segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Prometo ser oposição fiscalizadora

Esse segundo turno até aqui está mais constrangedor do que perder em casa de 7 a 1 para a Alemanha.


Prometo que independentemente do resultado das eleições para a Presidência da República de 2014, serei oposição. Havendo governo, serei contra. Entendo que o estado de coisas na política chegou aonde chegou muito em parte por falha da oposição, que claramente não foi mais efetiva do que o PT quando na função. A oposição não existiu, praticamente. Os manifestantes desapareceram durante a campanha, essa parte não entendi.



O Brasil, a meu ver, desperdiçou a chance de tentar uma terceira via, a oportunidade de poder inventar um jeito novo de fazer política, pensando de forma programática, e escolheu mais do mesmo. Por isso, sou contra o próximo governo. Sou contra, sobretudo, pelo nível apresentado no debate, de ambos os lados, onde não discutem-se ideias ou ideais. Marina Silva perdeu no primeiro turno porque não se sujeitaria a participar de discussão tão vazia de ideias podendo debater propostas concretas. Tão diverso e rico e plural e mestiço-cordial-original-coloquial-irônico e complexo país representado agora e ainda pela antiga polarização que produz em pleno 2014 esse segundo turno até aqui mais constrangedor do que perder em casa de 7 a 1 para a Alemanha.

Na condição de cidadã que paga impostos demais, é muitas vezes bitributada, e tem serviços de menos, e que não se sente representada pelo governo, qualquer que venha ele a ser, venho exigir que sejam consideradas prioridades à causa indígena como um todo e às demarcações de suas terras, com a máxima urgência. Menos desmatamento, não mais. Nunca antes uma nascente do Rio São Francisco secou. Mas por que seria? Por desmatar a Floresta Amazônica, é o que querem os ambientalistas e o que diz a ciência.
Exigir não só políticas como práticas, de investimento na qualidade da formação dos professores. Na valorização da autoestima dos professores, que não estudam e não são formados para apanhar dos alunos em sala de aula. 

Transparência nas contas públicas; desde que existe a internet, não há mais desculpas para que não seja assim. Prioridade, seriedade, compromisso, urgência para com o saneamento básico. Quer tenham ou não prometido o fim da reeleição, ela se impõe. Projetos de ditaduras precisam ser cortados pela raiz, em primeiro lugar. E depois, na campanha para a reeleição, o país dada hora fica desgovernado, durante seis meses, como neste momento, quando a presidente está nos palanques, em companhia do vice-presidente, mais o chefe da Casa Civil, licenciado para dedicação exclusiva à campanha, e o ministro da Fazenda, cancelando compromissos internacionais de interesse do Brasil para atender à campanha. Como em vezes anteriores, na reeleição de Fernando Henrique também, o país à deriva até a reeleição.

Sou contra uma política de relações internacionais que não represente o Brasil como um todo, mas seus partidos políticos.

Não me representa o Brasil que cogita conversar com o Estado Islâmico, que por sua vez não conversa; corta cabeças ocidentais. Que simpatiza com tiranos ou longos projetos de poder. Sou contra o governo que não reforma o sistema prisional. Dignidade e políticas de reinclusão dos detentos na sociedade, fim das fábricas de monstros, isso é o mínimo, fazem favor nenhum. O presídio de Pedrinhas é um caso que envergonha a humanidade. Mais assentamentos, não menos. 

Sou contra o governo que não fizer a reforma fiscal. Exijo a manutenção de tudo o que deu certo nos governos anteriores, a continuidade do que funciona e é bom para o Brasil, conquistas são conquistas, e há continuidades que são fundamentais. Viva o que foi feito de bom. Manutenção do Bolsa Família. A recuperação do tempo perdido nos retrocessos, correndo. Educação financeira nas escolas desde a alfabetização, para que as futuras gerações não vivam endividadas com créditos bancários que se fossem tão bons negócios para os clientes, os bancos não ofereceriam tanto. Taxar as grandes fortunas. Priorizar os mais pobres. Educação musical. Educação sexual. História do Brasil contada do ponto de vista da História, não das cartilhas de escritura ideológica. Educação para o trânsito desde o jardim de infância. Investimento em pesquisa. Merenda escolar de qualidade. Educação alimentar. Plebiscitos. Panelaços.

Sou contra o governo que se fizer de distraído e não jogar uma pá de cal nos currais de novos coroneizinhos políticos, que não cabem mais em uma democracia que se consolida como a nossa, acabou a farra. Sou contra o governo que não entrar em guerra contra o trabalho escravo. Guerra ao trabalho infantil. Guerra à prostituição infantil. Exijo clareza de posição e firmeza na consolidação dos direitos das minorias. Dos direitos LGBT. Da afirmação do Estado laico. Da liberdade religiosa. Dos direitos dos animais. Não cabe neste espaço de jornal tudo o que precisa ser feito e que, sem mudança de mentalidade, seguirá piorando.

Sou contra e serei sempre contra essa maneira de fazer campanha, é um vexame, inaceitável e a mim não representa. Um desrespeito com o eleitor, aliás. Precisando tanto o Brasil ser pensado, discutido, ouvido, cuidado, esse é o exemplo que têm nossos aspirantes a chefes de estado para dar às futuras gerações, e que já está inscrito na História como a forma de se fazer política no Brasil do século XXI. Sou contra. Prometo ser contra. 

Morrerei contra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário