quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Beija-Flor: a conquista golpista da mídia e ditadura

Notícia em primeira mão: Próximos enredos da ‪#‎BeijaFlor‬




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=> 2017: Costa e Silva - da ponte ao ato; o sangue na avenida.
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=> 2022: Bush - A Busca das armas de destruição em massa no paraíso da imaginação.
=> 2023: Osama Bin Laden; a ginga do malandro muçulmano.
=> 2024: Stalin e o domínio bélico soviético.
=> 2025: Hong Xiuquan e a arte da guerra na avenida.


Campeã do Carnaval Rio 2015: a escola que exaltou um país onde a maioria da população vive na miséria absoluta e submersa no vírus do HIV. Com 10 milhões dados pelo ditador da Guiné Equatorial, a ‪BeijaFlor‬ se consagra como exemplo do que há de podre por aqui. Sempre metida em falcatruas quando ganha. Ano passado ficou em sétimo lugar, esse ano metade dos jurados foram trocados.

Sempre tecnicamente linda, mas sempre artificial. Sem história, sem uma boa comunidade por trás (só tem Nilópolis no nome) e financiada por um dos maiores bicheiros do Rio.


Terceira maior detentora de títulos do Carnaval do Rio de Janeiro, atrás de Portela e Mangueira. Mas seu samba-enredo deste ano, Um griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial causou polêmica e ganhou o noticiário internacional antes mesmo de a folia ter início.

Figura mitológica tradicional a muitos países africanos, um griô nada mais é do que um contador de histórias, crucial para a tradição oral do continente. Mas para a imprensa brasileira e de outros países, a história por trás do desfile da escola neste ano ainda está muito "mal contada".

O principal problema seria o financiamento, uma soma entre R$ 5 a R$ 10 milhões, que teriam sido doados pelo presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema. No poder há mais de 35 anos, ele é o líder há mais tempo à frente de um país africano e seu currículo, segundo a ONG Anistia Internacional, acumula uma extensa lista de acusações de violações de direitos humanos, desde execuções extrajudiciais, tortura, prisões arbitrárias e repressão violenta a protestos.

De acordo com um ranking da revista Forbes, Obiang seria o oitavo líder mais rico do mundo, com fortuna oficial estimada em US$ 600 milhões (R$ 1,7 bilhão). A população do país, no entanto, é uma das mais pobres da África, e tem acesso a muito pouco da riqueza nacional, originária sobretudo da extração de petróleo.

A nação da África Ocidental, um dos menores países africanos, é composta de duas ilhas e uma parte continental, vizinha a Camarões, e tem população de pouco mais de 700 mil pessoas. Ex-colônia da Espanha, o país integra a lista das 12 nações mais corruptas do mundo, segundo a ONG Transparência Internacional.

Para Mauricio Santoro, cientista político e assessor de direitos humanos da Anistia Internacional, Obiang é praticamente o "estereótipo tradicional" do ditador africano. Chegou ao poder através de um golpe, controla o país com mão de ferro há décadas, reprimindo com extrema violência qualquer tipo de oposição, e sua família ostenta mansões, carros, e um estilo de vida de luxo em diferentes países, com propriedades nos Estados Unidos, França e até no Brasil.

"Ele segue à risca o manual do ditador que expropria os recursos naturais do seu país. A população é extremamente pobre, mas o Estado é rico. Obiang vem há muitos anos ao Carnaval do Rio de Janeiro e tem inclusive um apartamento de luxo na cidade. Ele representa um regime fechado, extremamente violento, que prende jornalistas e mantém todo tipo de violação de direitos humanos imaginável", diz.

Os governos dos Estados Unidos e da França têm processos contra Obiang e seu filho por lavagem de dinheiro e evasão fiscal e, em 2011, a Justiça americana tentou congelar seus bens no país – uma casa em Los Angeles no valor de US$ 30 milhões, um jato particular de US$ 38,5 milhões, uma Ferrari de US$ 500 mil e diversos itens de colecionador do cantor Michael Jackson, avaliados em US$ 2 milhões.

Segundo reportagens da BBC na época, para os EUA o motivo do processo seria a origem do dinheiro, supostamente obtido em esquemas de corrupção e pagamento de propina das indústrias petroleiras do país africano.

Consultada pelo Contemporâneo, a Beija-Flor não confirmou os valores recebidos, e limitou-se a dizer, em nota, que recebeu "apoio cultural e artístico do governo da Guiné Equatorial" e que "visando divulgar a trajetória de seu povo, a Guiné Equatorial disponibilizou todo o aparato histórico para que a comissão de Carnaval da agremiação pudesse pesquisar e ter acesso a diversos aspectos da cultura local".

Para os críticos, a Beija-Flor repete um "equívoco" já cometido em 1973, 1974 e 1975, quando, com os enredos Educação para o desenvolvimento, Brasil ano 2000 e Grande decênio exaltou "grandes feitos" da ditadura militar brasileira, apesar das acusações de tortura e perseguição a opositores.

Em resposta, a escola rejeitou a comparação e ressaltou "melhorias para a população" promovidas pelo governo da Guiné Equatorial.

"Lamentamos a tentativa de relacionar este enredo com outros já apresentados pela Beija-Flor de Nilópolis. O tema tem viés estritamente cultural e não aborda o formato de governo do país. Buscamos enaltecer a arte e a força do povo da Guiné Equatorial. Bem como a transformação dos benefícios das suas riquezas naturais em melhorias para a população", diz a nota enviada à BBC Brasil.

Apesar de 90% da população do país africano falar espanhol, na metade do ano passado Obiang logrou um sonho antigo. Com base na presença dos portugueses no país durante o período histórico de colonização, obteve a entrada da Guiné Equatorial na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), ao lado de Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Para Maurício Santoro, da Anistia Internacional, é uma pena que os dois Estados-membros mais fortes do grupo, Brasil e Portugal, apesar do histórico de ditaduras militares, tenham permitido a entrada do país no bloco e não exerçam maior influência sobre Obiang.

Ele também questiona o financiamento das escolas de samba no Rio de Janeiro.

"É claro que nada disso é novidade. Sabemos do histórico de hipocrisia do Carnaval, onde se tem membros do crime organizado ao lado de políticos nos camarotes. O financiamento das escolas sempre foi um problema, não é algo novo", diz.

Santoro acredita, no entanto, que a atenção internacional dada à polêmica deveria servir como um alerta para a necessidade de maior transparência em grandes eventos sobre os quais o mundo inteiro lança seus holofotes.

"A Anistia Internacional tem monitorado as acusações de exploração do trabalho nos preparativos para a Copa do Mundo no Catar. A Rússia recebeu as Olimpíadas de Inverno sob fortes acusações de violações de direitos humanos. O Brasil precisa atentar para um código de ética, sobre a transparência das empresas que vão financiar as Olimpíadas do Rio, por exemplo, e o histórico delas", indica.

"Não é benéfico para o Brasil, que quer desempenhar um papel de liderança, estar associado a escândalos como esse, de impacto internacional", opina o especialista.


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