domingo, 26 de outubro de 2014

Dilma Rousseff é reeleita presidente do Brasil

No próximo mandato, ela terá desafio de unir o país após disputa acirrada e marcada por ataques. Dilma vence com uma forte oposição. Aécio perder em Minas é um sinal a ser considerado.

Todos que votaram contra o PT que agora mantenham suas máquinas atentas e acompanhem de perto cobrando o Governo as reformas e promessas que foram feitas. Fiquemos todos entendidos sobre a importância da política em nossas vidas.

Democracia é isso.

Permanecerei cobrando e atento como sempre estive. Quero saber qual o número de Votos e nulos. A Imprensa nunca divulga.

O Brasil foi às urnas neste domingo dividido. Depois de mais de 100 dias de uma campanha eleitoral marcada por reviravoltas nas pesquisas e uma tragédia, a morte de Eduardo Campos, Dilma Rousseff (PT) foi reeleita com 53,3 milhões de votos, ou 51,45% dos votos válidos (com 98% das urnas apuradas). A presidente é reconduzida ao cargo com a vitória mais apertada desde a redemocratização.

Agora, Dilma terá pela frente como uma das principais e imediatas tarefas desarmar os espíritos radicalizados nesta eleição. Dilma terá também em seu novo mandato o desafio de responder às demandas da sociedade, como a melhora da prestação de serviços públicos em educação, saúde, transporte e segurança.


CAMPANHA ELEITORAL

Por volta das 22h do último dia 5, a presidente Dilma Rousseff surgiu no palco do teatro de um hotel em Brasília ostentando bom humor. Sua expressão não combinava com o clima nos bastidores de sua campanha. Horas antes, os petistas foram pegos de surpresa com o resultado do 1º turno. Esperavam não só um desempenho melhor de Dilma, como previam uma votação menor do candidato do PSDB, Aécio Neves. Foi naquele momento que Dilma deu a largada no segundo turno invocando, em seu discurso, os “fantasmas do passado” do governo Fernando Henrique, tratado ali como sinônimo de arrocho salarial, desemprego e recessão. Foi só tirar da gaveta o “script” que já estava pronto e tivera de ser engavetado quando a candidata do PSB, Marina Silva, ultrapassou Aécio nas pesquisas.

Essa fórmula, usada com sucesso nas duas eleições anteriores — na de Dilma contra José Serra, em 2010, e na reeleição de Lula contra Geraldo Alckmin, em 2006 —, desta vez não foi suficiente. Uma preocupação dos petistas eram os jovens, que não viveram o governo FH e não se sensibilizavam com esse discurso. Essa faixa do eleitorado, que em grande parte votou em Marina no primeiro turno, era um dos alvos da campanha de Dilma.

Assim, três dias depois, a campanha petista já tinha uma nova aposta: desconstruir a imagem de bom gestor de Aécio, contestando os indicadores sociais e econômicos de Minas Gerais, estado governado pelo tucano e seu grupo durante 12 anos. A nova estratégia foi exposta no dia 8 pelo presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Dilma, Rui Falcão, em reunião da Executiva Nacional do partido com coordenadores estaduais da campanha, em Brasília.

No dia anterior, após reunião com presidentes de partidos aliados, governadores e senadores eleitos, a própria Dilma deu a deixa. Ela ironizou o fato de ter derrotado Aécio em Minas, seu reduto eleitoral, no primeiro turno:

— Quem me conhece votou em mim — afirmou a presidente, referindo-se ao fato de ter ganho em Minas, estado em que nasceu, e no Rio Grande do Sul, onde fez carreira política.

Mesmo com essa artilharia, durante os primeiros 15 dias do segundo turno Aécio e Dilma permaneceram tecnicamente empatados, com o tucano numericamente na frente. A campanha de Dilma subiu o tom com ataques pessoais, e o candidato do PSDB respondeu na mesma moeda, tornando essa a campanha mais virulenta desde 1989. Os dois acabaram recuando diante da rejeição do eleitorado ao grau de agressividade reinante.

A campanha petista, no entanto, só pisou no freio depois de conseguir o que queria: disseminar informações como a que lembrava que Aécio se recusou a fazer o teste do bafômetro, em uma blitz da Lei Seca, em 2011. Dilma também saiu chamuscada. Foi acusada pelo tucano de nepotismo cruzado. Segundo Aécio, o irmão de Dilma, Igor Rousseff, ganhava sem trabalhar na prefeitura de Belo Horizonte, na gestão de Fernando Pimentel (PT), amigo da presidente. Foi um revide à acusação de Dilma de que Aécio, quando governador de Minas, empregou parentes.

