e uma região do mundo em que quase sempre esteve ameaçada.

Existe, é claro, a liberdade de expressão, e existem a calúnia, o ataque às instituições, ao Estado de Direito, à Constituição, que ameaçam a estabilidade do país e a paz social, e o governo que se furta a defender tais pressupostos, nos quais se fundamentam Estado e Nação, deveria responsabilizar-se direta, senão criminalmente, por essa omissão.

Se Lula, Dilma, e outras lideranças não se defendem, nem mesmo quando acusadas de crimes como esquartejamento, o PT, como partido, faz o mesmo, e incorre no mesmo erro, ao omitir-se de ampla e coordenada defesa da democracia — e não apenas em proveito próprio — dentro e fora do ambiente virtual.

Em plena ascensão do discurso anticomunista e “anti-bolivariano” — o Brasil agora é um país “comunista”, com 55 bilhões de reais de lucro para os bancos e 65 bilhões de dólares de Investimento Estrangeiro Direto no ano passado, e perigosos marxistas, como Katia Abreu, Guilherme Afif Domingos e Joaquim Levy no governo — sua militância insiste em se vestir de vermelho como o diabo, como adoram lembrar seus adversários, a cada vez que bota o pé na rua.

Isso, enquanto, estranhamente, abandona, ao mesmo tempo, o espaço de comentários dos grandes portais e redes sociais, lidos pela maioria dos internautas, a golpistas que se apropriam das cores da bandeira, agora até mesmo como slogan.

Ao fazer o que estão fazendo, o Governo, o PT e o PSDB, estão fortalecendo uma terceira força, e especializando-se na perigosa arte de cevar os urubus.

De que se alimenta a extrema direita?

Do ódio, da violência, do preconceito, da criminalização da política, da infiltração e do aparelhamento do estado, do divisionismo, da disseminação terrorista da calúnia, do boato e da desinformação.

No futuro, quando for estudado o curto período de 30 anos que nos separa da redemocratização, será possível ver com clareza — e isso cobrarão os patriotas pósteros, se ainda os houver, nesta Nação — como a hesitação, a imprevisibilidade, a aversão ao planejamento, a anemia partidária e a mais absoluta incompetência por parte da comunicação do PT, principalmente na enumeração e disseminação de dados irrefutáveis; e o irresponsável fomento ao anti-nacionalismo e à paulatina criminalização e judicialização da política, por parte, PSDB à frente, da oposição, conseguiram transformar o país libertário, uno e nacionalista, que emergiu da luta pela Democracia e que reunia milhões de pessoas nas ruas para defender esses ideais há 30 anos, em uma nação fascista, retrógrada, politicamente anacrônica, anti-nacional e conservadora, que reúne, agora, nas ruas, pessoas para atacar o Estado de Direito, a quebra das regras que o sustentam, e a interrupção do processo democrático.

Um país cada vez mais influenciado por uma direita “emergente” e boçal — abjeta e submissa ao estrangeiro e preconceituosa e arrogante com a maioria da população brasileira — estúpida, golpista e violenta, que está estendendo sua influência sobre setores da classe média e do lumpen proletariado, e crescendo, como câncer, na estrutura de administração do estado, na área de segurança, nos meios religiosos, na mídia e na comunicação.

Destruiu-se a aliança entre burguesia nacionalista e trabalhadores, que conduziu o país à Campanha das Diretas e à eleição de Tancredo Neves como primeiro presidente civil, depois de 21 anos de interrupção do processo democrático.

Destruiu-se a articulação das organizações e setores mais importantes da sociedade civil, na defesa do país, do desenvolvimento e da democracia.

Destruiu-se, sobretudo, a esperança e o nacionalismo, que, hoje, só a muito custo persistem, no coração abnegado de patriotas que lutam, como quixotes aguerridos e impolutos, em pequenas organizações, e, sobretudo, na internet, para evitar que a Nação naufrague, definitivamente, em meio à desinformação, ao escolho moral e à apatia suicida da atualidade; ao pesado bombardeio das forças que cobiçam, do exterior, nossas riquezas; e que o Brasil abandone e relegue, como quinto maior país do mundo em território e população, qualquer intenção que já tenha tido de ocupar, de forma altiva e soberana, o lugar que lhe cabe no concerto das Nações.

