segunda-feira, 23 de março de 2015

E o Dólar?

“Se eu tivesse um único dólar, investiria em propaganda.” (Henry Ford)

O dólar dos Estados Unidos (em inglês: United States dollar) é a moeda emitida pelos Estados Unidos e utilizada no mundo inteiro, tanto em reservas internacionais como em livre circulação em alguns países. Atualmente, a sua expedição é controlada pela Reserva Federal dos Estados Unidos.

O nome dollar deriva de thaler (em português táler), abreviação de Joachimsthaler, uma moeda de prata cunhada pela primeira vez em 1518, com prata extraída das minas situadas em torno da cidade de Joachimsthal ("Vale de São Joaquim"), atual Jáchymov, na Boêmia.

O código ISO 4217 para o dólar dos Estados Unidos é USD (que significa United States Dollar), e o Fundo Monetário Internacional refere-se ao mesmo como US$, abreviação que também é muito comum fora dos EUA para designá-lo, uma vez que o dólar foi criado pelos estadunidenses.

Usa-se também o símbolo $, normalmente escrito antes do valor numérico, para o dólar dos EUA, assim como para muitas outras moedas. O sinal foi o resultado de uma evolução, no fim do século XVIII, da sigla "ps", do peso. O p e s, passaram a ser escritos um sobre o outro, dando origem ao $.

Outra explicação popular é que ele vem das Colunas de Hércules no brasão espanhol da moeda espanhola cunhadas no Novo Mundo na Cidade do México, Potosí (Bolívia) e em Lima (Peru). Estas Colunas de Hércules nas moedas espanholas de prata assumiram a forma de duas barras verticais (||) com uma faixa de pano balançando na forma de um "S".

Há ainda outra explicação ficcional que sugere que o sinal do dólar foi formado a partir das letras maiúsculas U e S escritas ou impressas uma em cima da outra. Esta teoria, popularizada pela escritora Ayn Rand em Atlas Shrugged , ignora o fato de que o símbolo já estava em uso antes da formação dos Estados Unidos.

O dólar dos Estados Unidos é dividido em 100 cêntimos ou então em 10 dimes, mas este último é usado hoje em dia somente para designar a moeda de 10 cents. Moedas e notas de um dólar existem simultaneamente, embora notas sejam encontradas mais facilmente. Denominações menores que um dólar são emitidas em moedas, enquanto que as que o superam são emitidas em notas da Reserva Federal (Federal Reserve).

Até 1944, quando ocorreu a Conferência de Bretton Woods, era difícil determinar o valor do dólar em comparação ao de outras unidades monetárias, sendo a dificuldade ainda maior com os fortes abalos causados pela Segunda Guerra Mundial. Geralmente as cotações se baseavam nas reservas em ouro dos países, por ser o ouro um parâmetro universal. A esta altura os EUA já eram a maior potência mundial, por isso tentou-se estabelecer um padrão em que o grama de ouro teria um valor fixo em dólares.

O sistema durou até o início da década de 1970, quando o dólar já estava seriamente desvalorizado em relação ao valor acordado originalmente. Em 1971, o dólar deixou de ser diretamente conversível em ouro e, graças aos avanços tecnológicos que permitem negociações rápidas e em grandes volumes, surgiu o câmbio flutuante englobando vários pares de moedas. Foi assim que nasceu o Forex.

Em 1995, mais de 380 bilhões de dólares dos Estados Unidos estavam em circulação, dois terços disso fora dos EUA. Em abril de 2004, aproximadamente 700 bilhões estavam em circulação, com uma estimativa de metade de dois terços dele fora dos EUA.

Os Estados Unidos são um dos vários países que usam a moeda dólar. Vários países usam o dólar dos Estados Unidos como sua moeda oficial, e muitos outros permitem que ela seja usada de fato.

Nas décadas de 1980 e 1990, muitos economistas viam, com grande simpatia, a dolarização da economia brasileira como forma de romper o círculo vicioso da inflação, que, na época, já podia ser considerada hiperinflação. Adotando o dólar como lastro para a moeda nacional, o Brasil poderia se ver livre do tão terrível dragão inflacionário. Outros economistas tinham receio na adoção dessa solução, principalmente quando viram a Argentina sofrer com a incapacidade de pagamento, resultando no abandono desse sistema.

