sábado, 13 de dezembro de 2014

A imagem do ano do esporte nacional, no Vôlei

Se no ano de 2013 foram os jogadores de futebol que deram o exemplo nas manifestações do Bom Senso FC, agora são os do vôlei.

Jogadores do Canoas e do Taubaté resolveram protestar contra a atual situação do vôlei brasileiro antes do encontro entre as equipes no Rio Grande do Sul no início da tarde deste sábado. Os atletas entraram em quadra com narizes de palhaço para se manifestarem contra os escândalos de corrupção da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), comprovados em relatório divulgado pela Controladoria Geral da União (CGU) nesta semana. Além disso, cada time errou um saque de forma proposital. O acordo foi feito entre as comissões técnicas.



A partida, válida pelo primeiro turno da Superliga Masculina, foi transmitida pelo SporTV e a imagem rapidamente passou a circular nas principais redes sociais, como Twitter, Facebook e Instagram, gerando enorme repercussão e apoio de outros jogadores.

O Canoas Vôlei é a equipe onde atua o central Gustavo Endres, presidente da comissão de atletas do vôlei e uma das vozes mais ativas contra a CBV.

"Foi uma atitude combinada entre os jogadores em relação a tudo que vem acontecendo no país e apoiamos. Não acredito que possa haver algum tipo de retaliação da CBV", afirmou Ricardo Navajas, diretor técnico do Taubaté.

"Quando apareceu toda esta situação envolvendo a CBV pensamos em tomar um atitude inofensiva, mas que fosse interessante. Todos acataram esta forma de protesto. O Brasil vive um momento de muitos escândalos de corrupção. Queremos que o vôlei permaneça na mídia pelos resultados e sempre tenha atenção por ser vitorioso. Foi uma atitude isolada, mas bacana e inofensiva. Fizemos nossa parte, é o máximo que podemos fazer. Agora, depende de outras instâncias", disse o levantador Paulo Renan.

Tudo indica que há um novo Brasil em processo.

Um país que se rebela contra a corrupção, as arbitrariedades, a impunidade.

Vai doer, vai sangrar, mas, se continuar, vai depurar, vai melhorar.

Junho de 2013 está longe de terminar.

Basta!

A frase de Márcio Braga, então presidente do Flamengo e, então, do lado certo na queda de braço do futebol, ficou famosa:

“João Havelange casou a filha com o presidente errado”.

Braga se referia ao casamento da filha única de Havelange, Lúcia, com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e apontava para o quem seria o cartola mais adequado, Carlos Nuzman, então presidente da CBV.

Todos se encantavam com o que Nuzman fazia com o vôlei, que saíra quase do nada para virar uma força mundial.

Aos poucos, porém, foi ficando claro que Nuzman também vivia do esporte, ao contrário do que dizia e era apenas mais competente, ou menos sedento, que Teixeira.

Teixeira e Nuzman, aliás, disputavam a preferência de Havelange e como ciúme de homem é ainda pior que o de mulher, um dizia, sempre em off, barbaridades do outro.

Até que Nuzman partiu para sonhos mais altos, no COB, onde permanece vivendo do esporte e revelou-se incompetente.

Substituído por Ary Graça, a CBV seguiu obtendo excelentes resultados e fazendo a felicidade de mais um cartola.

Graça, vaidoso, jamais se conformou em não ser paparicado como Nuzman fôra, porque, àquela altura, já se sabia que a CBV também era uma caixa preta.

Então, chegou a abordar, ironicamente, um jornalista, se apresentando:”Eu sou o Ary Graça, do vôlei”, como se deixasse implícito, (“e nunca fui entrevistado por você”).

De fato, bastava o engodo Nuzman.

Eis que o repórter Lúcio de Castro abriu a caixa preta da CBV na ESPN Brasil e a Controladoria Geral da União a destampou de vez, para levar o Banco do Brasil a suspender um patrocínio de mais de duas décadas.

A grande diferença entre o a CBF e a CBV está na corajosa reação de algumas das estrelas do vôlei, gente como seus dois extraordinários treinadores, Bernardinho e José Roberto Guimarães, além de craques como Murilo ou ex-atletas como Ana Moser.

Zagallo, Parreira, Felipão, Ronaldos, Dunga, Neymar, passam ao largo, até elogiam.

Que o vôlei brasileiro siga vencedor nas quadras, mas passe a ser decente nos gabinetes.

Esperança ainda distante no futebol.

E o ex-Márcio Braga estava enganado.

Não nasceu ainda um presidente de confederação de esporte no Brasil para casar a filha, pelo menos a sua, a minha, a nossa.

Já a de Havelange…

…eles são brancos, se entendem.

Eu não consigo entender velho porque todos os jogadores, tanto de vôlei, quanto de futebol, não se juntam e param tudo, mas tudo mesmo, aqui no Brasil, e exigem a saída, tanto desse canalha da CBV, como os da CBF? Os personagens principais disso tudo são jogadores e torcedores! Tomem uma atitude! Vcs jogadores tem o poder nas mãos e não fazem nada velho. Se submetem a tudo q estes crápulas decidem. Acordem! Parem tudo e deem um pontapé no traseiro desses morcegos.

O que têm em comum a Confederação Brasileira de Vôlei, a Fifa, o Fluminense e uma porção de clubes patrocinados pela Caixa Econômica Federal?

Todos estão perdendo, ou correndo o risco de perder, seus patrocinadores.

E, por quê?

A CBV, que viu o Banco do Brasil suspender o patrocínio por irregularidades constatadas pela Controladoria Geral da União a partir de denúncias feitas pelo repórter Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, está em situação semelhante à da Fifa, que viu a Emirates e a Sony se afastarem por não quererem ter sua marcas ligadas a escândalos de corrupção.

O Fluminense, assim como um montão de clubes patrocinados pela Caixa estão arriscados, viu a Unimed dizer adeus porque o futebol brasileiro ficou menos atraente depois dos 7 a 1 e porque, também, é cada vez mais insuportável ver marcas associadas à violência de torcidas.

No caso do Banco do Brasil/CBV há sinais que dão esperanças neste país em que comandantes do partido do governo estão cumprindo pena por causa do mensalão, executivos de empreiteiras, enfim, estão presos e indiciados por causa do escândalo na Petrobras e 377 nomes foram denunciados pela Comissão Nacional da Verdade como responsáveis por torturas, desaparecimentos e mortes durante a ditadura: esperança de que a impunidade acabe e de que não se aceite mais o “rouba mas faz”.

Porque, lembremos, o vôlei é o esporte mais vitorioso do Brasil.

Ou seja: fazer, fez, mas se roubou, era uma vez.

E, por favor, não confunda moralidade com moralismo.


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