sábado, 5 de abril de 2014

Roque Santeiro: Umas das melhores histórias já contadas em uma novela

Sátira à exploração política e comercial da fé popular, marcou época apresentando uma cidade fictícia como um microcosmo do Brasil.



Sátira à exploração política e comercial da fé popular, a novela marcou época apresentando uma cidade fictícia como um microcosmo do Brasil. A cidade é Asa Branca, onde os moradores vivem em função dos supostos milagres de Roque Santeiro (José Wilker), um coroinha e artesão de santos de barro que teria morrido como mártir ao defender a cidade do bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro). O falso santo, porém, reaparece em carne e osso 17 anos depois, ameaçando o poder e a riqueza das autoridades locais.
Dias Gomes
No dia em que o bando de Navalhada invadiu Asa Branca, todos os habitantes fugiram apavorados, enquanto Roque Santeiro desapareceu, sendo dado como morto. Logo após o incidente, uma menina que conseguiu sobreviver e disse ter visto o rapaz em uma visão. A notícia se espalhou, e Roque, tido como salvador da garota, foi santificado. Uma estátua em homenagem ao herói foi erguida em praça pública, e a população logo passou a lhe atribuir curas e milagres.
A volta de Roque Santeiro e o reconhecimento de que tudo não passou de uma farsa significaria o fim do mito, prejudicando os interesses de todos os beneficiários da mentira, e também colocando em risco a sustentação da cidade.
Os representantes das forças políticas, religiosas e econômicas de Asa Branca se dividem entre os que defendem que a verdade deve ser revelada e os que querem manter o falso milagre porque precisam dele para sobreviver. Entre os que se sentem ameaçados com a volta de Roque estão o conservador padre Hipólito (Paulo Gracindo), o prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura), o comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus) – principal explorador da imagem do santo – e o temido fazendeiro Sinhozinho Malta (Lima Duarte), amante da pretensa viúva do santo, a fogosa Porcina (Regina Duarte). Incentivada por Sinhozinho, Porcina – que sequer conhecia Roque – espalhou a mentira de que havia se casado com o santeiro, e acabou se transformando em patrimônio da cidade. Quando conhece Roque, apaixona-se de fato por ele, formando com Sinhozinho e o santo o principal triângulo amoroso da trama.
A chegada de Roque Santeiro também atinge em cheio a vida de outra moradora de Asa Branca: Mocinha (Lucinha Lins), a verdadeira noiva de Roque. Mocinha nunca se conformou com o desaparecimento do noivo e esperou anos por seu amor, mantendo-se casta. Ao revê-lo, sua paixão reacende e ela se enche de esperança. Filha do prefeito e da beata Dona Pombinha (Eloísa Mafalda), ela é cortejada pelo soturno professor Astromar Junqueira (Rui Resende). Com o retorno do amado, Mocinha finalmente se entrega a ele, liberando sua sexualidade reprimida. Mas a personagem enlouquece ao término da história, perambulando pela cidade vestida de noiva.
No capítulo final da novela, após muitas tensões e reviravoltas, Roque Santeiro concorda em deixar a cidade. O mito não é desfeito, e o povo de Asa Branca segue acreditando em seu santo. A dúvida sobre com quem Porcina vai ficar perdura até a última cena, que lembra o clássico Casablanca (1942), de Michael Curtiz. A viúva não sabe se embarca com Roque num avião ou continua na cidade ao lado de Sinhozinho Malta. Diferentemente da personagem de Ingrid Bergman no filme, porém, ela decide ficar com o coronel.