Quando se vêem brasileiros encaminhando pedidos à Casa Branca de intervenção na vida nacional, defendendo a total privatização, desnacionalização e entrega de nossas maiores empresas, em troca, alegadamente, de comprar, como no país do Tio Sam, por um real um litro de gasolina — se for por esta razão, por que não se mudam para a Venezuela, e vão abastecer seus carros em postos PDVSA, empresa 100% estatal, onde ela está custando 15 centavos ? — tratando meios de comunicação estrangeiros e pseudo organizações de todo tipo sediadas na Europa e nos Estados Unidos como incontestáveis oráculos aos que se deve reverência e obediência absolutas, os inimigos do Brasil riem, e sua boca se enche de saliva, antecipando a divisão e o esgarçamento da nossa sociedade, e nossa entrega e capitulação aos seus ditames, com a definitiva colonização da nossa Pátria, e, sobretudo, da alma brasileira.

Pouco mais há a fazer — correndo o risco de sermos tachados mais uma vez de loucos, ridículos e senis, extintos, e sem mais lugar neste mundo, do que os répteis que outrora cruzavam as planícies de Pangea — do que pregar, como João Batista, no deserto, mastigando os gafanhotos do ódio e do sarcasmo.

É preciso reunir os democratas e os nacionalistas onde os houver, para evitar e se contrapor, de forma inteligente, coordenada, ao fortalecimento descontrolado, já quase inevitável, das forças antidemocráticas e anti-nacionais.

O governo e a oposição — ao menos a mais equilibrada — precisam parar de cevar as aves de rapina, que, dentro, e fora do país, anseiam e já antevêem nossa destruição, e o controle definitivo de nossa população e de nossas riquezas.

Quando acabarem, pelo natural esgotamento e imposição das circunstâncias, os equívocos, as concessões, os enganos, as omissões, as pequenas felonias, as traições à verdade, ao passado e ao futuro, de que se alimentarão os urubus?
O que se esconde atrás do ódio ao PT?

Certos grupos prolongam as velhas elites que da Colônia até hoje continuaram antinacionais, reacionárias e achando que o povo não têm direitos.

Há um fato espantoso mas analiticamente explicável: o aumento do ódio e da raiva contra o PT. Esse fato vem revelar o outro lado da “cordialidade” do brasileiro, proposta por Sérgio Buarque de Holanda: do mesmo coração que nasce a acolhida calorosa, vem também a rejeição mais violenta. Ambas são “cordiais”: as duas caras passionais do brasileiro.

Esse ódio é induzido pela midia conservadora e por aqueles que na eleição não respeitaram rito democrático: ou se ganha ou se perde. Quem perde reconhece elegantemene a derrota e quem ganha mostra magnanimidade face ao derrotado. Mas não foi esse comportamento civilizado que triunfou. Ao contrário: os derrotados procuram por todos os modos deslegitimar a vitória e garantir uma reviravolta política que atenda a seu projeto, rejeitado pela maioria dos eleitores.

Para entender, nada melhor que visitar o notório historiador, José Honório Rodrigues que em seu clássico Conciliação e Reforma no BrasilI (1965) diz com palavras que parecem atuais:

”Os liberais no império, derrotados nas urnas e afastados do poder, foram se tornando além de indignados, intolerantes; construíram uma concepção conspiratória da história que considerava indispensável a intervenção do ódio, da intriga, da impiedade, do ressentimento, da intolerância, da intransigência, da indignação para o sucesso inesperado e imprevisto de suas forças minoritárias” (p. 11).

Esses grupos prolongam as velhas elites que da Colônia até hoje nunca mudaram seu ethos. Nas palavras do referido autor: “a maioria foi sempre alienada, antinacional e não contemporânea; nunca se reconciliou com o povo; negou seus direitos, arrasou suas vidas e logo que o viu crescer lhe negou, pouco a pouco, a aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence”(p.14 e 15). Hoje as elites econômicas abominam o povo. Só o aceitam fantasiado no carnaval.

