quarta-feira, 13 de agosto de 2014

“Não vamos desistir do Brasil” (Eduardo Campos – 1965/2014)

Eduardo Campos: Queima de arquivo ou um mero acidente?

Quando se trata sobre Brasil não duvido de mais nada. Não era um candidato padrão "salvador da pátria", mas pelo menos era uma opção ao protecionismo ‪#‎PT‬ e ‪#‎PSDB‬.

O candidato a presidência - Eduardo Campos estava no avião que caiu em Santos. A morte anda pregando peças. Meus pêsames a Família e aos amigos e eleitores.



Estava acompanhando sua campanha, como estou acompanhando a de todos os outros candidatos. Incrível como fatos assim nos mostram o quanto somos vulneráveis e o quanto a vida é tão imprevisível. O tempo, o amor e a morte ninguém controla. Sem palavras.

Hélio Pellegrino, psicanalista e homem de fé, dizia que 'morte é ruptura abrupta da forma'. Penso em Eduardo Campos, no ápice da vida, empenhado em campanha para a presidência da República, falando para milhões em busca do cargo público máximo a que se pode aspirar. Penso, consternado, no Eduardo pai de cinco filhos, o mais novo ainda bebê, que tanta falta fará a essa prole, partindo assim 'fora do combinado', antes de completar meio século de vida.

De repente, da visibilidade humana extrema sobra um corpo destroçado por um acidente estúpido. Não só o dele: penso na dor dos familiares de Alexandre, Carlos Augusto, Geraldo, Marcos, Pedro e Marcelo, que estavam naquele avião e também não estão mais entre nós.

Estamos sempre por um triz e qualquer vaidade e orgulho é uma superficialidade, uma bobagem ilusória. Que a Consolação a parentes e amigo(a)s, sempre difícil face a perdas tão dramáticas e inesperadas, venha através do único jeito possível para nós, pobres humanos: a fé de que não se perde a vida de quem semeou, na Terra, gestos de amor e solidariedade.

Nesse momento, analisar 'cenários políticos' que se abrem soa, para mim, como fechamento à essa terrível condição humana da fragilidade, da precariedade.

À parte os campos distintos das lutas políticas, um luto atinge a todos nós.

Eduardo representava a chance do Brasil fazer uma alternância para frente.

Não sou de partido nenhum, mais sou um ser humano e lamento muito a perda do nobre candidato a presidente. Desejo meus sentimentos a toda a família. Todos nós temos uma missão para cumprir nessa vida, o dia para começar e o dia para terminar tal missão, tenho a certeza que sua missão foi cumprida com muita responsabilidade, mas deixou sua contribuição para o desenvolvimento desta nação.

Nem bem a morte do candidato à Presidência da República Eduardo Campos em um acidente aéreo, nesta quarta (13), foi confirmada e surgiram comentários com afirmações de mau gosto ou inferências políticas bizarras nas redes sociais.

Pessoas pedindo para que, no lugar de Campos, naquele jatinho, estivesse Aécio ou Dilma. Ou colocando a culpa em um ou em outro pelo acidente.

Não, isso não é piada. Muito menos revolta contra a política.

Há outro nome para esse tipo de ignomínia, para essa incapacidade crônica de sentir empatia com os passageiros de um avião que cai e com as pessoas que estavam em solo. Talvez essa impossibilidade de se reconhecer no outro e demonstrar algum apreço pela vida humana seja alguma forma de psicopatia grave.

O que não surpreende, pois tem o mesmo DNA das discussões estéreis e violentas levadas a cabo na internet, sob anonimato ou não. Mas não deixa de chocar.

Da mesma forma que choca alguns colegas jornalistas que no afã de prever o que vai acontecer com as eleições, analisam de forma desrespeitosa a situação, com ironias e sarcasmos que não cabem neste momento, desumanizando a cobertura da tragédia em busca de audiência.

