terça-feira, 23 de setembro de 2014

Mais um vice do vôlei masculino. E daí?

Depois da virada surpreendente que levou da Rússia na Olimpíada de Londres eis que o vôlei masculino ficou outra vez com a prata no Mundial da Polônia.

“Só” com a prata, dizem alguns.

Bernardinho fica para morrer, alguns jogadores mostram inconformidade e difunde-se a ideia de que o sexteto perdeu a capacidade de vencer.

Mas, cumé?!

O time é finalista nos principais torneios do mundo e vira Judas?

Teria sido melhor não chegar às finais, perdidas, diga-se, pau a pau?

Ora, parece que por veneno de uns e falta de educação esportiva de outros, o que deveria ser saudado está sendo amaldiçoado.

É claro que quem foi derrotado na quadra deve querer mais, não deve se conformar, precisa buscar os motivos por não ter atravessado a tênue fronteira que separa a derrota da vitórias na hora da decisão, a que distingue os homens dos meninos.

Mas será suprema cegueira tratar as pratas recentes como prêmios para meninos.

O vôlei brasileiro segue no topo do mundo apesar dos cartolas, diferentemente do que se deu, por exemplo, recentemente no futebol e, há tempos, no basquete, esportes que não resistiram aos maus tratos dos que pensam mais no bolso que em glórias.






Se perder para a Polônia como no domingo (21/09/14) for motivo de crítica o contrário será considerar que ganhar é sempre obrigação, apenas um raciocínio absurdo em qualquer área de atividade.

Ainda mais diante de um ótimo time e com um sétimo jogador extraordinário, a magnífica torcida polonesa.

Para não falar do oitavo jogador, a cúpula da FIVB, em busca de sórdida vingança por ter sido desmascarada no Brasil, graças ao “Dossiê do vôlei” do jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil.

Isso me lembra uma frase do Tim Vickery, jornalista inglês radicado no Brasil, de que para o brasileiro ser vice parecia a pior coisa do mundo. Como se perder fosse proibido, não fosse digno. Isso é uma grande injustiça com os nossos atletas. Se somos prata, significa que também passamos por cima de muitas outras boas seleções. Além disso, a disputa foi bem acirrada, com diferenças muito pequenas entre os placares dos sets nessa final contra a Polônia. Normal, afinal os dois times eram bem fortes. É preciso também ter humildade para reconhecer quando o outro é melhor. Bola pra frente e cabeça erguida. Nosso vôlei tem muitas glórias, agora é aprender com os erros e focar no futuro.























A questão é que de 2013 para cá, foram 4 finais, 3 pratas (2 Ligas Mundiais e o Mundial) e um ouro (Copa do Mundo-13). Nas 3 derrotas, foram 3 seleções diferentes, Rússia, EUA e Polônia. Ou seja, os adversários mais fortes já decoraram a fórmula para nos derrotar assim como no futebol. E no longo prazo, isso não vai ser bom já que estamos numa entressafra daquelas. Na década vencedora, nós tínhamos como ponteiros o Giovani, Giba, Nalbert, Dante e Murilo. Hoje, só temos o Murilo e os que estão aí não conseguem dar conta do recado. Fora outras posições que estão carentes de jogadores decisivos. Chega a ser preocupante quando o Bernardinho pede autorização à FIVB para naturalizar um jogador cubano! E o pedido foi negado. Os clubes não estão investindo nas categorias de base por não ser vantajoso financeiramente. E não temos como saber se até 2016 teremos uma seleção forte para ganhar o ouro olímpico em casa.

A dinastia mundial do volei masculino brasileiro na primeira década deste milênio não tem paralelos em nenhum outro esporte. NEM MESMO o DREAM TEAM do basquete americano conseguiu tamanha sequência de conquistas. Ainda que "nem essas pratas" (como se fosse pouco) fossem conquistadas, isso não seria motivo de zerar o crédito que o volei faz por merecer. Quem não merece é justamente quem reclama.

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