Racha na Igreja

À frente dos que desejam revelar a verdade ao povo de Asa Branca está padre Albano (Cláudio Cavalcanti), que faz o contraponto com padre Hipólito (Paulo Gracindo), e é chamado de “padre comunista”. Por meio do personagem, a novela abordou um tema em voga na época, a divisão da Igreja Católica entre os tradicionalistas e os adeptos da Teologia da Libertação. Progressista, padre Albano luta a favor dos trabalhadores de Asa Branca e faz de tudo para revelar que o mito de Roque não passa de uma farsa. Em determinado momento da trama, ele tem um envolvimento com a filha de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), Tânia (Lídia Brondi), uma jovem contestadora que vive em atrito com o pai. Após muitas dúvidas, o padre termina a novela sozinho: “Sem a Igreja, sou como um soldado sem Exército”, diz à Tânia, explicando sua decisão.
Sexus
A chegada de Matilde (Yoná Magalhães) também movimenta a vida de Asa Branca. Velha amiga de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), ela abre na cidade a boate Sexus, e traz do Rio de Janeiro duas sensuais dançarinas: Ninon (Claudia Raia) e Rosaly (Isis de Oliveira). O trio de mulheres enfrenta a oposição de padre Hipólito (Paulo Gracindo) e das beatas da cidade, lideradas por Dona Pombinha Abelha (Eloísa Mafalda). 

Metalinguagem

Asa Branca também fica agitada com a presença de uma equipe de cinema que vai filmar a história de Roque Santeiro. Nesse núcleo, merece destaque o personagem de Fábio Jr., o ator mulherengo Roberto Mathias, que interpreta Roque Santeiro no filme. Roberto se envolve com a Viúva Porcina (Regina Duarte); com a filha de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), Tânia (Lídia Brondi); com Marilda Mathias (Elizangela); e com a reprimida Lulu (Cássia Kiss), esposa de Zé das Medalhas (Aramando Bógus). Em determinado momento da novela, Marilda engravida e fica sem saber se o pai da criança é Roberto Mathias ou Sinhozinho Malta, com quem ela também teve um romance.

A sofrida Lulu

A sofrida Lulu (Cássia Kiss) é outra personagem relevante de Asa Branca. Ela é a menina que diz ter visto Roque (José Wilker) depois de morto, fato que modificou inteiramente sua vida. Muitos achavam que ela deveria dedicar-se à religião e entrar para um convento, mas ela acabou se casando com o comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus), e vive reprimida pelo marido. Ele a obriga a ficar em casa como uma prisioneira, cuidando dos filhos. Sufocada com tamanha opressão, Lulu decide dar uma reviravolta em sua vida, e acaba se envolvendo com o mau-caráter Ronaldo César (Othon Bastos), ex-marido de Matilde (Yoná Magalhães), que aparece em Asa Branca para explorar a ex-mulher. 
Lobisomem
Um mistério desperta a curiosidade da população de Asa Branca: quem é o lobisomem que aparece nas noites de lua cheia e ataca as mulheres da cidade? O principal suspeito é o professor Astromar Junqueira (Rui Resende), por seu jeito misterioso e um tanto sombrio. No capítulo final, o telespectador descobre que o professor é realmente o lobisomem.


