quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Petrobrás: A maior derrota do governo petista

Pela primeira vez, desde 2003, a Petrobras deixará de ser dirigida por um representante do campo político-ideológico que governa o país. O novo presidente da estatal provavelmente sairá dos quadros de seus adversários – leia-se, alguém crítico ao regime de partilha e à política de conteúdo nacional, talvez até favorável à sua privatização.

O profissional indicado, imagina-se, terá que se comprometer junto ao governo de sublimar suas posições pessoais sobre esses assuntos para assumir o cargo. Mas os riscos de retrocesso são evidentes e perigosos.

O PT e a esquerda estão perdendo os principais postos da direção econômica do governo, dando lugar a expoentes do pensamento seguidamente derrotado pelas urnas nesse século. Os brutais erros cometidos pela atual gestão da Petrobras, na tentativa de conter desabrida ofensiva para desidratar a empresa, tornaram inevitáveis mudanças de comando.

Decididas há dois meses, poderiam ter significado, por exemplo, a nomeação do petroleiro Jacques Wagner para sua presidência, com boas chances de estancar a crise e reorganizar a companhia sem dormir com o inimigo. Ficou tarde demais para uma solução caseira e classista.

O governo demorou para reagir, não o fez à altura e sentiu-se obrigado a jogar a toalha, buscando ganhar tempo para reorganizar a casa. A presidente teria o caminho de fechar o capital da companhia e reduzir a capacidade ofensiva das forças privatistas. Seria, no entanto, medida incoerente com a orientação de profundo recuo adotada em seguida às eleições.

Na lógica da estratégia pós-outubro, restou nova capitulação ao mercado. Trata-se da maior derrota do projeto democrático-popular em doze anos. Será árduo o combate para recuperar a empresa sem o país perder sua principal ferramenta de desenvolvimento ou vê-la condicionada por interesses imperialistas.

O modelo de empresas estatais está esgotado. Não há como livrar esse tipo de empresa da ação danosa dos políticos e governos, que usam essas empresas em troca de apoio político no congresso. Não importa qual o partido, qual ideologia ou grupo político que está no governo, isso sempre vai acontecer, fazendo da empresa um covil de incompetentes atrapalhando aqueles que querem trabalhar.

Veja o exemplo da Vale. Não existem empreiteiras pagando propinas à políticos para conseguir contratos, e a empresa só cresceu e se multiplicou desde a privatização. O discurso “patrimônio do povo brasileiro” é falácia! O povo só participa na hora de dividir o prejuízo. E que prejuízo !!!!

A gestão petista conseguiu acabar com a maior empresa estatal, e as companhias de avaliação internacionais deram prazo de ate 30 dias para a empresa apresentar o seu balanço fiscal auditado. Como a Petrobras já está classificada como aplicação de risco nas bolsas de valores, ela pode ter suas ações não mais comercializadas e assim não conseguiria empréstimos e aplicações imprescindíveis para pesquisa e desenvolvimento. E não é só, caso ocorra esta pior hipótese, ela terá que pagar dividendos antecipados e multas astronômicas aos aplicadores fraudados.

O Presidente e a Diretoria de uma empresa do porte e importância como a Petrobras, não podem ser vinculados a partidos políticos. Mas a principal derrota será o processo apressado e portanto falho de tal transição de sua equipe diretora, dada a politização excessiva dessa mudança.

O novo presidente da estatal provavelmente sairá dos quadros de seus adversários – leia-se, alguém crítico ao regime de partilha e à política de conteúdo nacional, talvez até favorável à sua privatização. Adversários, regime de partilha, isso só pode sair da cabeça de um comunista cretino, incompetentes e corruptos, desde quanto uma estatal é "posto de direção", se tivesse sido privatizada estaria muito melhor.

A história bem que poderia ser escrita de outra forma e quem sabe até com final feliz, não fosse a arrogância, a ganância desenfreada (embora pareça redundância a expressão ), além da incompetência e corporativismo (popularmente chamado de formação de quadrilha). Além de lamentar, só nos resta arcar com a nossa parte do dízimo, aqui muitas vezes multiplicado.


