quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Precisamos Falar sobre Aborto

Vamos falar sobre Aborto? #PrecisamosFalarSobreAborto

Pois bem, o tema é urgente e ainda repleto de Tabus.

Começa quando por ser tratado de forma ilegal, leva milhares de mulheres para clínicas clandestinas. Mulheres que tem recursos financeiros talvez desfrutem de um pouco mais de segurança na prática enquanto que as mulheres menos abastadas muitas vezes são atendidas em verdadeiros açougues.

Não tenho dados certos de quantas mulheres morrem por ano na tentativa de interromper uma gravidez, mas são muitas.

O tema urge por um debate sério e para isso é preciso deixar de lado algumas questões ligadas a religião e a doutrinas espirituais e encarar como uma realidade ligada a saúde, ao direito individual da mulher e a segurança da mesma.

Filho não é castigo. Logo não acredito que o argumento - "Na hora de fazer não foi bom? Então agora aguenta" - seja relevante. A responsabilidade de se criar uma criança transcende apenas a existência dela como ser humano. Exige amor, carinho, atenção, educação, respeito, condições dignas de vida e instrução - que falta a muita gente que inclusive tem condições financeiras para oferecer.

É preciso legislar sobre as regras para que a ciência nos auxilie até onde se pode fazer a escolha por não levar adiante uma gravidez.

Não basta a meu ver que o olhar para tal questão se resuma apenas a má formação fetal ou casos estupro ou quando a mulher corre riscos.

A meu ver o Estado não deveria tirar o direito - dentro de um consenso com a sociedade e a ciência - para a escolha de qualquer mulher por optar se quer ou não ter um filho. Essa decisão deve caber apenas aos envolvidos na questão - Mãe, Pai e as famílias envolvidas.

Num Estado Laico, presume-se que as religiões não influenciem nas leis que dizem respeito aos direitos individuais do cidadão. Logo a condenação do aborto como "crime espiritual" deve se resumir apenas a quem acredita e segue a religião escolhida.

Entrar no âmbito da "alma", do "Espírito" e de outras abordagens existenciais, filosóficas e religiosas não é papel do Estado.

Papel do Estado é atender as mulheres de forma eficiente, segura e dentro de uma lei que as ofereça o direito da decisão final.

Se você é contra o aborto, não pratique-o. Mas não impeça quem não quer levar uma gravidez adiante de escolher o caminho que deseja pra sua vida.

Pessoas não deixam de procurar clínicas de abordo ou práticas caseiras e perigosas para não ter filhos porque é proibido. Quando quer fazer, faz. Então se vai fazer que seja dentro da lei.

Pior é ver crianças nascendo e sendo abortadas em vida, num mundo onde não encontram nenhum respaldo e condições para suas existências.

É preciso se falar sobre isso, sem tabus, sem pré-conceitos e com a consciência de que não podemos mais tapar o sol com a peneira.

Me assusta pessoas que são contra o aborto, mas que são a favor da redução da Maioridade penal. Quer dizer então que nascer pode, mas se lhe incomodar - prende, é isso?

Legalizar não significa que todas vão abortar, até porque o Estado tem que intervir também na questão de analisar junto as suas secretarias de Assistência Social caso a caso para isso não virar uma espécie de “fast food do aborto”, mas que vai ser seguro pra elas. Temos que encarar que o país não está preparado para fazer esse tipo de atendimento á essas mulheres. Tem muito que melhorar na área da saúde, que até mesmo para dar atendimento á uma gripe tem sido difícil, imagina uma cirurgia como esta; fora que não é simplesmente tirar e acabou, a mulher precisa de um acompanhamento psicológico, ou seja, tem muito pra se resolver ainda.

A questão do aborto se delimita no seguinte contexto: até em qual momento o feto pode ser considerado um dotado de direitos?

Eu sou a favor do aborto, e quando exponho idéias que são contestadas por quem pensa de maneira radicalmente oposta, procuro fazer um esforço sincero para aceitar os argumentos contrários, como se fossem meus, e tivesse que defendê-los num debate imaginário. Esse contorcionismo intelectual tem me ajudado a rever posições que julgava definitivas.

E eu consigo ver o porquê das pessoas contra o aborto pensarem assim, o aborto não é mesmo, e nunca vai ser algo bom, é uma violência física contra a mulher, e eu realmente acho que antes de fazerem qualquer coisa, deveriam ser acompanhadas por conselheiros e psicólogos profissionais, mas como eu sempre digo, é um mal necessário, e vou tentar explicar.

No Brasil, o aborto sempre foi algo comum, só não tem observação medica, hoje em dia é mais fácil ainda, pra provar isso, escreve agora no google, "como fazer um aborto" tem no minimo 15 sites que te dizem exatamente como é o procedimento, e se feito da maneira correta, é bastante seguro. Quem quer o aborto, vai fazer esse aborto, porque não permitir que essas mulheres possam fazer de uma forma mais segura e com acompanhamento medico?

A estimativa é de um milhão de abortos por ano no Brasil, 300 mil mulheres são atendidas no SUS por ano por complicações na tentativa do aborto clandestino, mais de 50 mil morreram nos últimos 10 anos com essa prática, por falta de informação, enfiando agulhas de crochê no útero ou tomando remédios depois de 4 ou mais meses de gestação, mais de 80% foram de jovens menores de 18 anos, 30% entre 10 e 14 anos.

E vamos pensar a respeito da liberdade de um país democrático, se você é contra o aborto, ótimo, não faça o aborto, só em condições extremas eu aceitaria minha parceira a fazer algo assim. Mas a partir do momento q você inibe e impõe esse pensamento na sociedade, não permitindo que o governo aprove o aborto, você esta negando atendimento medico as milhões de mulheres no Brasil que são a favor do aborto, ou simplesmente não tem condições financeiras e emocionais pra arcar com uma responsabilidade tão grande no momento, faz da maternidade, algo que deveria ser um momento feliz e lindo, um calvário onde a família sempre vai ver a criança como um problema, um obstáculo para seus planos originais. Os pais deixam de sentir amor, só se sentem responsáveis pela criança, não querem ver a criança feliz, querem ver ela viva até os 18 anos, depois que ela se vire e ajude em casa.

Todos contra o aborto, só levam em consideração a moralidade deles, o que não é ruim, mas não se pode impor sua moralidade a uma sociedade inteira, é loucura, ignorância e presunção afirmar que isso é o melhor pra uma pessoa que você nunca viu na vida! E o pior, só levam em consideração enquanto o feto está na barriga da gestante, quando nasce ninguém quer mais saber dessa criança.

Quer outro exemplo que ninguém pensa? No interior, cidades onde toda a formação moral vem da igreja local, postos de saúde abarrotados de camisinhas, tem pra todo mundo, é só ir buscar, mas quem vai são mulheres casadas que não querem ter filhos, e as jovens não casadas? Numa cidade pequena, onde todo mundo se conhece, se uma jovem dessa entrar num posto e pegar 10 camisinhas, e tiver alguém que ela conhece lá, em 1 hora a cidade toda já sabe. Pronto, virou a vadia da cidade, uma jovem que começa a vida sexual cedo, em alguns bairros de grandes cidades também é assim, garotas que tem vida sexual ativa e querem se proteger já são vistas como vadias, e se você distribui camisinhas nas escolas e de porta em porta o quê dizem? "Estou incitando o sexo entre os jovens", e ficam culpando o jovem sem instrução nenhuma, por não querer ter um filho cedo? PELO AMOR DE DEUS!!!

Claro que o maior problema hoje é o planejamento familiar, precisamos trabalhar pesado nisso, mas pensa comigo, obrigar uma jovem pobre de vida difícil sem instrução nenhuma a ser mãe? Mulheres com 30 anos casadas, e 7 filhos, loucas pra fazer uma laqueadura na fila do SUS, até ela fazer, ela já chegou nos 10 filhos, estou falando de mulheres casadas, é imbecil pensar que eles não vão fazer sexo, a mulher não tem acesso a remédios contraceptivos, e nem sempre a camisinha é uma opção, quem diz nunca fazer sexo sem camisinha, ou não se lembra quando fez ou está mentindo.

Mas ai você me diz: "o aborto não resolve o problema". Claro que não, mas é o caminho certo pra resolver. Nos anos 80 o índice de criminalidade nos Estados Unidos eram assustadores. Mais assustador ainda foi a queda desse índice em 15 anos, depois que legalizaram o aborto, depois de uma pesquisa severa em que descobriram que a maior parte dos criminosos nasceram em famílias desestruturadas, onde a mãe era menor de idade, pai ausente, sem uma criação observada. Te lembram algum país hoje? A matemática é simples. quanto mais crianças planejadas em famílias preparas, maior a qualidade de vida delas, melhor qualidade de futuro.

Com a população crescendo desenfreadamente como está, o aborto não é só necessário, é algo inevitável. Em algum momento num futuro próximo os governos do mundo vão ver o aborto como caso de saúde publica, social e econômica, uma visão que já deveria existir sobre o assunto. Países super populosos como a China e Índia, o aborto não é só permitido, como é necessário, porquê quanto mais pessoas existem, menos valor ela tem, pensem, onde está a mais barata mão de obra do mundo, a menor idade pra se começar a trabalhar? Na China. Um dos piores saneamentos básicos do planeta e qualidade de vida? Na Índia

Resumindo o assunto, no ponto de vista médico, não importa se você é a favor ou contra o aborto, quem quer fazer o aborto, vai fazer, e se a garota vai fazer o aborto, ela tem, TEM o direito de fazer sobre os cuidados de um medico especializado. Você sendo contra, só esta impedindo o medico de fazer o seu trabalho, não da paciente de fazer o aborto. Por isso eu sou totalmente a favor do aborto até o terceiro mês de gestação, momento em que o aborto não causará nenhuma seqüela grave para a mulher, e que o bebê ainda não tem um sistema nervoso capaz de ter alguma consciência ou de sentir qualquer coisa. O ideal seria não existir aborto, mas no mundo real não se deve pensar no como as coisas deviam ser, temos que pensar em como elas podem ser. Não podemos pensar no que devíamos fazer, temos que pensar no que podemos fazer. É infantilidade não pensar assim, ou no minimo, alienação sobre o assunto em questão. Mas geralmente é só negação moral mesmo, fecham os olhos para os fatos só por não acharem o ato algo certo.

No Brasil, o aborto é legalizado em 3 situações: Feto Anencéfalo, Risco de morte materna e Gravidez por estupro. Tomemos o último caso, de estupro. Não se trata também de "uma vida inocente"? Porque as pessoas sempre apoiam o aborto nesse caso? Porque inclusive isso está na lei? Aborto é uma questão de saúde pública e discursos assim como o seu fomentam a ideia machista de que o corpo da mulher não é dela, provavelmente por razões mais religiosas do que humanas. Já parou para pensar em quantos milhões de mulheres morrem por ano em clínicas clandestinas anualmente?

Se trata de um problema de saúde pública e religiões não devem fundamentar este tema!

Admiro muito esse cara e sua frase:

"Da morte escapamos quantas vezes for necessário, mais da vida nunca mais nos livraremos." 
(Chico Xavier)


E você, é contra ou a favor da legalização do Aborto prevista com segurança e sem sofrimento para mulheres e fetos?


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