Alguns dizem que o Plano Real foi, por um breve período, um tipo de dolarização da economia brasileira, visto que a URV — Unidade Real de Valor —, tinha, mais ou menos, o mesmo valor de 1 dólar. Após a desvalorização do real em 1999, houve o descolamento da moeda estado-unidense, com a adoção do câmbio flutuante.

Notas acima de US$ 100 eram produzidas antigamente, porém a produção parou em 1946 e foram retiradas de circulação em 1969. Estas notas eram usadas em transações entre bancos ou pelo crime organizado; foi o uso ilícito que fez com que o presidente Richard Nixon mandasse uma ordem executiva em 1969 proibindo seu uso. Com o advento das transações eletrônicas, as notas tornaram-se desnecessárias. As notas com valor acima de US$ 100 eram as de US$ 500, US$ 1.000, US$ 5.000, US$ 10.000 e US$ 100.000.

Recentemente foram lançadas novas notas de US$ 10 a US$ 100, com projeto gráfico diferenciado, entretanto, as antigas continuam valendo, devendo ser retiradas de circulação conforme forem se desgastando.

O rei dólar recupera o trono

O rei voltou e está disposto a ficar. Depois de uma década na sombra, e acompanhado pela queda no preço das matérias-primas, o dólar recuperou, em meio ao desconcerto de Wall Street e de muitos bancos centrais, seu lugar primordial na economia mundial. A razão principal é que os EUA se recuperam da grande crise de 2008 com mais velocidade e força que seus rivais europeus e asiáticos. O presidente Barack Obama prometeu devolver ao país a força perdida. Os mercados estão desta vez a seu lado na reta final de seu mandato.

A reabilitação da nota verde não parece fugaz. Seu atrativo como refúgio para os investidores cresce ante a perspectiva de uma alta de taxas do Federal Reserve em 2015, uma vez encerrado seu programa de compra maciça de dívida. Em contrapartida, os bancos centrais das economias estancadas baixam suas taxas para impulsionar o crescimento em meio de uma grande incerteza. O Banco Central Europeu (BCE), por exemplo, mantém o preço do dinheiro em um mínimo histórico de 0,05%. Dada a timidez e a reduzida margem de manobra institucional da instituição dirigida por Mario Draghi, um euro fraco que incentive as exportações é uma forma de estimular a economia da região.

Os agourentos do fim do dólar como moeda de referência andam nestes dias buscando argumentos. Tempos atrás, em um contexto de dinheiro barato nos EUA, os primeiros anos do euro e a irrupção da China como colosso econômico, a divisa norte-americana perdeu popularidade entre os bancos centrais e os investidores, que se divertiram com outras moedas. A situação foi corrigida. As condições estão dadas para uma revigorada de vários anos, segundo anunciam não poucos especialistas.

O dólar alcançou nos últimos dias sua máxima em cinco anos na cesta de divisas de referência. Desde seu afundamento em 2011 a moeda se apreciou 20% e recuperou o nível de antes da crise. Em relação a abril desse ano, quando a moeda chegou ao fundo em relação ao restante das divisas para se recuperar até hoje, sua apreciação em relação ao euro foi de 14% (com uma alta vertiginosa de 8% nos últimos seis meses). O iene japonês e o real brasileiro caíram 39% e 40%, respectivamente, com relação ao dólar no mesmo período. Com um crescimento mínimo e uma enorme dívida, o iene tem todos os indicadores para continuar em queda.

Apesar de tudo, em termos históricos, lembrando períodos de grande força como a presidência de Bill Clinton no anos 90 ou a de Ronald Reagan nos 80, o dólar está ainda abaixo de seu valor. Binky Chadha, economista do Deutsche Bank, considera que ainda faltam mais 20% do caminho, segundo disse em uma das habituais reuniões de perspectivas de fim de ano que se realizam em Nova York.

A brecha entre o crescimento dos EUA e o restante do mundo não tinha sido tão grande há muito tempo. O crescimento estimado para 2015 é de 3,1%, acima da Europa e Japão: 1,3% e 0,8%, respectivamente, segundo o Fundo Monetário Internacional. No terceiro trimestre do ano, o PIB norte-americano cresceu 3,9%, em relação ao ano anterior, enquanto o da zona do euro ficou em 0,8%. Não é só a Europa que não se recupera. China e Índia também estão em dificuldades.

