quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ricos demais para a cadeia?

Um escandaloso vazamento de documentos mostrou que brasileiros super ricos escondem quase R$20 bilhões em 8 mil contas secretas – e possivelmente ilegais – na filial suíça do banco HSBC. Vamos agir rápido e garantir que eles não escapem da justiça.

O governo brasileiro sabe quem está na lista de clientes e disse que está investigando, mas até agora não houve ação real para agilizar a investigação e punir os sonegadores e os banqueiros corruptos. Outros governos já estão agindo, mas cadê o Brasil?

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, pode agir sobre o caso, mas para isso ele precisa ouvir de centenas de milhares: ninguém é rico demais para não ser preso! Quando atingirmos massa crítica, organizaremos ações para pressionar a Receita e outras autoridades relevantes a fazerem seu trabalho e investigarem o caso antes que tudo acabe em pizza:

https://secure.avaaz.org/po/hsbc_tax_scandal_loc_br/?bgQRFeb&v=53740

A história sobre o vazamento das informações analisadas pela equipe internacional de jornalistas parece até que saiu da novela das 8. Os bancos suíços liberavam grandes maços de dinheiro vivo e davam conselhos aos seus clientes sobre como esconder seus bens do governo. Na lista, contas secretas de traficantes de armas, vendedores de diamantes de sangue, políticos e suspeitos de crimes procurados pela Interpol.

Os investigadores descobriram que os clientes brasileiros estão entre os 4 maiores usuários dessas contas duvidosas e que 70% deles usavam contas numeradas sem identificação, um método famoso para guardar dinheiro de origem duvidosa. O que eles têm a esconder?

Um país onde os super ricos seguem regras diferentes não é uma democracia, e sim uma cleptocracia. E em um país tão apodrecido pela corrupção, onde mais de R$400 bilhões em impostos são sonegados anualmente, este escândalo é como um balde de água fria em todos os esforços de se combater a corrupção. Felizmente para nós, o Secretário da Receita Federal acabou de ser nomeado e não está tão acostumado à pressão popular. Um apelo cidadão maciço direto para seu gabinete pode manter esse caso nas capas dos jornais e mantê-lo ocupado procurando os sonegadores e colaborando com outras autoridades para punir os banqueiros.

Outros países já responderam ao escândalo -- investigar com profundidade esse esquema bancário é o mínimo que o novo Secretário da Receita Federal pode fazer para recuperarmos a fé na capacidade do governo de trabalhar para todos os brasileiros, não apenas para os mais ricos e influentes. Assine agora e repasse para todos:

https://secure.avaaz.org/po/hsbc_tax_scandal_loc_br/?bgQRFeb&v=53740

Da Ficha Limpa ao Voto Aberto, os poderosos sempre acharam que o poder popular nunca conseguiria alcançar a mudança social. Mas juntos estamos conseguindo. É hora de acabar com essas contas bancárias secretárias e fazer os sonegadores pagar.






















Conhecido como 'Rei do ônibus', Jacob Barata teria R$ 270 milhões em conta secreta na Suíça


Conhecido como “Rei do Ônibus”, o empresário Jacob Barata teria US$ 95,2 milhões (R$ 270 milhões) numa conta secreta numa agência bancária do HSBC, na Suíça. A informação consta de uma reportagem do site “Maka Angola”, de Angola, como desdobramento do escândalo Swissleaks — revelado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que gerou reportagens em jornais de vários países este mês. Segundo o grupo, o HSBC estaria ajudando seus clientes a ocultar cerca de US$ 180 bilhões, desviados para paraísos fiscais entre 2006 e 2007. O dinheiro seria parte de esquemas de caixa dois e estaria até mesmo financiando o terrorismo em países africanos.

Em nota, Jacob Barata Filho negou que tanto ele quanto o pai tenham contas na Suíça. A reportagem sobre Jacob Barata no “Maka” foi amplamente reproduzida nesta quarta-feira nas edições eletrônicas de jornais portugueses. O site angolano, por sua vez, afirmou ter tido acesso a uma lista de nomes de empresas e pessoas físicas de nacionalidade portuguesa, além de brasileiros com negócios em Portugal, que mantinham as contas secretas.