Se, no 1º turno, Dilma — a ex-guerrilheira que lutou contra a ditadura, apresentada nesta campanha como “coração valente” — afirmou que para ser presidente era preciso “aguentar pressão” e ter “coluna vertebral”, para aventar uma suposta fragilidade Marina, no 2º turno ela tentou se vitimizar e tachar Aécio de agressivo com mulheres, por tê-la chamado de “mentirosa” e “leviana”. A estratégia surtiu efeito, e Dilma cresceu entre o eleitorado feminino.

Até o último dia, a presidente andou na corda bamba com o escândalo de corrupção na Petrobras. A oito dias da eleição, ela reconheceu pela primeira vez que houve desvios na estatal durante seu governo. A inflexão no discurso foi uma vacina para tentar evitar que as acusações colassem em sua imagem pessoal.

Ironicamente, as acusações de pagamento de propina a partidos políticos na Petrobras, que foram o calcanhar de aquiles de Dilma, também lhe renderam um dos pontos altos de sua campanha no segundo turno: o surgimento do nome do então presidente do PSDB Sérgio Guerra como suposto beneficiário do esquema, em 2009. A petista explorou essa informação para tirar de Aécio a bandeira da ética.

Apesar de o tucano ter sido, desde o início, o adversário desejado pelo PT, com o intuito de repetir a polarização com o PSDB, a disputa foi considerada “renhida” por coordenadores da campanha à reeleição. Os petistas respiraram aliviados no início da semana, quando o Datafolha mostrou pela primeira vez Dilma à frente de Aécio, embora ainda empatados tecnicamente, devido à margem de erro.

A ordem na cúpula da campanha, no entanto, foi não cantar vitória antes do tempo e manter a militância mobilizada. Os petistas acreditavam na vitória, mas estavam preocupados com as abstenções. Atribuíram o crescimento na reta final ao fato de o escândalo da Petrobras ter resvalado para o PSDB; ao aumento da aprovação do governo; à estratégia de desconstrução de Aécio; e ao equilíbrio entre os dois candidatos nos debates na TV. Escaldados, porém, depois dos erros das pesquisas no 1º turno, que previram uma votação menor de Aécio, e depois de tantas reviravoltas, alguns mantinham um otimismo contido, demonstravam cansaço e se preparavam para qualquer resultado.

— Estou preparado para as duas coisas. Se o Aécio ganhar, não vou ficar chocado. E, se Dilma ganhar, também não ficarei muito eufórico — disse um militante que trabalha no partido.

Integrantes do comitê eleitoral ressaltam que nem nos momentos mais difíceis ela “se escondeu embaixo da saia do Lula”. Embora trocasse ideias com o ex-presidente, Dilma não aceitou apenas o papel de “criatura” proclamado pelo ex-presidente na convenção nacional do PT, em junho. Ela aprovou diretamente peças de propaganda com o marqueteiro João Santana, e foi a mentora de parte dos ataques tanto a Marina Silva (PSB) quanto a Aécio.

A campanha, à imagem e semelhança de seu governo, foi marcada pela centralização de Dilma. A “tia”, como se referem a ela os petistas ligados a Lula, fez questão de dar a palavra final em tudo, desde a agenda de compromissos até as propagandas de rádio e TV. Integrantes do comitê eleitoral afirmam que a presidente exigia saber detalhes, como o local exato onde daria entrevistas à imprensa durante agendas de campanha e em que momento. Muitas vezes mudava o roteiro traçado.

Durante o 2º turno, a presidente se permitiu poucos momentos de descontração. O mais marcante deles foi em evento em São Paulo, na última segunda-feira. Na janela do Tuca, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a presidente pulou ao som do coro “quem não pula é tucano”, entoado por militantes na rua. Ironicamente, após uma campanha em que se consagrou pelos ataques que desferiu, se reeleita, Dilma terá entre seus principais desafios pacificar o país.

A presidente Dilma Rousseff, que disputou pelo PT as eleições deste ano, terá mais quatro anos de mandato como presidente do país. Após 111 dia de campanha e uma disputa acirrada com Aécio Neves (PSDB) em segundo turno marcado por ataques e acusações, Dilma obteve vitória apertada sobre Aécio: 51,45% contra 48,55%. Com a população e o Congresso divididos, um dos desafios da presidente será, em seu governo, conseguir unir o Brasil.