As taxas de câmbio têm ganhadores e perdedores em um contínuo jogo de papéis intercambiáveis. Multinacionais norte-americanas como IBM ou McDonald’s indicaram que a alta do dólar é vento na cara para o seu negócio. Os países que compram produtos dos EUA, por sua vez, pagarão mais, mas, em contrapartida, suas exportações serão mais competitivas, dada a debilidade de suas moedas. Nos últimos dias, a imprensa econômica dos EUA destacou como os portos de Long Island e Los Angeles têm muitos navios repletos de mercadorias fazendo fila para descarregar. Haverá turbulências, claro.

As transações em dólares triplicaram na última década até os 9 bilhões de dólares (24 bilhões de reais). Muitas empresas e bancos com dívida nessa moeda terão de pagar juros mais elevados.

A fraqueza alheia é uma força própria. Com essa premissa se observa dos EUA a situação da Europa. O pessimismo em relação à trajetória do Velho Continente é sentido nos eventos com analistas realizados nos últimos dias em Manhattan. O Bank of America projeta um PIB de 1,2% para 2015, frente o 0,8% do atual exercício. “Há um grande problema de confiança e estrutural, pelas elevadas cifras de desemprego, que não se resolverão com esse crescimento de 1%”, avalia o economista Ethan Harris.

O Deutsche Bank apresenta uma previsão semelhante. “É um crescimento muito baixo, principalmente se se considera que equivale a uma taxa trimestral de 0,25%”, pondera Binky Chadha. Apesar de tudo, ninguém prevê uma volta atrás na situação vivida com a crise da dívida soberanas. Peter Fisher, diretor da BlackRock, não descarta nem mesmo que a Europa possa surpreender positivamente os mercados ao longo do próximo ano, mas como resultado das baixas expectativas. “A régua de medir está muito baixa”, afirma.

Embora agora seja complicado impor um preço, precisamente por essa incerteza, os analistas veem a moeda europeia no 1,20 dólar ao longo de 2015. Até mesmo poderia baixar a 1,15 dólar em 2016 se a economia da zona do euro não melhorar. “Aí é que será o momento de se preocupar”, adverte Harris, para quem o catalisador da forte correção está no anúncio de compra de dívida feito pelo BCE.

“O BCE vai manter as taxas baixas durante um longo período e isso debilita o euro”, afirmam no Credit Suisse. No caso da libra esterlina o câmbio se manterá estável porque tanto o crescimento como a política monetária do Reino Unido são consistentes com os dos EUA.

Em Wall Street recordam que quando o euro estava cotado em 1,40 dólar, há alguns meses, os fundamentos da economia europeia eram os mesmos. “Mas, de repente, foi como se a equipe de Mario Draghi estivesse perdendo credibilidade para manter a meta de inflação. Por isso, agora está sendo obrigada a agir”, explica John Shin, analista de divisas do Bank of America.

Ninguém em Wall Street tem um modelo para determinar a direção do dólar e das principais moedas, já que são muitos os fatores em jogo. À espera de ver quando e de quanto será o estímulo do BCE, o outro grande fator que movimentará as taxas de câmbio, coincidem os analistas, será a trajetória dos EUA.

A projeção do Bank of America é de um crescimento de 3,3% em 2015, mais de 1 ponto acima do visto até agora na recuperação. A incógnita está no Federal Reserve, se vai se antecipar às expectativas do mercado em relação às taxas de juros. O esperado é que encareça o preço do dinheiro em meados do ano, e que vá tirando o freio de forma gradual.

A história indica que a nota verde tem ainda margem para apreciar-se até a primeira alta de taxas desde a crise. Por isso, o Credit Suisse antecipa uma pausa na apreciação do dólar em meados de 2015, quando se materializar a primeira alta. A longo prazo, aposta numa revalorização, especialmente frente ao euro, ao franco suíço e o iene.