Editor do site e autor da reportagem, o jornalista angolano Rafael Marques de Morais disse nesta quarta-feira ao GLOBO que ele mesmo localizou o nome de Jacob Barata na lista.

— Os documentos que tenho mostram inclusive o número da conta: 5090111490 — disse Rafael.

A família Barata é uma das maiores operadoras de ônibus no Brasil, com empresas que prestam serviços principalmente em estados do Sudeste e do Nordeste. O grupo também tem interesses em Portugal. Reportagem publicada pelo GLOBO, em agosto de 2013, mostrava que, na época, a família era uma das sócias da Vimeca, que transportava diariamente mais de 140 mil passageiros na Grande Lisboa, o equivalente a 25% da população da capital portuguesa. Os Barata também tinham participação em uma segunda empresa de ônibus, a Scotturb. Essas empresas de ônibus integram uma holding, a I Morey - Empreendimentos Imobiliários e Turísticos Ltda. Além das empresas de ônibus, I Morey controla sete hotéis da Rede Fênix, dos quais três ficam em Lisboa e quatro, no Porto.

Segundo o site angolano, foram identificados 611 clientes ligados a Portugal com depósitos na Suíça que chegam a US$ 969 milhões. A reportagem afirma que apenas o Grupo Espírito Santo — um dos maiores do país — teria depósitos de US$ 350 milhões. As denúncias do site já provocaram reações da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), equivalente à Receita Federal brasileira. Segundo a Agência de Notícias Lusa, a AT já pediu formalmente ao consórcio de jornalistas para que a lista dos contribuintes seja encaminhada ao órgão.



Clientes do Brasil tinham US$ 7 bilhões em 5.549 contas secretas

O conjunto de dados secretos do HSBC contém informações sobre 5.549 contas bancárias secretas de brasileiros (pessoas físicas ou jurídicas) na Suíça. O saldo total máximo registrado para esses correntistas foi de US$ 7 bilhões. Os proprietários dessas contas não fazem comentários.

Este Blog entrou em contato com autoridades brasileiras no final do ano passado. Os dados estão sendo analisados para determinar se há ilegalidade nessas operações bancárias ou se os valores foram declarados à Receita Federal do Brasil.

Apesar de a checagem ser relativamente fácil, as autoridades brasileiras ainda não finalizaram o trabalho.

Na América Latina, nacionais de vários países estão na lista do HSBC. Segundo uma compilação do ICIJ, o saldo total máximo mantido nessas contas secretas de latino-americanos ultrapassa US$ 31 bilhões.

A filial brasileira do HSBC enviou um comunicado ao Blog, mas a resposta foi protocolar, praticamente idêntica à enviada pelo banco ao ICIJ em Washington e em vários países.

Como o HSBC 'ajudou' milionários a sonegar impostos?


O banco britânico HSBC "ajudou" clientes ricos a evitar o pagamento de milhões de dólares em impostos por meio de sua filial na Suíça.

O programa de TV Panorama, da BBC, teve acesso a informações sobre contas de 106 mil clientes em 203 países vazadas em 2007 por um ex-funcionário do banco em Genebra, Herve Falciani.

O HSBC disse ser "responsável por falha de controle no passado" e que clientes se aproveitaram do sigilo bancário para manter contas não declaradas, mas afirmou ter mudado suas práticas e estar colaborando com as autoridades.

"Reconhecemos que os padrões e cultura de diligência no banco privado suíço do HSBC, assim como na indústria como um todo, eram significantemente mais baixos do que hoje", a instituição acrescentou.

O banco agora é alvo de investigações nos Estados Unidos, na França, na Bélgica e na Argentina.

Mas nenhuma medida foi tomada até agora contra o banco no Reino Unido, onde está sua sede.

Manter contas em outros países não é ilegal, mas muitas pessoas as usam para esconder dinheiro das autoridades fiscais de seus países.

E, apesar de existirem formas legais para se pagar menos impostos, é ilegal esconder dinheiro para sonegar impostos.

Segundo as acusações, o banco não somente fez vista grossa para a evasão de impostos como também ajudou ativamente alguns clientes a violarem a lei.

Quando foram introduzidas novas leis na Europa em 2005 obrigando bancos suíços a recolher impostos de contas não declaradas e repassá-los às respectivas autoridades fiscais, o banco escreveu aos clientes oferecendo formas de contornar os tributos.

