terça-feira, 10 de março de 2015

Cabo Daciolo, o Reacionário

Deputado pelo PSOL, mas com "teorias" do PP, PSC e PR. Eleito deputado federal pelo partido, o Cabo Daciolo diz que Brasil vive ditadura, coloca Deus à frente do mandato e defende um militar para ministro da Defesa.

Um vídeo de pouco mais de três minutos divulgado no Facebook pegou de surpresa o PSOL na última semana. Eleito deputado federal pelo partido, o Cabo Daciolo (Psol-RJ) declarou na rede social que o Brasil vive uma “falsa democracia”, defendeu a indicação de um general para o Ministério da Defesa e ainda relacionou os índices de violência com o “baixo” número de militares no País. Antes mesmo de assumir o cargo, o militar dá sinais de que, apesar de ter liderado uma greve dos bombeiros no Rio de Janeiro, não é tão progressista como o partido pensava.

No vídeo, Cabo Daciolo diz que o Brasil precisa de “união” com os militares para ser uma “grande potência”. “Não sou a favor da ditadura, nem da falsa democracia que estamos vivendo. E acredito que a união do militar com a população faz do nosso País uma grande potência. Eu acredito na soberania do nosso País. Hoje nós temos o Ministério da Defesa. O senhor Celso Amorim é o ministro. E particularmente eu acho inadmissível que o cargo não seja de um oficial general, no último grau da hierarquia das Forças Armadas, podendo ser do Exército, da Marina ou da Aeronáutica”, diz.

O deputado federal Chico Alencar, que também é do Psol do Rio de Janeiro, admitiu que o episódio “chocou” as lideranças do partido. “Essas declarações, que evidentemente não têm a mínima identificação com o Psol, nos surpreenderam”, afirmou antes de criticar o discurso do colega. “Além de ter essa visão extremamente reacionária, atrasada, é um pouco prepotente. Ele convoca militares para discutir a importância de um oficial-general para chefiar o Ministério da Defesa. Ele está distante até das democracias liberais modernas”, complementou.

Essa não foi a primeira demonstração ideológica do militar que pareceu “preocupante” para a legenda. Em alguns vídeos, o Cabo Daciolo também demonstra costumes que “beiram o fundamentalismo religioso”, como classifica o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). Em uma das imagens, o bombeiro diz que seu mandato é de Deus. “Acredito em um Deus vivo. Esse mandato é ele [Deus] que está à frente, nos guiando. Ele é o Deus do impossível”, profetiza.

O momento mais “constrangedor”, segundo os socialistas, foi na segunda-feira 15, quando os deputados eleitos foram diplomados na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O Cabo Daciolo participou do protesto da bancada do partido em repúdio à violência contra a mulher. A manifestação tinha como pano de fundo as declarações polêmicas de Jair Bolsonaro (PP-RJ). O deputado afirmou que não estupraria Maria do Rosário (PT-RS) porque “ela não merecia”. Mas, após o ato, o Cabo Daciolo foi “tietar” justamente Bolsonaro e seu filho, alvos da ação, e ainda tirou uma foto com os parlamentares.

“Me chocou o vídeo do Daciolo. Achei que é uma pessoa que não está bem situada politicamente, afinal de contas ele está no Psol”, afirmou Jean Wyllys, que costuma fazer frente justamente a Bolsonaro na Câmara. “Eu já tinha visto um vídeo dele exageradamente religioso. Falando que vai estar a serviço de Jesus, quase beirando um fundamentalismo religioso. Esse vídeo já tinha me deixado um pouco constrangido”, explica o deputado.

A aproximação de Cabo Daciolo com o partido se deu após o militar liderar a greve dos bombeiros no Rio de Janeiro, em 2011. Na ocasião, ele comandou a invasão do Quartel General da corporação e o acampamento nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Mas como o Psol não percebeu que, ainda que tenha despontado como liderança de um movimento grevista, o cabo pudesse ser conservador em outros assuntos? “Ele se filiou próximo do período eleitoral. Nas conversas preliminares que tivemos ele pareceu ter uma postura progressista. Foi muito aberto, afável, disposto a ouvir. Como nós apoiamos muito esse movimento [grevista], sempre tivemos diálogo [com ele]”, minimiza Chico Alencar.

A reportagem tentou entrevistar o Cabo Daciolo para entender por que ele escolheu o PSOL e se não via problema em ter uma conduta destoante do partido. O militar chegou a atender uma das ligações, mas pediu que CartaCapital retornasse em outro horário. E não respondeu novamente. O militar parece não estar disposto, no entanto, a seguir as orientações do partido. Na noite desta quinta-feira 18, o bombeiro usou o Facebook para dizer que não tem obrigação de entoar ideais do próprio partido. Ele também disse que o pedido de cassação do mandato de Jair Bolsonaro, encampado pelo Psol e outros três partidos, é "eleitoreiro".