Na Goldman Sachs afirmam que o dólar “continua sendo uma moeda barata”. O único que poderia frear a escalada é se de repente a atividade na Europa começar a se beneficiar da estratégia monetária expansiva do BCE e do relaxamento fiscal. Além disso, esperam que as reformas estruturais empreendidas comecem a estimular a demanda.

Dólar entrou em queda, mas até quando?
Continuidade da queda na cotação iniciada na sexta-feira (20/03) vai depender dos dados de atividade econômica e da inflação americana, que podem tornar o Fed mais ou menos paciente.

Depois de cair fortemente na sexta-feira passada, o dólar começa esta segunda-feira em queda significativa frente ao real, levando vários analistas a questionar se a valorização recente da moeda americana foi exagerada e por quanto tempo a correção da sua cotação poderá durar.

Dois fatores contribuíram para o recuo da moeda americana em relação ao real desde o final da semana passada. Primeiro, a sinalização dada pelo Federal Reserve (Fed) de que uma elevação dos juros nos Estados Unidos não é tão iminente como se acreditava antes da reunião da autoridade monetária na última quarta-feira. Segundo, a percepção dos investidores de que melhorou o apoio político para a aprovação no Congresso das medidas do ajuste fiscal.

Na sexta-feira, o dólar recuou 1,76% frente ao real, fechando a semana passada cotado a R$ 3,2370. Apenas no dia anterior, a moeda americana havia superado a barreira de R$ 3,30, maior nível desde abril de 2003. Por volta das 11h55 da manhã desta segunda-feira, o dólar caía 1,85%, a R$ 3,1770.

Mesmo com a queda registrada desde sexta-feira, o dólar já acumula alta de 11,3% em março e de 19,7% neste ano. Uma trégua na crise política entre o governo Dilma Rousseff e os líderes do Congresso poderá levar a uma recuperação maior das perdas recentes sofridas pela moeda brasileira, se o cenário externo seguir mais tranquilo, isto é, se os investidores apostarem que o Fed não deve subir os juros americanos no curtíssimo prazo.

Como a nova equipe econômica nomeada para o segundo mandato da presidente Dilma acredita que uma cotação maior do dólar faz parte do ajuste que o Brasil precisa passar, reduzindo desequilíbrios como o déficit de conta corrente, o teste da disposição do governo em relação a esse alívio no câmbio dos últimos dois dias poderá ocorrer se o dólar ensaiar uma volta para um patamar próximo de R$ 3,00 com a mesma velocidade que disparou para R$ 3,30.

E o termômetro dessa disposição será a posição do Banco Central em relação ao seu programa de swap cambial, previsto para durar até o fim deste mês. A expectativa de investidores e analistas é de que o BC anuncie o fim da ração diária, isto é, a colocação de US$ 100 milhões em leilões de swaps cambiais, mas que a autoridade monetária continue fazendo a rolagem do estoque desses contratos, atualmente mais de US$ 113 bilhões.

Essa expectativa do mercado está embutida na cotação do câmbio. Para os investidores, enquanto a inflação estiver pressionada e as expectativas inflacionárias sem mostrar maior convergência para a meta de 4,5%, o BC não terá pressa em reduzir o estoque de swaps cambiais com maior intensidade.

Mas a trajetória – e a sua velocidade – do dólar frente ao real vai ser um teste da disposição do governo em deixar o câmbio flutuar mais livremente.

No exterior, o dólar vem experimentando desde o final da semana passada uma correção frente às principais moedas internacionais diante da percepção de que o Fed vai aguardar a divulgação de novos indicadores econômicos antes de comunicar com mais clareza o início do ciclo de aperto monetário. E esse recuo beneficia também o real, a moeda emergente que mais sofreu com as apostas crescentes de uma elevação dos juros americanos pelo Fed no curto prazo.

Até a reunião de política monetária do BC americano na quarta-feira passada, a maioria de investidores e analistas apostava em junho como o início do ciclo de alta de juros nos EUA. Após o encontro, essa aposta foi adiada para setembro.

O Fed retirou a expressão “paciente” do comunicado que acompanhou sua decisão de política monetária – como esperavam os investidores -, mas revisou suas projeções para o crescimento da economia, a taxa de desemprego, a inflação e o nível dos juros para 2015, 2016 e 2017, sinalizando com as novas estimativas de que não está com tanta pressa para subir os juros.