Em um caso mostrado no Panorama, o HSBC deu a uma família abastada um cartão de crédito internacional para fazer saques de dinheiro não declarados em caixas automáticos no exterior.

O HSBC nega que os donos das contas listadas estavam evadindo impostos, mas autoridades francesas concluíram em 2013 que 99,8% de seus cidadãos na lista vazada provavelmente praticavam evasão fiscal.

Richard Brooks, ex-inspetor fiscal e autor de The Great Tax Robbery, disse: "Acredito que o banco tenha oferecido serviços de evasão fiscal. Eles sabiam muito bem que as pessoas os procuravam para evitar o pagamento de impostos".

As milhares de páginas de dados foram obtidas pelo jornal francês Le Monde. Em uma investigação conjunta, os documentos foram repassados para o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), ao jornal The Guardian, ao Panorama da BBC e a mais de 45 veículos de mídia ao redor do mundo.

Estes documentos incluem dados sobre 5.549 contas secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, com um saldo total US$ 7 bilhões (R$ 19,5 bilhões).

O HM Revenue and Customs, departamento governamental do Reino Unido equivalente à Receita Federal, recebeu os dados em 2010 e identificou 7 mil clientes britânicos que não pagaram impostos. Mas, quase cinco anos depois, apenas um deles foi processado.

Segundo o departamento, cerca de 135 milhões de libras (R$ 540 milhões) foram pagos até o momento em impostos, juros e multas por aqueles que esconderam dinheiro na Suíça.

O executivo que chefiava o banco na época do esquema, Stephen Green, foi nomeado secretário para Comércio e Investimento do Reino Unido oito meses depois de o departamento do governo britânico ter recebido os documentos vazados e ficou nesta função até 2013.

"Por princípio, não comentarei sobre o passado do HSBC", ele disse ao BBC Panorama.

Na Argentina, a Administração Federal de Receitas Públicas (AFIP, na sigla em espanhol) denunciou a filial local do HSBC em novembro de 2014 por supostamente ajudar 4.040 cidadãos do país a evadir impostos.

A informação foi obtida pelo governo argentino por meio de um acordo de colaboração com a França.

O diretor da AFIP, Ricardo Echegaray, disse na época que entre os suspeitos havia "personalidades renomadas", mas não revelou suas identidades.

Entre os supostos beneficiados pela ajuda do HSBC suíço a clientes de mais de 200 países estão políticos, empresários, estrelas do esporte, celebridades, além de criminosos e traficantes, segundo a investigação.

O ICIJ diz que o banco tirou proveito de negociações com "comerciantes de armas..., assistentes de ditadores do Terceiro Mundo, traficantes de diamantes de sangue e outros delinquentes internacionais".

Segundo analistas, as recentes revelações certamente multiplicarão os pedidos por maior controle dos sofisticados esquemas usados por milionários e empresas multinacionais para evadir impostos.
Sonegação de impostos deve passar de R$ 500 bilhões em 2014

Mais de R$ 500 bilhões em impostos devem ser sonegados até o fim do ano. O valor é 20,45% superior aos tributos não pagos em 2013, conforme estimativa do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz). Nesta semana, o seu Sonegômetro atingirá a marca de R$ 400 bilhões, mais do dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do Distrito Federal, que foi de R$ 164 bilhões em 2011, registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O elevado valor deve-se, segundo o Sinprofaz à complexidade do sistema tributário e às brechas aos grandes sonegadores. O presidente do sindicato, Heráclio Carmargo, calcula que 80% dos impostos devidos e não pagos vêm de milhares de devedores de alta renda e grandes empresas. "São pessoas físicas e jurídicas que têm mecanismos para burlar o pagamento, como a lavagem de dinheiro. O resto é dividido entre milhões de contribuintes que, eventualmente, não cumprem toda a legislação", explicou.