Para salientar: O que não estão contando para você sobre a crise mundial do petróleo

Em sua eterna luta para jogar mais sombras onde já não existe luz, a imprensa brasileira está ignorando o fato mais importante do ano na economia mundial: a dramática queda do preço do petróleo.

É um fato que terá impactos brutais no mundo globalizado, mas a mídia nacional prefere centrar seus holofotes na Petrobras, como se se tratasse de um caso único de depressão num ambiente de extrema alegria.

Desde junho, quando atingiu o pico de 115 dólares o barril, o preço do petróleo caiu pela metade. Nesta semana, o barril está sendo vendido na casa dos 60 dólares.

Vários fatores se somaram para que isso acontecesse, mas você pode resumir a explicação na tradicional lei da demanda e da oferta.

A produção de petróleo, hoje, supera amplamente o consumo.

Isso está ligado à crise econômica mundial. Com sua economia se desacelerando, a China consome hoje muito menos petróleo do que fazia. O mesmo ocorre com outra potência, a Alemanha.

Os Estados Unidos, tradicionalmente os maiores importadores, está quase auto-suficiente, graças ao “shale oil” — saudado como uma revolução no campo energético.

Trata-se, essencialmente, da extração de gás e petróleo do xisto, um tipo de rocha.

Reduzida a demanda, era esperado que a OPEP, a organização que congrega os maiores exportadores, baixasse sua produção, para defender o preço. Mas não.

Para surpresa generalizada, a OPEP, numa reunião em novembro, decidiu manter a produção nos mesmos níveis. Foi quando o universo do petróleo entrou em convulsão. Mas por que os produtores tomaram essa decisão?

Especialistas acham que o objetivo maior é matar o “shale oil” americano. A extração é muito mais cara. Caso o barril fique barato, a indústria do “shale oil” tende a se inviabilizar, e esta seria uma excelente notícia para os países da OPEP.

Mas efeitos muito mais imediatos da baixa da cotação estão já sendo sentidos em países como a Rússia, o Irã e a Venezuela. Todos eles dependem visceralmente das exportações de petróleo.

Para o orçamento russo se manter equilibrado, o barril deve estar na faixa dos 100 dólares.

Economistas já preveem uma queda de 5% do PIB russo em 2015. O sofrimento russo deu margem a que fosse ventilada a teoria de que por trás de tudo estariam os Estados Unidos, empenhados em criar problemas para Putin.

Faz sentido? Faz. Ou pode fazer. Mas o custo, para os americanos, é elevado. Sua florescente indústria de “shale oil” pode simplesmente se desintegrar.

E o Brasil, no meio disso tudo? O quadro ainda não é totalmente claro. Há alguns benefícios: apesar de produzir como nunca, o Brasil ainda é um grande consumidor de petróleo.

Isso significa que as despesas de importação se reduzirão substancialmente. É, também, um alívio financeiro para a Petrobras, que subsidia os consumidores brasileiros.

A Petrobras vende a gasolina no Brasil por um preço inferior àquele pelo qual ela compra. O subsídio se destina, primeiro e acima de tudo, a controlar a inflação. A ameaça mais séria, para o Brasil, vem do pré-sal. Como o “shale oil” americano, a extração do pré-sal é mais cara que a convencional.

Alguns estudos sugerem que com o barril a 40 dólares o pré-sal se inviabilizaria. Mas antes disso a vítima seria a indústria americana de óleo alternativo. É razoável supor que o barril não descerá muito além dos 60 dólares.

A OPEP disse que ia esperar uns meses para ver o que ocorria. Um preço muito baixo, por um tempo longo, poderia ser fatal para a OPEP. Assim, é presumível que, em algum momento nos primeiros meses de 2015, a produção seja reduzida para que o preço se recomponha. Enquanto isso, as companhias petrolíferas são ferozmente castigadas. Nos últimos seis meses, as ações da Goodrich Petroleum caíram 86%. As da Oasis Petroleum, 75%.

A Petrobras é um caso entre muitos, e não um caso único, ao contrário do que a imprensa brasileira noticia. Nada na economia mundial, em 2014, foi tão importante quanto o colapso dos preços do petróleo – mas a mídia brasileira, no afã de bater na Petrobras e consequentemente no governo, parece que não percebeu.





























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