Assim, o alívio à cotação do real vindo de fatores externos – em particular a aposta para o início da alta de juros nos Estados Unidos – vai depender da divulgação dos dados de atividade econômica e da inflação americana, os quais podem tornar o Fed mais ou menos paciente.

No lado doméstico, apesar da crise política deflagrada com mais intensidade após a divulgação da lista de políticos a serem investigados no âmbito da Operação Lava Jato, o governo conseguiu nos últimos dias conquistar mais apoio à aprovação das medidas provisórias do ajuste fiscal desde que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, passou a negociar diretamente com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros.

Além disso, o governo conseguiu uma vitória ao nomear dois aliados para relatores das MPs do ajuste: MP 664, sobre o pagamento do auxílio-doença e pensão por morte, terá como relator o líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PE). Já para a relatoria da MP 665, a que trata do seguro-desemprego, foi escolhido o senador Paulo Rocha (PT-PA).

Assim, a duração do recuo do dólar frente ao real dependerá de uma melhora na crise política e no apoio ao ajuste fiscal, da posição do BC em relação ao seu programa de swap cambial e também de o Fed seguir paciente sobre o início do seu ciclo de aperto monetário.

Dólar X Real: ainda vale a pena viajar para comprar nos Estados Unidos?

Com a moeda norte-americana batendo a casa dos R$ 3,4, pesquisar é a palavra de ordem. Perfumes e eletrônicos já não saem tão mais em conta assim na terra do Tio Sam.

Os Estados Unidos sempre foram o destino perfeito para compras. Queridinho dos brasileiros, o país é abundante em lojas de departamento, multimarcas, outlets, grifes e até brechós. De acordo com o Departamento de Comércio, o Brasil é o terceiro país que mais gasta em solo norte-americano, atrás de Reino Unido e Japão. Dados de 2013 revelam que nada menos que U$ 10,5 bilhões foram gastos na terra do Tio Sam. Com a alta do dólar neste início de 2015, será que esse consumo seguirá intocado? "Acabou a farra", ao menos é o que decreta o economista Marcelo Barros. "Quando o dólar custava em torno de R$ 2,3, toda compra parecia ser vantajosa nos EUA. Agora, chegando aos quase R$ 3,4, é preciso pesquisar. Nem tudo vale a pena".

Segundo o especialista, viajar para comprar roupa segue em alta. "No quesito vestuário, os valores no Brasil são incrivelmente mais caros". Já no rol dos eletrônicos, a situação muda de figura. "Os preços de computadores e celulares precisam ser comparados. Às vezes, um produto até pode ser mais em conta no exterior, mas lá não é possível parcelar. O turista precisa se perguntar se é melhor pagar menos de uma vez só ou pagar mais dividindo em inúmeras parcelas", questiona. É o caso do iPhone 6, lançamento coqueluche da gigante Apple. No site da empresa, um aparelho desbloqueado, com 16gb de memória, sairia a U$ 649. Convertando para o real, custaria algo em torno de R$ 2,2 mil à vista, sem considerar as taxas. Na loja iTown do Shopping RioMar, o mesmo aparelho sai a R$ 3,5 mil. Mas divide em 10x sem juros.

Entrando na seara da perfumaria, a alta do dólar influenciou bastante o mercado. Tomemos como exemplo um frasco de 100 ml do J'Adore Dior Eau de Parfum. Na versão gringa do site da Sephora, o item vale U$ 120, ou algo em torno de R$ 400, sem taxas. "Vendemos o mesmíssimo modelo em loja por R$ 459, dividindo em até dez parcelas e sem cobrar juros", comenta André Silva, gerente regional da Top Internacional, presente em três regiões e cinco capitais brasileiras. Ele garante, no entanto, que ainda não pode afirmar se houve aumento no número de vendas. "Ainda não podemos dizer que o mês de fevereiro deste ano foi significativamente melhor que o do ano passado, até porque o carnaval veio mais cedo em 2015. Mas vamos acompanhar".