Na opinião de Camargo, o governo se acostumou com a sonegação ao longo dos anos. Mesmo sabendo que ela vai ocorrer, o Fisco conta com a tributação embutida na folha de pagamento, nas contribuições sociais e no consumo de bens e serviços. "É lamentável porque onera muito a classe média", reclamou. Ele cobra a estruturação da carreira de procurador da Fazenda Nacional e a criação de uma carreira de apoio, além do preenchimento de 300 cargos. "Cada R$ 1 investido na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) representa R$ 21 retornados aos cofres públicos só na cobrança judicial da dívida ativa na União", ilustrou.

O Sinprofaz agendou para hoje manifestação em frente ao Congresso, dentro de uma campanha de conscientização da sociedade. "Queremos que a opinião pública exija das autoridades e dos candidatos à Presidência, nas redes sociais e nos debates, uma simplificação do sistema tributário e o fortalecimento das cobranças", acrescentou Camargo. "Atualmente, 49% da renda de quem ganha até dois salários mínimos vai para o pagamento de impostos e taxas. É uma realidade que o país precisa mudar", finalizou.

Inverter a excessiva incidência de impostos sobre bens e serviços, repassando a carga tributária a patrimônios e capital financeiro é uma das medidas defendidas por especialistas para combater a sonegação. "Vivemos um modelo regressivo que incide sobre a classe mais baixa. A pessoa desprotegida economicamente acaba pagando mais caro. O ideal seria tributar mais a renda, lucros e patrimônio das pessoas e empresas com rendimentos mais elevados", avaliou o presidente da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febravite), Roberto Kupski.

Sobre o preço da gasolina pago por pobres ou ricos incidem 53,03% em tributos, exemplifica o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O presidente da entidade, João Eloi Olenike, cobra vontade política dos governantes para que seja feita uma reforma tributária. "O Estado se acha no direito de não mudar os tributos porque teme perder receita", protestou.

Lavagem de Dinheiro

É uma expressão que se refere a práticas econômico-financeiras que têm por finalidade dissimular ou esconder a origem ilícita de determinados ativos financeiros ou bens patrimoniais, de forma a que tais ativos aparentem uma origem lícita ou a que, pelo menos, a origem ilícita seja difícil de demonstrar ou provar. É dar fachada de dignidade a dinheiro de origem ilegal.

A expressão inglesa money laundering resulta do fato que o dinheiro adquirido ilegalmente é sujo devendo ser lavado ou branqueado . Uma origem lendária leva a Al Capone que teria comprado em 1928, em Chicago, uma cadeia de lavanderias (laundromats), da marca Sanitary Cleaning Shops. Esta fachada legal ter-lhe-ia permitido fazer depósitos bancários de notas de baixo valor nominal, habituais nas vendas de lavanderia - mas resultantes afinal do comércio de bebidas alcoólicas interdito pela Lei Seca e de outras atividades criminosas como a exploração da prostituição, do jogo e a extorsão.

Ainda que a associação da Máfia ao termo não seja precisa, papel de destaque nos modernos processos de lavagem tem o mafioso Meyer Lansky (nascido Majer Suchowliński em 1904), especialmente quanto ao uso de offshores no processo.

De fato, a expressão "laundering" aparece pela primeira vez no jornal inglês "Guardian" e populariza-se nos anos 1970 quando do Caso Watergate. Um informante, batizado de "Garganta Profunda" (William Mark Felt), aconselhou o repórter Bob Woodward, do Washington Post: "- Siga o dinheiro". O Comitê de Reeleição do então Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, envolvera-se em transações financeiras que direcionavam fundos ilegais de campanha para o México e depois de volta para os Estados Unidos, através de uma companhia em Miami. A história foi contada no filme Todos os Homens do Presidente, com Robert Redford e Dustin Hoffman.

A questão da lavagem de dinheiro como um problema social de caráter internacional surgiu no final dos anos 80 - mais exatamente com a Convenção de Viena em 1988 - e foi rapidamente inserida em variados instrumentos internacionais que exigiram a respectiva criminalização. O impulso inicial foi motivado pelas consequências dos lucros do tráfico de drogas.

Nos anos 1990 surge a tendência de usar essa aproximação para a prevenção e o combate ao crime organizado e particularmente sua associação com a corrupção - política, judicial, policial - enfim, Oficial, que facilite a criminalidade; e, em geral, contra toda a criminalidade que gere lucros. As 40 recomendações é o documento-referência sobre prevenção e combate à lavagem de dinheiro da Financial Action Task Force on Money Laudering - ou Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de Dinheiro (GAFI/FATF)- escritas em 1990, foram revisadas em 1996.