Lamentavelmente, não lhes passa pela cabeça que “as maiores construções são fruto popular: a mestiçagem racial, que criava um tipo adaptado ao país; a mestiçavel cultural que criava uma síntese nova; a tolerância racial que evitou o descaminho dos caminhos; a tolerância religiosa que impossibiltou ou dificultou as perseguições da Inquisição; a expansão territorial, obra de mamelucos, pois o próprio Domingos Jorge Velho, devassador e incorporador do Piaui, não falava português; a integração psico-social pelo desrespeito aos preconceitos e pela criação do sentimento de solidariedade nacional; a integridade territorial; a unidade de língua e finalmente a opulência e a riqueza do Brasil que são fruto do trabalho do povo. E o que fez a liderança colonial (e posterior)? Não deu ao povo sequer os beneficios da saúde e da educação”(p. 31-32).

A que vêm estas citações? Elas reforçam um fato histórico inegável: com o PT, esses que eram considerados carvão no processo produtivo (Darcy Ribeiro), o rebutalho social, conseguiram, numa penosa trajetória, se organizar como poder social que se transformou em poder político no PT e conquistar o Estado com seus aparelhos. Apearam do poder as classes dominantes; não ocorreu simplesmente uma alternância de poder mas uma troca de classe social, base para um outro tipo de política. Tal saga equivale a uma autêntica revolução social.

Isso é intolerável pelas classes poderosas que se acostumaram a fazer do Estado o seu lugar natural e de se apropiar privadamente dos bens públicos pelo famoso patrimonialismo, denunciado por Raymundo Faoro.

Por todos os modos e artimanhas querem ainda hoje voltar a ocupar esse lugar que julgam de direito seu. Seguramente, começam a dar-se conta de que, talvez, nunca mais terão condições históricas de refazer seu projeto de dominação/conciliação. Outro tipo de história política dará, finalmente, um destino diferente ao Brasil.

Para eles, o caminho das urnas se tornou inseguro pelo nível crítico alcançado por amplos estratos do povo que rejeitou seu projeto político de alinhamento neoliberal ao processo de globalização, como sócios dependentes e agregados. O caminho militar será hoje impossível dado o quadro mundial mudado. Cogitam com a esdrúxula possibilidade da judicialização da política, contando com aliados na Corte Suprema que nutrem semelhante ódio ao PT e sentem o mesmo desdém pelo povo.

Através deste expediente, poderiam lograr um impeachment da primeira mandatária da nação. É um caminho conflituoso pois a articulação nacional dos movimentos sociais tornaria arriscado este intento e talvez até inviabilizável.

O ódio contra o PT é menos contra PT do que contra o povo pobre que por causa do PT e de suas políticas sociais de inclusão, foi tirado do inferno da pobreza e da fome e está ocupando os lugares antes reservados às elites abastadas. Estas pensam em apenas fazer caridade, doar coisas, mas nunca fazer justiça social.

Antecipo-me aos críticos e aos moralistas: mas o PT não se corrompeu? Veja o mensalão? Veja a Petrobrás? Não defendo corruptos. Reconheço, lamento e rejeito os malfeitos cometidos por um punhado de dirigentes. Traíram mais de um milhão de filiados e principalmente botaram a perder os ideais de ética e de transparência. Mas nas bases e nos municípios - posso testemunhá-lo - vive-se um outro modo de fazer política, com participação popular, mostrando que um sonho tão generoso não se mata assim tão facilmente: o de um Brasil menos malvado. As classes dirigentes, por 500 anos, no dizer rude de Capistrano de Abreu, “castraram e recastraram, caparam e recaparam” o povo brasileiro. Há maior corrupção histórica do que esta? Voltaremos ao tema.

Partido Progressista, o ‘filho’ da ditadura que coleciona escândalos

De filho da ditadura militar (1964-1985) a para-raios de escândalos, esse é o Partido Progressista, a sigla que teve mais políticos citados na Operação Lava Jato até o momento, 31 dos 49. Oriundo da Arena, a agremiação de direita que deu suporte ao regime militar brasileiro, o PP sempre apoiou os governos, independentemente de quem fosse. Sua principal diferença do PMDB, que também costuma ser um fiel aliado do Palácio do Planalto desde a redemocratização, é o tamanho: os progressistas são menores.

A relação dos membros do PP investigados por desvios de recursos da Petrobras é eclética. Vai de um padre baiano, o ex-deputado José Linhares da Ponte (Padre Zé), a um evangélico paulista que está na cúpula da Igreja Mundial, o missionário José Olímpio. Há aindamensaleiros, como Pedro Henry e Pedro Corrêa, um ruralista gaúcho anti-índios, Luiz Carlos Heinze, e o vice-governador baiano que diz estar “cagando e andando” para a investigação, João Leão.