Em tempo, o dólar abriu a semana de 23 de março em leve queda. Na Labor Câmbio, a moeda está sendo vendida a R$ 3,38. Tanto na Europa Câmbio, como na Premier Câmbio, a R$ 3,33. Já na Recife Câmbio, fechou a R$ 3,32. Proprietário desta última casa, Pedro Pragana atenta para o fato de que a alta do dólar vem beneficiando o euro, vendido hoje a R$ 3,60. "Dependendo do objetivo da viagem, está valendo mais a pena se programar pra ir a Europa, onde o foco não são as compras". Se o sonho for mesmo Nova York ou Flórida, dois dos principais estados norte-americanos voltados às compras, Marcelo Barros tem duas dicas para dar: levar dinheiro em espécie, porque o cartão de crédito tem hoje uma taxa de IOF de mais de 6%, o que inflaciona o valor final, e fazer uso de cupons de desconto distribuídos nos outlets, uma prática comum nos EUA.

União entre Rússia e América Latina reduzirá dependência do dólar
As tentativas dos EUA de restringir o desenvolvimento econômico da Rússia e dos países da América Latina só incentivam esses países a construir alianças nas esferas comercial e técnico-científica.

Segundo ele, essa união pode levar à formação de uma "ordem mundial verdadeiramente multipolar" e, em longo prazo – à redução da importância do dólar na economia global.

Por causa da queda do volume de negócios entre a Rússia e a União Europeia, a América Latina, de acordo com o autor, serve como um mercado substituto e, ao mesmo tempo atrai investimentos em alta tecnologia. Ele observa que a União Euroasiática (Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão) ultrapassa seus limites continentais e cria uma zona de comércio livre com a China, o Egito e o mercado comum da América do Sul (Mercosul), que compreende Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

“As relações estratégicas têm dois propósitos principais. Em primeiro lugar, reduzir a presença dos Estados Unidos e da União Europeia no comércio e nos fluxos de investimento extraregionais. E, em segundo lugar, acelerar a desdolarização global através da utilização das moedas nacionais como meio de pagamento”, disse o economista.


Dólar a 3 reais veio para ficar e muda rotina e planos dos brasileiros

Diante de um cenário de disputas políticas e de incertezas econômicas no Brasil, o dólar ultrapassou a barreira dos três reais na semana passada e a tendência é que permaneça em alta até pelo menos o final do ano, segundo especialistas. Além das preocupações domésticas, a valorização da moeda norte-americana também é fortemente influenciada por fatores externos, como a provável elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos. A estimativa é que a moeda chegue ao fim do ano cotada a 3,05 reais, uma valorização de 19% em relação a dezembro do ano passado.

“O Brasil vive um momento bastante turbulento. Além dos escândalos da Petrobras e o rebaixamento da nota da estatal (pela agência Moodys), há dúvidas sobre o ajuste fiscal depois que o Congresso devolveu ao Governo a medida provisória que listava decisões necessárias, criando uma instabilidade maior ainda sobre o real”, afirma Bruno Lavari, economista da Tendências Consultoria.

O especialista explica que outro motivo interno que contribui para a alta do dólar frente ao real é a redução do grau de intervenção do Governo brasileiro no câmbio. “Nos últimos dois anos, o Banco Central estava oferecendo swaps cambiais [contratos com troca de indexador] para atenuar a volatilidade da moeda norte-americana. E, agora, já sinaliza uma redução nessa intervenção, permitindo que o dólar flutue e suba”, afirma.

A mudança de comportamento do câmbio já afeta a vida prática de brasileiros como a pedagoga Cynthia Saguie, que tinha planos de levar a filha para conhecer a Europa nas férias de julho, mas o dólar caro fez com que mudasse seus planos. “O câmbio está muito alto e eu não sei como ficarão as coisas no Brasil enquanto eu estiver fora”, diz ela, que começou a pesquisar roteiros nacionais, e adiou para o ano que vem a viagem ao exterior.

Lá fora, a valorização do dólar em relação a várias moedas estrangeiras teve um grande impacto após a divulgação de dados que mostram a recuperação da economia dos Estados Unidos, como por exemplo a taxa de emprego favorável. Na semana passada, o desemprego americano ficou em 5,5%, a menor taxa desde 2008. De acordo com Mauro Rochlin, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, os resultados foram melhores do que o esperado.