Em 2000, doze grandes bancos privados internacionais criam o The Wolfsberg Group, voltado para o desenvolvimento de melhores práticas na prestação de serviços financeiros, especialmente enfatizando as políticas de conhecer o cliente (Know Your Customer, ou KYC) e desenvolver ações de prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo internacional.

Na sequência dos ataques de 11 de setembro de 2001, passa a ser seriamente considerada a questão correlata do financiamento ao terrorismo.

Dadas suas características específicas, o crime de terrorismo é geralmente tratado, nas convenções internacionais, como assunto correlato à lavagem de dinheiro. Trata-se de uma exceção: no caso do terrorismo, a origem do dinheiro não precisa ser necessariamente ilícita - contrariando a definição clássica de lavagem. Um milionário pode financiar um grupo terrorista usando dinheiro lícito, obtido de seus negócios regulares. Terá, curiosamente, que "lavar dinheiro ao contrário"; ou seja, dar legalidade a um gasto ilegal, e não a um ganho.

Para tratar do terrorismo, foi necessária a edição das Recomendações Especiais sobre Financiamento do Terrorismo. Em junho de 2002, os ministros das Relações Exteriores do G-8 endossaram um conjunto revisado de recomendações sobre combate ao terrorismo que previa um compromisso para a total implementação da Resolução UNSCR 1373, da ONU - sobre repressão aos terroristas e suas atividades - e recomendações especiais para a Força-Tarefa de Ação Financeira (Financial Action Task Force - FATF) sobre o assunto.

Os métodos usados para atingir esta finalidade estão para a imaginação. É muito comum a divisão do processo de lavagem em três fases ou etapas: Colocação, Ocultação e Integração. No processo de Colocação, o dinheiro, geralmente de forma pulverizada, é introduzido no Sistema Financeiro, através de depósitos ou pequenas compras de ativos. Na segunda etapa, a Ocultação, os valores são transferidos sistematicamente entre contas ou entre as aplicações em ativos de maneira a despistar o tráfico e ao mesmo tempo, concentrar os valores, aglutinando-os progressivamente.

Finalmente, na Integração, os valores são introduzidos na economia formal, sob a forma de investimentos - geralmente isso acontece em praças onde outros investimentos já vêm sendo feitos ou estão em crescimento, de forma a confundir-se com a economia formal. Pode-se, com a utilização de doleiros, remeter os valores em espécie para paraísos fiscais e, de lá, trazer os valores de volta, como se fossem investimentos externos - este o caso detectado pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal brasileira: investimentos sistemáticos do exterior em um país de economia emergente.

Pode-se lavar ativos: se o lavador conseguir que pedras preciosas ou obras de arte sejam validados com certificados legais - através da corrupção de agentes públicos ou privados, o dinheiro proveniente dessas vendas não precisará ser lavado, pois sua origem será, supostamente, lícita. Assim, o que foi lavado não foi o dinheiro, mas o ativo original.

O objetivo da lavagem de dinheiro não é o lucro, mas a dissimulação da origem ilícita dos valores, o que pode acarretar custos. Assim, os lavadores podem fazer negócios que seriam considerados "muito ruins" ou "desaconselháveis" pelas regras da Economia e os princípios da Administração. Isso pode acontecer, por exemplo, quando se utiliza da técnica de compra de passivos: empresas endividadas ou falidas são compradas por preços irreais e usadas mais tarde como fachada para novas transações.

É possível fazer a lavagem de dinheiro através de cassinos, utilizando combinações de apostas que se destinam a não perder muito dinheiro, ou quase nenhum, como por exemplo através de apostas que se cancelam mutuamente.

A criminalização da lavagem de dinheiro foi exigida por vários instrumentos de Direito Internacional, com destaque para a Convenção de Viena de 1988, a Convenção Contra o Crime Organizado Transnacional de 2000, e a Convenção Contra a Corrupção de 2003. O Grupo de Ação Financeira Internacional sugeriu a criminalização logo nas suas primeiras recomendações, emitidas em 1990.