Ter a maioria dos políticos implicados no escândalo da Petrobras até agora não significa necessariamente que o PP foi o principal articulador do esquema. Conforme o Ministério Público Federal, os nomes dos progressistas apareceram mais porque os dois delatores-chave das fraudes, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, eram vinculados a esse partido por indicação do então deputado federal José Janene (morto em 2010). As figuras ligadas ao PT, o ex-diretor da petroleira Renato Duque e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, assim como os relacionados ao PMDB, o ex-diretor Nestor Cerveró e o lobista Fernando Soares, não assinaram termos de colaboração com a Justiça. Ou seja, não entregaram quem eram os petistas e peemedebistas envolvidos nos desvios de até 20 bilhões de reais da maior empresa estatal do país.

“Evidentemente que essa lista tende a aumentar assim que as investigações se aprofundarem”, avalia o cientista político Paulo César Nascimento, professor da Universidade de Brasília.

Com 1,4 milhão de filiados o PP é o quarto maior partido brasileiro, está atrás de PMDB, PT e PSDB. Nos Governos de Dilma Rousseff e de Luiz Inácio Lula da Silva ganhou relevância ao comandar ministérios importantes, como o das Cidades (que agora é do PSD), entre 2005 e 2014, e desde janeiro passado o da Integração Nacional. Duas pastas com orçamentos gigantescos e programas considerados chaves para o Planalto, como o Minha Casa, Minha Vida e a obra de transposição do rio São Francisco. Atualmente, além de cargos na gestão Rousseff, os progressistas contam com a governadora de Roraima, Suely Campos, e seis vice-governadores, entre eles o do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, e o da Bahia, João Leão.

Com 40 deputados federais e cinco senadores, o PP tem uma bancada de baixo clero que já foi pega em vários escândalos. No mensalão petista, em 2006, lá estavam os deputados José Janene, Pedro Henry e Pedro Corrêa. No superfaturamento de obras em São Paulo, em 2004, aparecia o deputado federal Paulo Maluf e o filho dele, o empresário Flávio – ambos estão na lista de procurados pela Interpol e não podem deixar o país. Na máfia dos Fiscais paulistanos, em 1998, surgiu um afilhado de Maluf, o prefeito Celso Pitta (já morto).

Mais recentemente, o PP viu seus quadros envolvidos em um escândalo nacional e dois regionais. O primeiro foi em 2011, quando o então ministro das Cidades, Mario Negromonte, do PP da Bahia, foi acusado de oferecer uma mesada de 30.000 reais a seus correligionários para apoiar sua permanência no cargo. A propina não foi comprovada, mas o ministro caiu. O segundo caso foi em Campo Grande (MS), no ano passado, quando o prefeito Alcides Bernal foi cassado acusado de nove crimes, inclusive lavagem de dinheiro. O mais atual é no Governo de Roraima, comandado por Suely Campos. Eleita após a Justiça impedir a candidatura de seu marido, Neudo Campos, Suely terá de suspender a nomeação de 19 funcionários do primeiro e segundo escalão por causa de nepotismo. Eram todos seus familiares.

Na avaliação do cientista político Nascimento, os membros do PP costumam aparecer em escândalos porque geralmente são políticos com a velha prática clientelista, que foi mesclada com técnicas de corrupção do PT. “Há no PP políticos corruptos contumazes e isso se espalha pelo próprio partido. Mas essa prática não é exclusiva dele. O PMDB também vai no mesmo sentido. Só não surgiram tantos nomes ainda”, diz o estudioso da política brasileira.

Ao contrário de outras legendas que viram seus quadros citados no escândalo da Petrobras, o PP ainda não se manifestou oficialmente. Alguns de seus membros citados fizeram declarações de defesas isoladas, sempre negando qualquer irregularidade em suas prestações de contas eleitorais ou em relação à atividade parlamentar. Um deles foi o senador Ciro Nogueira, o presidente nacional da legenda. Em sua conta do Twitter, Nogueira diz que as acusações contra ele são “absurdas e sem fundamento” e criticou a imprensa brasileira.

Outro que falou sobre o assunto foi o vice-governador baiano, João Leão. Em nota oficial, ele disse que não estava nada preocupado com as acusações. “Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos. Sou um cara sério, bato no meu peito e não tenho culpa”, afirmou.
BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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