“Como os títulos do dólar ficaram mais atrativos, os americanos querem comprar mais, aumentam a demanda deles e jogam o preço lá pra cima, impactando o câmbio no Brasil”, afirma. O economista explica que esse aquecimento da economia reforça as perspectivas que o Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) aumente os juros do país. “Isso reduz o fluxo de capital para países como o Brasil, depreciando o real”, completa Rochlin.

O crescimento da maior economia do mundo também afeta o euro, que atingiu seu menor valor em 12 anos frente ao dólar nesta semana. A moeda chegou a ser negociada a 1,0693 dólares, a menor cotação desde abril de 2003. Lavari, da Tendências, ressalta que a desvalorização da moeda europeia também sofre uma forte influência de fatores domésticos. “Para impulsionar a economia de vários países da União Europeia e a taxa de emprego, o Banco Central Europeu (BCE) está injetando muito dinheiro no mercado, gerando uma depreciação da moeda”, explica.

O BCE começou a realizar compras de dívidas no dia 9 de março. A instituição investirá 60 bilhões de euros (197,8 bilhões de reais) por mês na aquisição de ativos públicos e privados pelo menos até finais de setembro de 2016.

O especialista alerta, no entanto, que a desvalorização do euro ainda é muito menor que a do real. “E o euro ainda é mais caro de comprar que o dólar. Ainda é cedo para dizer que no futuro será mais barato viajar para Europa que para os Estados Unidos, por exemplo”, afirma.

A escalada da moeda norte-americana frente ao real, que já acumula alta de mais de 17% desde o início do ano, pode ser considerada positiva para as exportações e para a balança comercial. Em contrapartida, pesará no bolso do consumidor no longo prazo, com o aumento de alguns produtos, da inflação e das viagens internacionais. Os gastos no exterior, que no ano passado chegaram a cifra recorde de 25,6 bilhões de dólares, também podem cair.

"É provável que a desvalorização do real provoque a redução do consumo dos brasileiros no exterior, que deve ser redirecionada para uma demanda interna", explica Reginaldo Nogueira, professor de economia do Ibmec. Ele explica, no entanto, que essa mudança será observada apenas nos próximos meses. "Grande parte das decisões já foram tomadas antes, o ajuste não vai ser imediato. Mas, certamente, os gastos de brasileiros no exterior não devem chegar aos 25 bilhões de dólares, como no passado", afirma.

Já os exportadores vão sempre ganhar com qualquer alta da moeda norte-americana, explica Rochlin. "Ainda que eles não consigam traduzir, neste momento, esse aumento em mais vendas. As relações comerciais são armadas de maneiras mais complexas e as mudanças vão demandar tempo”, afirma Mauro Rochlin.

Ainda de acordo com o professor da FGV, a valorização do dólar também ajudará no ajuste na balança comercial. “Mas acredito que o equilíbrio da balança será mais influenciado pela queda de importação [que ficam mais caras com o câmbio alto] do que pelo aumento das exportações”, conclui.

Para Bruno Lavari, da Tendências, todos os produtos comercializados e que chegam para os consumidores devem ser influenciados, mas não há curto prazo. “Essa volatilidade ainda não está afetando diretamente as importações e exportações. Como a economia doméstica está fraca, o repasse do preço ainda está integral, parte dessa alta foi comida na margem de lucro dos varejistas, por exemplo, e ainda não chegou integramente ao consumidor”, explica.


Quem ganha e quem perde com a valorização do dólar?

A valorização do dólar na segunda metade de 2014 vinha atraindo muito menos atenção do que a queda do preço do petróleo. Um dos motivos foi que o colapso da cotação do brent foi muito mais notório (de 115 dólares a 58 dólares, quase 50% a menos de julho a dezembro) do que a desvalorização do euro frente ao dólar (de 1,40 dólares por euro a 1,25 dólares por euro, 10% menos), a referência na qual as análises costumam se concentrar. A zona do euro, outra vez estancada, era também um foco de preocupação. E a moderada perda do valor do euro representava um certo alívio. Mas no caso de várias moedas emergentes, a desvalorização foi abrupta e descontrolada, como ocorreu com a Rússia.