Em Portugal, a criminalização foi introduzida por lei de 1993, sob a influência da primeira Directiva comunitária. Em 2004, o crime foi introduzido no Código Penal (Lei n. 11/2004, de 27 de Março, que aditou o artigo 368-A).

Em Macau, a criminalização foi introduzida em 1997 pela chamada lei do crime organizado. A matéria foi reformada em 2006 através da Lei n. 2/2006, de 3 de Abril.

O Brasil assinou a Convenção de Viena e, em março de 1998, aprovou a Lei nº 9.613, que tipifica o crime de lavagem de dinheiro. Em 9 de julho de 2012, foi aprovada a Lei 12.683, que revoga a lista de crimes antecedentes necessários para que haja condenação por lavagem. A partir dessa data, todos os crimes previstos no Código Penal Brasileiro são considerados crimes antecedentes.

A criminalização da lavagem de capitais, de um ponto vista dogmático jurídico-penal, levanta múltiplos problemas, como os seguintes: definição do bem jurídico protegido, elementos objectivos (designadamente, a ligação com o crime precedente), elementos subjectivos (designadamente, a punibilidade do dolo eventual), concurso de normas com o crime precedente, e outros problemas debatidos pela dogmática e pelos tribunais.

Do ponto de vista da acção penal, as principais dificuldades consistem em provar que os bens são de origem ilícita e provar que o agente conhece essa origem.

No Brasil, em julho de 2007, foi inaugurado o primeiro Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro, na capital, Brasília. Mais três Laboratórios serão inaugurados: no Rio de Janeiro, São Paulo e Alagoas. Pretende-se construir uma rede de Laboratórios, interligando dados e facilitando os trabalhos de investigação e montagem de processos. Os laboratórios são unidades-modelo para uso de soluções de análise tecnológica em grandes massas de dados. Também serão usados para difundir estudos sobre melhores práticas e tecnologias nas investigações modernas, de forma a facilitar o trabalho de construção de evidências.

O software de antilavagem de dinheiro (AML, na sigla em inglês) é um tipo de programa de computador usado pelas instituições financeiras para analisar os dados do cliente e detectar operações suspeitas. Antilavagem de sistemas de dados de clientes de filtro, classificá-lo de acordo com o nível de desconfiança e inspecioná-lo para as anomalias. Tais anomalias incluem-se aumento repentino e substancial dos fundos ou a retirada de grande porte. Tanto nos Estados Unidos e Canadá, todas as transações de US $ 10.000 ou mais devem ser comunicados. operações menores que satisfazem determinados critérios pode também ser sinalizado como suspeito. Por exemplo, uma pessoa que quer evitar a detecção, por vezes, depositar uma grande quantia em várias quantias menores dentro de um breve período de tempo. Essa prática, conhecida como "estruturante", conduzirá igualmente a transacções sinalizada. O software bandeiras nomes que foram colocados na lista negra e as transações envolvendo os países que são considerados como hostis ao país anfitrião. Uma vez que o software tem minado dados e sinalizadas transacções suspeitas, ele gera um relatório.
Aspecto importante da AML software
  • Detecção de Atividade Suspeitos
  • Know Your Customer Management (KYC)
  • Atenção / Management & Watch List Verificação de clientes / clientes potenciais
  • Classificação de Risco do Cliente
  • Link Tracing
  • Operação Cash Grande Reportagem
  • Relatório de Regulamentação
  • KPI / KRI Dashboards para Oficiais Chief Compliance
  • AML Online e Lista de Verificação para operações de remessas

Formada em 1989 pelo G-7, o Financial Action Task Force on Money Laundering (GAFI) é um organismo intergovernamental cujo objetivo é desenvolver e promover uma resposta internacional para combater lavagem de dinheiro. Em outubro de 2001, o GAFI expandiu sua missão para incluir o combate ao financiamento do terrorismo. O GAFI é um organismo de decisão política, que reúne peritos jurídicos, financeiras e policiais para conseguir a legislação nacional e AML regulamentares e reformas CFT. É formada por 31 países e territórios e duas organizações regionais. Além disso, o GAFI trabalha em colaboração com vários organismos e organizações internacionais. Estas entidades têm estatuto de observador junto do GAFI, que não dão direito a voto, no entanto permite a plena participação em sessões plenárias e grupos de trabalho.



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