GALERIA DE PERSONAGENS

ROQUE SANTEIRO (José Wilker) – O grande mito de Asa Branca, filho do beato Salu (Nelson Dantas), irmão de João Ligeiro (Maurício Mattar) por parte de pai, e ex-namorado de Mocinha (Lucinha Lins). Ganhou o apelido devido à habilidade inata de modelar santos. Como o ofício foi interpretado como vocação religiosa, o rapaz chegou a ser sacristão. Era tímido, mas imaginoso, com talento para contar histórias. Seu sonho era sair da cidade e ganhar o mundo, carregando consigo um impulso aventureiro. Tornou-se o herói de Asa Branca quando a cidade foi invadida por bandidos, que ocuparam a prefeitura, exigindo resgate. Todos fugiram, mas ele permaneceu, defendendo o ostensório da igreja. Por isso teria sido morto, e seu corpo jogado no rio. Tempos depois, apareceu para uma menina doente, que logo ficou curada, e assim o mito teve início, levando Asa Branca a ser visitada por fiéis de todo o Brasil. A história verdadeira, porém, não é bem essa.
VIÚVA PORCINA (Regina Duarte) – Ignorante de berço, mas muito inteligente e intuitiva, especialmente para negócios vantajosos. Ganhou prestígio em Asa Branca com a história de que foi casada com Roque (José Wilker), a quem teria conhecido, quando trabalhava como balconista, em uma das viagens dele para vender santos. Os dois teriam se apaixonado e logo se casado, poucos dias antes de o santeiro voltar à cidade natal e morrer. Em Asa Branca, Porcina foi amparada por Sinhozinho Malta (Lima Duarte), de quem é amante, e virou parte fundamental na manutenção do mito. Sua fazenda é uma das maiores da região, e ela faz questão de ostentar sua riqueza e poder, sempre com grande mau gosto. É tida como santa, mas tem um comportamento muito duvidoso.
SINHOZINHO MALTA (Lima Duarte) – Fazendeiro e chefe político local, pai de Tânia (Lídia Brondi) e sogro de Marcelina (Wanda Kosmo). Só perde em prestígio para a Viúva Porcina (Regina Duarte), com quem pretende se casar, não só porque é apaixonado por ela, mas também para somar influências. Vaidoso, sua vida se resume a mulheres e dinheiro. Tem como uma de suas metas a construção do aeroporto da cidade, que vai lhe render muitos lucros, pois adquiriu as terras às margens do campo. Tem avião próprio, limusine, e uma grande coleção de perucas. A relação com Porcina esbarra na forte resistência de sua filha, que não aprova a união.
PADRE HIPÓLITO (Paulo Gracindo) – Típico padre do interior, paternal, às vezes brigão, sem papas na língua. Intransigente na defesa de rígidos padrões de comportamento. Dogmático, opõe-se à corrente renovadora da Igreja. Tem divertidos acessos de indignação, principalmente relacionados à inauguração da boate Sexus, mas não deixa de ser uma pessoa simpática.
FLORINDO ABELHA / SEU FLÔ (Ary Fontoura) – Prefeito de Asa Branca, marido de Pombinha (Eloísa Mafalda) e pai de Mocinha (Lucinha Lins). Fraco, pusilânime, inteiramente dominado pela viúva Porcina (Regina Duarte) e por Sinhozinho Malta (Lima Duarte), que o elegeram. Dono da melhor barbearia da cidade, onde costuma despachar. Tem grandes ambições políticas.
POMBINHA ABELHA (Eloísa Mafalda) – Mulher do prefeito (Ary Fontoura), mãe de Mocinha (Lucinha Lins) e líder das beatas. Diferentemente do marido, é forte e dominadora. Uma das principais articuladoras do movimento contra a inauguração da boate Sexus.
MOCINHA (Lucinha Lins) – Ex-namorada de Roque (José Wilker), filha de Pombinha (Eloísa Mafalda) e Seu Flô (Ary Fontoura). Sofreu muito ao saber do suposto casamento do namorado com Porcina (Regina Duarte), e fez voto de castidade, jurando não se casar nunca mais. Religiosa como a mãe, integra o grupo de beatas em guerra contra Matilde (Yoná Magalhães) e suas “meninas”. Meio histérica, costuma ter visões.
ZÉ DAS MEDALHAS (Armando Bógus) – Dono de uma pequena indústria que explora o mito de Roque Santeiro por meio da venda de medalhas, camisetas, amuletos e esculturas. Casado com Lulu (Cássia Kis Magro), pai de Tininha (Gabriela Bicalho) e Raul (Bruno César). Sonha ampliar seu negócio com o aumento da fabricação de mercadorias e a abertura de um supermecado.
LULU (Cássia Kis Magro) – Mulher de Zé das Medalhas (Armando Bógus), mãe de Tininha (Gabriela Bicalho) e Raul (Bruno César). Lugolina, seu nome de batismo, é a menina que, supostamente, viu Roque Santeiro (José Wilker) depois de morto e ficou curada. Tem desejo de vida, gosta de pintar-se e vestir-se bem, e de ir a festas, mas o marido a reprime, obrigando-a viver como prisioneira em casa.
MATILDE (Yoná Magalhães) – Dona da pousada do Sossego e da boate Sexus. Mulher livre e liberada, e ao mesmo tempo romântica. Tida como uma ameaça aos valores morais de Asa Branca, juntamente com suas “meninas” Ninon (Claudia Raia) e Rosaly (Isis de Oliveira), dançarinas da boate. Desperta curiosidade sobre seu passado.
PROFESSOR ASTROMAR JUNQUEIRA (Rui Resende) – Figura notória em Asa Branca por ter escrito um folheto em versos alexandrinos contando a história da cidade, e pelos boatos de que vira lobisomem após a meia-noite. Presidente do Centro Cívico Asa Branquense e orador de todas as cerimônias locais, tem uma paixão antiga por Mocinha (Lucinha Lins), para quem escreve sonetos apaixonados no jornal. Pálido e sempre vestido de preto, o que reforça a lenda sobre sua transformação em lobisomem.