A cotação das matérias-primas, e particularmente do petróleo, costuma ir no sentido contrário à do dólar, a moeda usada nesse tipo de transação. Se o movimento é simétrico, o efeito para os exportadores e importadores de petróleo, em suas moedas de origem, é neutro. Mas se o movimento não é simétrico, a situação se complica: há muitos outros fatores que incidem no mercado de divisas, como também há muitas consequências acarretadas. Além disso, trata-se de um gigante financeiro – o maior mercado descentralizado do mundo, com uma negociação diária superior a 4 trilhões de euros -, no qual grandes investidores internacionais tentam, de vez em quando, conduzir a manada e provocar debandadas rentáveis. E a fragilidade de algumas economias emergentes dá razão.

O retrato padrão das economias mais vulneráveis inclui países exportadores de petróleo – ou outras matérias-primas -, e muito dependentes de seus rendimentos externos, com altos níveis de inflação, dívida externa em ascensão e crescimento estancado ou em retrocesso. Os organismo internacionais incluem nessa lista países que não aproveitaram o período de bonança do alto preço das commodities para fazer reformas estruturais em sua economia. A Rússia, que também está lidando com o custo do conflito com a Ucrânia, a Venezuela, a Argentina e o Brasil são alguns dos principais prejudicados. Mas a provação também se estendeu a boa parte dos emergentes: a lira turca e a rúpia indonésia também estão em níveis mínimos frente ao dólar, e as divisas do Leste Europeu também estão caindo com o recuo do rublo.

A depreciação de todas essas moedas tem um efeito favorável nas exportações, ao torná-las mais baratas em relação ao dólar, mas no caso das vendas de petróleo esse efeito é contrabalançado pela súbita perda de valor desse produto. Pelo contrário, as importações encarecem, o que tem um claro efeito inflacionário. Mas as implicações financeiras podem acabar sendo mais determinantes: a dívida externa em dólares aumenta, o que multiplica o risco de moratórias, públicas ou privadas, e muitos investidores saem do país diante da perda de rentabilidade em seus negócios.

Nos últimos anos, a depreciação do euro foi pedida insistentemente por vários países europeus, que viam a moeda única se manter em níveis elevados apesar da fragilidade de suas economias. A paulatina perda de valor se produziu no fim deste ano, conforme as estratégias dos bancos centrais de ambos os blocos se cruzam: enquanto o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas a 0% e prepara uma compra em massa de ativos nos mercados para reativar os preços, o Federal Reserve (banco central norte-americano) fechou seu programa de aquisição de bônus diante da melhora da economia norte-americana, e os analistas já farejam quando será a primeira alta de taxas.

Alguns analistas, como os do Goldman Sachs, acreditam que a depreciação do euro se prolongará por pelo menos dois anos, e que a moeda europeia pode começar 2017 em paridade com o dólar, algo que não ocorria desde o início da zona do euro. A consequência mais óbvia é o impulso às exportações de mercadorias, que se tornaram mais baratas em relação ao dólar. Além disso, a contrapartida – importações mais caras e mais inflação – também é positiva neste caso, quando o risco é entrar em deflação.

Um recente relatório da Comissão Europeia conclui ainda que a Itália e a França, duas grandes economias em apuros, as que mais se beneficiarão de uma depreciação sustentada do euro, ao resultar em um maior aumento de suas exportações. No caso alemão, suas vendas industriais ao exterior estão mais integradas em cadeias globais de valor adicionado, e seus lucros dependem de o aumento das exportações superar o aumento do custo das importações que são reutilizadas nas exportações.

No caso da Espanha, o Governo sugeriu que sua previsão para o crescimento em 2015, de 2%, será superada. E alguns analistas independentes, como os da Fundación Caja de Ahorros e do Instituto de Estudos Econômicos espalho, situam essa cifra em 2,5%. Há meses, especulava-se uma revisão para baixo do prognóstico oficial – de fato, o FMI, a Comissão Europeia e a OCDE limitam o crescimento a 1,7% -, mas a queda do petróleo e a desvalorização do euro modificaram as estimativas.

O Ministério da Economia da Espanha calcula que a baixa do euro pode somar 0,4 pontos ao crescimento do PIB se a queda de 10%, já registrada, se mantiver. O serviço de análises do banco BBVA estende esse cálculo a 0,5 pontos.


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