segunda-feira, 30 de março de 2015

A base movediça da presidenta

A perda de rumo do governo afetou a bússola dos partidos. Desde o mensalão que as bancadas partidárias na Câmara dos Deputados não mostram tanta falta de coesão interna. Sem o magnetismo do Executivo, os parlamentares perderam seu Norte e vagam a esmo nas votações. Há deputados do mesmo partido com taxas de governismo tão díspares quanto 29% e 100%. Mais do que nunca, a chamada base governista virou base movediça.

Que, no Brasil, quase todos os partidos se norteiam pelo governo e não por uma ideologia, os cientistas políticos já estão cansados de dizer, escrever e provar. Ao votar qualquer coisa, a maioria dos deputados toma uma decisão binária, a favor ou contra o governante da vez. A origem desse comportamento vem da questão que depurou o homo politicus desde Platão: ele ganha ou perde, naquele momento, apoiando quem dá as cartas e verbas?

Esse cálculo varia ao longo do tempo. Raros deputados mantêm uma fidelidade canina ao governo ou, o contrário, sempre votam para contrariá-lo.

A regra é oscilar ao sabor da opinião pública, da distribuição de cargos e de recursos para suas emendas ao Orçamento, além de dezenas de outras variáveis. Quando o governo sabe o que faz, essa oscilação ocorre em bloco, com a maioria dos deputados seguindo a orientação do líder do seu partido.

Além de respeitar seu instinto de sobrevivência, comportar-se assim é muito mais fácil. Poupa o de estudar o mérito do que está votando, de pesar argumentos e ouvir o outro lado. Contra ou a favor, e pronto. Está liberado para ir jantar no Piantella ou pegar o voo para casa, porque até que enfim é quinta-feira.

As exceções que confirmam a regra são as votações que contrariam a opinião de quem elegeu ou financiou o deputado. Um evangélico não vai arriscar-se a apoiar o governo em uma bola dividida sobre aborto. Assim como tem deputado que não vai bater de frente com os interesses de mineradoras e construtoras.

Esse arranjo de forças valeu até o ano passado. Desde que a Lava Jato começou a encher carceragens com poderosos, houve uma revolução na física partidária. A força gravitacional exercida pelo governo diminuiu tanto que, desde então, o cálculo sobre a conveniência de apoiar ou não Dilma Rousseff complicou-se.

Não está claro para os deputados se eles ganham ou perdem ao seguir a orientação do líder do governo, ou mesmo do seu partido.

Tome-se o PP, por exemplo. Era tão governista que tinha direito até a diretoria na Petrobrás (ou tinha diretoria na Petrobrás e era muito governista, você decide). Até o começo de 2014, mais de 80% dos votos do partido seguiam a orientação do governo. Vieram as ordens de prisão do juiz Moro, as delações e a taxa de governismo do PP despencou abaixo de 60%. Ficou mais perto da taxa do PSDB (45%) do que da do PT (87%).

Ao mesmo tempo, a coesão interna da bancada do PP foi para o espaço. Houve votações este ano em que 21 deputados do partido votaram de um jeito (a favor do governo) e 15 votaram de outro como na apreciação da chamada lei dos caminhoneiros. Ou ao contrário. Na votação do orçamento impositivo, sua bancada dividiu-se novamente em 21 a 15, dessa vez contra o governo.

O mesmo fenômeno de desagregação repete-se com maior ou menor intensidade em quase todos os partidos da suposta base governista.

É mais grave no PTB e no PP, mas também ocorre no PSD, no PROS, do PMDB e no PDT.

As únicas das maiores agremiações que conseguem manter-se coesas são as que estão nas extremidades do espectro político. Os deputados do PT e PC do B de um lado, e do PSDB e DEM têm se comportado em bloco na maioria das votações, uns a favor e os outros contra o governo, mas juntos nas diferenças.

Quanto maior a desagregação partidária, mais difícil o governo aprovar o que precisa. É tentador, nessas circunstâncias, operar no varejo e cooptar voto a voto. No passado, deu no que deu.

Qual a diferença entre comunismo e socialismo? Existiu algum país realmente comunista?
As expressões "comunismo" e "socialismo" recebem significados nem sempre muito precisos. Numa explicação bem resumida, daria para dizer que, segundo a teoria marxista (veja quadro ao lado), o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado. "No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuição dos bens em sistema de igualdade e cooperação. Esse processo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção", diz a historiadora Cristina Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Mas essas duas expressões também pode assumir outros significados. "Pode-se entender o socialismo, num sentido mais limitado, significando as correntes de pensamento que se opõem ao comunismo por defenderem a democracia. Em contraposição, o comunismo serviria de modelo para a construção de regimes autoritários", afirma o historiador Alexandre Hecker, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Assis (SP). Os especialistas são quase unânimes em afirmar que nunca houve um país comunista de fato. Alguns estudiosos vão mais longe e questionam até mesmo a existência de nações socialistas. "Os países ditos comunistas, como Cuba e China, são assim chamados por se inspirarem nas idéias marxistas.

Contudo, para seus críticos de esquerda, esses países sequer poderiam ser chamados de socialistas, por terem Estados fortes, nos quais uma burocracia ligada a um partido único exerce o poder em nome dos trabalhadores", diz o sociólogo Marcelo Ridenti, também da Unicamp. Logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), formou-se na Europa, sob liderança da União Soviética, um bloco de nações chamadas de comunistas. "Esses países tornaram-se ditaduras, promovendo perseguições contra dissidentes. A sociedade comunista, justa e harmônica, concebida por Marx, não foi alcançada", afirma Cristina.

Obras revolucionáriasTrês trabalhos de Karl Marx são a base para entender esses sistemas políticos
O sociólogo, historiador e economista alemão Karl Heinrich Marx (1818-1883) foi o principal pensador do marxismo, movimento filosófico e político nomeado em sua homenagem. Junto com Friedrich Engels (1820-1895), Marx detalhou sua teoria política e previu o colapso do sistema capitalista (baseado na propriedade privada) em três obras principais:

Manifesto Comunista: Escrito entre 1847 e 1848, esse famoso manifesto defendia a idéia de que a história de todas as sociedades existentes até então era a história da luta entre as diferentes classes sociais

Esboços da Crítica da Economia Política: Manuscrito preparado por Marx e Engels, entre 1857 e 1858, que discutia questões como a propriedade agrária e o mercado mundial.

O Capital: No primeiro volume, lançado em 1867, Marx e Engels analisavam o modo capitalista de produção. Marx trabalharia até morrer nos dois volumes seguintes, mas eles só seriam publicados por Engels em 1885 e 1894.


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