O resultado marca a eleição mais acirrada da história da redemocratização do Brasil.Os ex-presidentes Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e a própria Dilma não ganharam de seus adversários por uma diferença tão pequena em pleitos anteriores. Antes de 2014, a menor diferença havia sido registrada em 1989, na disputa entre Collor e Lula. Na ocasião, Collor venceu com 42,75% dos votos, contra 37,86% obtidos pelo então candidato do PT.

O horário de verão atrasou a divulgação do resultado da eleição presidencial, que só ocorreu depois das 20h por causa da votação no Acre, que só acabou às 17h do horário local. Já nos estados onde houve segundo turno (Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal), a apuração começou logo após o término da votação, às 17h, pelo horário local.




ATAQUES MARCARAM SEGUNDO TURNO

Após ataques durante o horário eleitoral no rádio e na TV e a troca de acusações em debate do SBT, com denúncias de nepotismo entre Dilma e Aécio, o TSE proibiu a veiculação de gravações que não fossem propositivas.

— O tribunal muda sua jurisprudência para estabelecer que, em programas eleitorais gratuitos, as propagandas devem ser programáticas e propositivas, mesmo com embates duros, em relação às candidaturas do segundo turno — disse o presidente da Corte, Dias Toffoli, no dia 16 de outubro.

Embora o TSE tenha levantado a questão e adiantado julgamentos para não prejudicar a igualdade de condições entre as candidaturas, o clima eleitoral não arrefeceu. Nas ruas, foram registrados tumultos entre partidários de ambas as campanhas. Nas redes sociais, a baixaria também teve vez. O Fla x Flu eleitoral abalou amizades, e gerou discussões com troca de ofensas.


DISPUTA ACIRRADA

A disputa mais acirrada desde 1989 teve a primeira reviravolta no dia 13 de agosto, quando o jato que partiu do Rio de Janeiro e levava o então candidato do PSB, Eduardo Campos, caiu em Santos após arremeter ao tentar pousar no aeroporto. (Confira todas as pesquisas Ibope e Datafolha). Após a morte do então candidato e a comoção causada pela tragédia, Marina Silva assumiu a cabeça de chapa e passou a liderar as pesquisas de intenção de voto. Desidratada após campanha de desconstrução do PT e recuos em relação ao programa de governo, Marina entrou em queda livre.



No primeiro turno, a decisão dos brasileiros contrariou as pesquisas eleitorais das semanas anteriores ao dia 5 de outubro, que indicavam uma disputa entre a candidata do PSB e Dilma Rousseff. No início do segundo turno, Aécio aparecia numericamente à frente nos levantamentos de Ibope e Datafolha. Dilma, no entanto, recuperou a dianteira e descolou-se do candidato do PSDB.

No primeiro turno, excluindo os votos brancos e nulos, a candidata petista teve 41,6% da preferência (43,2 milhões de votos), contra 33,6% do tucano (34,8 milhões de votos). A votação surpreendeu, já que a candidata do PSB, Marina Silva, que aparecia empatada tecnicamente com Aécio, ficou em terceiro lugar, com 21,3% da preferência (22,1 milhões de votos).


CANDIDATOS VOTARAM EM MG E RS

Pela manhã, Aécio Neves votou em escola de Belo Horizonte ao lado da mulher, Letícia Weber, às 10h30m. O tucano conseguiu amplo arco de alianças para enfrentar Dilma no segundo turno e comparou a união de candidatos derrotados no primeiro turno com a frente liderada por seu avô, Tancredo Neves, durante a redemocratização do país. Além dos nanicos, como Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB), também ganhou o apoio de Marina Silva (PSB).

Já a presidente Dilma Rousseff manteve o apoio de nove partidos da coligação feita antes do primeiro turno e votou na manhã deste domingo em Porto Alegre, acompanhada do governador Tarso Genro, candidato à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul. Antes, Dilma fez um pronunciamento rápido, que durou pouco mais de três minutos, e reconheceu que a campanha que se encerrou às 22h de sábado teve “momentos lamentáveis”.


VOTAÇÃO TAMBÉM EM 88 PAÍSES

Ao todo, 354.184 eleitores brasileiros residentes no exterior também votaram para escolher o novo presidente neste domingo. Há eleitores domiciliados em 135 cidades de 88 países. Os Estados Unidos são o país com o maior número de eleitores (112,2 mil), seguido por Japão (30,6 mil), Portugal (30,4 mil), Itália (20,9 mil) e Alemanha (17,5 mil). Neste ano, foram utilizadas 916 urnas no exterior.



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