quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A FARRA DO FINANCIAMENTO PRIVADO

Democracia ou Corpocracia?




As dez maiores empresas que mais doaram na campanha eleitoral elegeram 360 deputados, ou seja, 70% da Câmara Federal. Sete em cada dez deputados receberam recursos de pelo menos uma dessas empresas.

Já existia na Câmara dos Deputados a bancada ruralista, do fundamentalismo religioso, a bancada da bala, a bancada da bola (cartolas do futebol), etc.

Agora, com a contribuição das dez mais, novas denominações aparecem, não menos nocivas ao interesse público. Vale a pena mapear a influência que terão estas empresas e a bancada por ela financiada.

É evidente que deputados eleitos receberam, às vezes, de várias empresas. Ou seja, têm rabo preso com muitas financiadoras. Por aí vale se perguntar: qual é a independência do poder legislativo frente ao poder econômico?

Querem nos fazer acreditar que as doações empresariais foram feitas não por interesse, mas por espírito republicano. Não por esperar retribuição futura e subserviência dos deputados aos financiadores, mas para ajudar o Brasil a acabar com a corrupção. Não é mesmo?

Pior ainda é a postura dos grandes meios de comunicação de massa. Ávidos para denunciar a corrupção, mas defendem o financiamento privado da qual, também, são beneficiários. As CPIs são sempre para punir corruptos. Corruptores, ou seja, dirigentes empresariais são sempre esquecidos. E o Brasil gira em círculos.

Há quase um ano o STF julga ação da OAB para acabar com o financiamento empresarial das campanhas, questionando a constitucionalidade da interferência do poder econômico. Sete ministros já votaram. O placar está 6x1 a favor da ação da OAB. O ministro Gilmar Mendes pediu vistas há 8 meses, impedindo que o dispositivo fosse válido para este ano. Até agora, continua sentado em cima do processo, num voto que todos já sabem qual é. Na Câmara Federal, a maioria parlamentar, a favor do financiamento privado, procura formas de impedir a votação final no Supremo, com alguma propositura parlamentar, disfarçada de reforma política.

É preciso acabar com essa vergonha que é a brutal interferência do dinheiro nas eleições. Para isso a ação imediata e rápida é exigir a conclusão da votação no STF.

O pior do financiamento é o caixa 2. Com o financiamento público os contribuintes pagarão as campanhas e o caixa 2 continuará existindo alimentado por essas mesmo grandes empresas. Ou alguém duvida que não? O caixa 2 é ilegal e, justamente por isso, pode ser combatido. A dívida dos deputados e senadores para com os seu "doadores" é legal, não podemos condenar ninguém por isso. Daí que o povo pode até fazer algumas cobranças com muito barulho e quebra-quebra, mas todo esse esforço ainda terá menos peso do que a dívida contraída pelos parlamentares durante a campanha.



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