TÂNIA (Lídia Brondi) – Filha de Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e da falecida Margarida (Lilian Lemmertz). Criada no Rio, volta a Asa Branca após a morte da mãe, que considera muito suspeita. Envolve-se com a equipe de cinema que chega à cidade para fazer o filme sobre Roque Santeiro. Sente um misto de desconfiança e amor pelo pai. É a principal antagonista de Porcina (Regina Duarte).
MARCELINA (Wanda Kosmo) – Avó de Tânia (Lídia Brondi), sogra de Sinhozinho Malta (Lima Duarte). Criou a neta, e compartilha com ela desconfianças quanto à morte da filha.
MARGARIDA (Lilian Lemmertz) – Mãe de Tânia (Lídia Brondi), falecida, ex-mulher de Sinhozinho Malta (Lima Duarte).  Aparece em flashbacks.
PADRE ALBANO (Cláudio Cavalcanti) – O padre progressista da região, representante da nova Igreja. Anda de lambreta, não usa batina e participa de movimentos comunitários. Vive em conflito com padre Hipólito (Paulo Gracindo).
ROBERTO MATHIAS (Fábio Jr.) – Ator que vive Roque Santeiro no filme sobre o santo milagreiro. Profissional irresponsável, decora as falas na hora da filmagem, chega atrasado e inventa pretextos para se ausentar da cidade e participar de farras. Tenta conquistar todas as mulheres da cidade, inclusive Tânia (Lídia Brondi) e a Viúva Porcina (Regina Duarte), metendo-se sempre em confusões.
MARILDA (Elizangela) – Mulher de Roberto Mathias (Fábio Jr.)
GERSON DO VALLE (Ewerton de Castro) – Diretor do filme sobre Roque Santeiro. Inteligente, bem-informado, ambiciona fazer um filme para ganhar prêmios em festivais. Um perfeccionista, que vive em conflito com o mundo e consigo mesmo, sem conseguir dar forma à maioria de suas ideias geniais.
LINDA BASTOS (Patrícia Pillar) – Atriz que vive Porcina no filme sobre Roque Santeiro. Vigiada constantemente pelo marido empresário, o ciumento Tito (Luiz Armando Queiroz). Ganhou fama na TV, e aceitou fazer o filme com a esperança de realizar um trabalho de maior impacto artístico.
TITO FRANÇA (Luiz Armando Queiroz) – Marido empresário e ciumento de Linda Bastos (Patrícia Pillar), controla-a o tempo todo. Não gosta muito da ideia de a mulher fazer o filme, preocupado com o que sua família vai achar.
CARLA (Cláudia Costa) – Continuísta do filme sobre Roque Santeiro.
LUIZÃO (Alexandre Frota) – Diretor de produção do filme sobre Roque Santeiro.
BEATO SALU (Nelson Dantas) – Pai de Roque (José Wilker) e João Ligeiro (Maurício Mattar), era vaqueiro quando a cidade foi invadida por bandidos e seu filho dado como morto. Virou místico e beato, construiu um casebre onde Roque supostamente morreu, e não saiu mais de lá, recebendo a visita de romeiros em busca de conselhos.
JOÃO LIGEIRO (Maurício Mattar) – Irmão de Roque (José Wilker) por parte de pai, filho de Beato Salu (Nelson Dantas). Aprendeu desde cedo a montar e a manejar o laço, o que valeu o apelido. Empregado na fazenda de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), onde foi criado.
DELEGADO FEIJÓ (Maurício do Valle) – Peão na fazenda de Saturnino Malta, pai de Sinhozinho (Lima Duarte), agora é delegado da cidade. Tem a fantasia de ser ator, e vive o papel de um bandido no filme sobre a vida de Roque Santeiro.
TONINHO JILÓ (João Carlos Barroso) – Jovem esperto, guia e cicerone dos turistas na cidade, usa um discurso decorado. Aproveita-se da boa fé dos romeiros para vender objetos que diz terem pertencido a Roque Santeiro.
CEGO JEREMIAS (Arnaud Rodrigues) – Cantador de Asa Branca, conta a história de Roque Santeiro em versos, na porta da igreja.
NINON (Claudia Raia) – Uma das “meninas” de Matilde (Yoná Magalhães), dançarina da boate Sexus.
ROSALY (Isis de Oliveira) – Uma das “meninas” de Matilde (Yoná Magalhães), dançarina da boate Sexus.
MINA (Ilva Niño) – Criada de Porcina (Regina Duarte). Fiel, confidente e cúmplice da patroa.
RODÉSIO (Tony Tornado) – Empregado de Porcina (Regina Duarte), tratado como escravo, o que alimenta nele certa revolta, sufocada pelo sentimento de fidelidade canina à patroa.
DECEMBRINO (Luiz Magnelli) – Porteiro da Pousada do Sossego. Nasceu em 1º de janeiro, mas seu nome já estava escolhido, então ficou sendo esse mesmo.
SUA MAJESTADE (Sandro Solviat) – O louco da cidade. Monarquista, interrompe os discursos do prefeito com gritos de “Viva a Monarquia!”.
SINHANA (Lícia Magna) – Empregada de Lulu (Cássia Kis Magro) e Zé das Medalhas (Armando Bógus), mantém a patroa sob vigilância, a mando do patrão.
DONDINHA (Cristina Galvão) – Empregada de Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e namorada de João Ligeiro (Maurício Mattar).
TERÊNCIO (Valdir Santana) – Capataz de Sinhozinho Malta (Lima Duarte).
NOÊMIA (Ana Luiza Folly) – Secretária de Sinhozinho Malta (Lima Duarte).
TININHA (Gabriela Bicalho) – Filha de Lulu (Cássia Kis Magro) e Zé das Medalhas (Armando Bógus).
RAUL (Bruno César) - Filho de Lulu (Cássia Kis Magro) e Zé das Medalhas (Armando Bógus).
Autoria: Dias Gomes
Coautoria: Aguinaldo Silva
Colaboração: Marcílio Moraes e Joaquim Assis
Supervisão: Daniel Filho
Direção: Paulo Ubiratan, Jayme Monjardim, Gonzaga Blota e Marcos Paulo
Direção-geral: Paulo Ubiratan
Período de exibição:24/06/1985 – 22/02/1986
Horário: 20h
Nº de capítulos: 209