"Me reservo o direito de não trazer para minha ação política o debate que hoje mobiliza setores do meu partido, o Psol e o deputado Jair Bolsonaro. Não fui chamado pelo Psol e por nenhum outro setor a debater e preparar campanha pela cassação do mandato do deputado Bolsonaro. Se isso tivesse ocorrido, mesmo achando as posições deste erradas, não concordaria. Acho a tática equivocada, inclusive eleitoreira", criticou.

Com a polêmica, o partido deve se reunir para cobrar explicações do deputado federal ou orientá-lo. “Vamos conversar com ele e lembrá-lo que na sua nova função pública ele expressa a visão do partido. Ele não se elegeu sozinho”, avisa Alencar.

Agora, o risco é que o militar acabe se aproximando de setores que sempre foram opostos ao Psol no Congresso, como a Bancada da Bala ou a Bancada Evangélica. Caso isso aconteça a legenda indica que poderia reivindicar o mandato na Justiça. “Eu não gosto de fazer futurologia. É evidente que nenhum membro da bancada do Psol pode ser da Bancada da Bala, ou da Bancada do Agronegócio, ou da Bancada da Bola. A nossa identidade é exatamente não estar atrelada a nenhuma corporação dessas”, rebate o deputado Chico Alencar.

Desde que foi eleito deputado federal o cabo Daciolo já tirou foto com o Bolsonaro, defendeu um militar no Ministério da Defesa e agora apresentou proposta de emenda constitucional para "alterar a redação do parágrafo único do artigo 1° e afirmar que todo o poder emana de Deus, que o exerce de forma direta e também por meio do povo e de seus representantes."

Isso tudo é absolutamente contra o programa e a linha política do PSOL que defende o estado laico e a desmilitarização da sociedade. A permanência do cabo Daciolo no PSOL é uma contradição insolúvel e a Direção Nacional precisa afastar imediatamente o deputado. Entretanto, acho que os eleitores do cabo não podem ser penalizados e ele deve permanecer com o mandato. Eu não compactuo com nenhuma violação da laicidade do estado e apresentei, em maio de 2014, um projeto de resolução que altera o texto de abertura das sessões da Câmara Municipal.

Atualmente o presidente da sessão diz "Invocando a deus pela grandez da pátria e a paz entre os homens, dou por aberta a sessão". Com a nossa proposta o presidente, ao abrir a sessão, pronunciará o seguinte: ‘Em busca da cidadania e da dignidade da pessoa humana, dou por aberta a sessão'. O projeto ainda está em tramitação e ainda não foi votado na Câmara Municipal.

Este cidadão é mais um que apela à todos os 'santos' para ter um mandato eletivo, seja em qualquer instância, ou seja, a sua visão do que é, para que é, por que é partido político não existe. Partido político é só o meio de ascensão. Sua ideologia, suas diretrizes, seu estatuto são meras peças de museus. Servem apenas para tirar fotografias e 'pregar' que existem. Acham que o mandato é fruto do eu e do meu eu, o partido, ora o partido, às favas!

Desesperador é ter que ver isso (religião) na política. Se nosso país não fizer urgentemente uma discussão sobre religião na política, acabaremos logo, logo a nos tornarmos uma Evangeolândia. Por mais que esteja escrito na constituição a laicidade de nossas leis, essa cambada de gente atrasada, utilizam de todas as maneiras de incluírem religião na vida política brasileira. Meu caro pseudo (arautos de teolândia não é nome), se você acha que meter religião no meio de política não é atraso, mude correndo para o Oriente Médio, lá você vai se sentir no paraíso. Em tempo, compre burkas para sua mulher, ela vai precisar.

Eu não sei o que me assusta mais, uma pessoa utilizar-se descaradamente da popularidade ascendente de um partido só para subir alguns degraus na política ignorando totalmente o ideal ao qual se filiou; ou algumas pessoas não verem problema na atitude dele, que é normal uma coisa dessa e que o PSOL está errado em cobrar do deputado o cumprimento do compromisso que ele prestou no momento de sua filiação.
Galera... ninguém é obrigado a se filiar a partido nenhum, ai está a LIBERDADE da democracia. Mas, a partir do momento que vc se filia a um partido vc se vincula à ideologia dele, às suas ideias.

É normal, por exemplo, eu me filiar ao Partido Verde - PV, me eleger por conta do "investimento" que o partido fez na minha candidatura e depois defender o desmatamento na amazônia em favor do desenvolvimento do agronegócio?

Pelos céus, tenham coerência no raciocínio lógico que a maior caixa craniana da natureza deu a humanidade!

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