É para isso que a gente desenvolveu tantas ferramentas tecnológicas com a justificativa de aproximar as pessoas e facilitar a comunicação? Para podermos mostrar como somos idiotas em tempo real? Se for assim, estávamos melhor com os tambores.

À família e aos amigos de Campos e de sua equipe e aos feridos entre os moradores de Santos, minha solidariedade. Aos que fazem disso uma brincadeira ou uma chance para vender mais, o meu eterno desprezo. O povo brasileiro precisa curtir e compartilhar este exemplo de Família. Para ser Presidente da República tem que ser FAMÍLIA !!! Porque o Brasil é família. Deus abençoe as famílias.



Caberá ao PSB decidir o que fará com a cabeça de sua chapa à presidência da República, mas de duas uma: ou Marina Silva ascende à posição aberta com a morte de Eduardo Campos, ou a terceira opção desaparece. Se ela era a candidata a vice-presidente até as primeiras horas da manhã desta quarta-feira, será difícil justificar outra solução, sobretudo tratando-se de uma companheira de chapa que tem identidade própria e recebeu 20 milhões de votos na última eleição.

Marina não entrou na chapa de Eduardo Campos como um simples apenso destinado a costurar acordos partidários. Se não serve para substituir o candidato morto, serviria para quê? Com algum exagero no paralelo, o entendimento de que o vice-presidente é um enfeite desemboca na manhã de outro agosto, de 1969, quando o presidente Costa e Silva estava entrevado por uma isquemia cerebral e os ministros militares mandaram o vice Pedro Aleixo para casa. Dezesseis anos depois, para alívio geral, o vice-presidente José Sarney assumiu no dia em que Tancredo Neves deveria ser empossado. O presidente eleito estava hospitalizado e morreria mês depois.

Pedro Aleixo e Sarney já haviam sido eleitos. Ambos, contudo, eram enfeites. Um, para dar um toque civil à presidência de um marechal. O outro, dava sabor governista a um presidente da oposição. Não sendo enfeite, Marina é mais que isso. Se a ex-senadora for deixada de lado, a terceira via implode. Se ela substituir Eduardo Campos a natureza desse terceira via muda de qualidade e transforma a eleição deste ano numa reedição do pleito de 2010.

Eduardo Campos será sepultado no mesmo jazigo onde está seu avô, Miguel Arraes. morto em outro 13 de agosto. Ele disputava a presidência contra outro neto, Aécio Neves. Nos próximos dias vai-se saber o que farão o PSB e Marina. A lembrança de Arraes e Tancredo, contudo, leva a uma especulação passadológica. Em 1980, quando a polarização bipartidária foi rompida pelo governo, Tancredo sinalizou que iria para um terceiro caminho, dizendo que o seu MDB não era o de Arraes.



Quatro anos depois, quando se costurava o arco de alianças que permitiria a eleição indireta de Tancredo, o deputado Fernando Lyra (irmão do atual governador de Pernambuco) costurou um encontro de Tancredo com Arraes e o impossível aconteceu. Os dois ficaram juntos, acabaram com a ditadura e foram felizes para sempre.

Tancredo elegeu-se presidente da República porque costurou alianças consideradas impossíveis pela política do andar de cima e óbvias para o ronco das ruas no andar de baixo, ouvida durante a campanha das Diretas.

Havia no avô de Aécio Neves habilidade, mas sobretudo conhecimento da História. Diferenciou-se pela percepção que teve do fenômeno político que formaria alianças para lá de implausíveis.

Se o PSB, marineiros e tucanos quiserem impedir que o PT permaneça no governo por 16 anos seguidos, em algum lugar alguém pensará o impossível: Marina Silva na campanha de Aécio Neves. Olhando-se essa hipótese pela ótica da política é enorme o espaço que os separa. Pela ótica da História, caso ela esteja no tabuleiro, é razoável. Se não estiver, paciência. Tancredo não fazia só política, fazia História.

Eduardo Campos morreu na mesma data que o avô Miguel Arraes, 13 de agosto.


Nenhum comentário:

Postar um comentário