CENSURA
Em 1975, Roque Santeiro teve uma versão proibida, protagonizada por Betty Faria (Porcina), Lima Duarte (Sinhozinho Malta) e Francisco Cuoco (Roque Santeiro). Já haviam sido gravados 30 capítulos da novela quando a Censura Federal percebeu que se tratava de uma adaptação do texto teatral, vetado anteriormente, O Berço do Herói, escrito por Dias Gomes em 1963.
No dia da proibição, o locutor Cid Moreira leu no Jornal Nacional um editorial assinado pelo presidente da Rede Globo, Roberto Marinho, anunciando o veto. Em meio à comoção da equipe, a emissora teve apenas três meses para produzir outra novela. Para preencher o buraco na programação, foi exibida uma reprise compacta de Selva de Pedra (1972), de Janete Clair, posteriormente substituída por Pecado Capital (1975), da mesma autora. Para a realização desta novela, parte do elenco e dos cenários de Roque Santeiro foi aproveitada. Embora tenha sido produzida e gravada às pressas, Pecado Capital se tornou um marco da teledramaturgia brasileira.
A intervenção da Censura Federal, proibindo a exibição da primeira versão de Roque Santeiro, rendeu uma breve internação de José Bonifácio de Oliveira, o Boni, em uma casa de saúde, com suspeitas de enfarto.
O diretor Dennis Carvalho, que interpretaria o personagem Roberto Mathias na primeira versão de Roque Santeiro, lembra que, assim que a novela foi censurada, sugeriu a ida dos atores a Brasília como uma forma de protesto. A ideia era tentarem ser recebidos pelo presidente da República, Ernesto Geisel. A audiência com o presidente não aconteceu, mas a viagem do elenco rendeu cobertura da imprensa.
A versão de 1985 de Roque Santeiro era praticamente a mesma que havia sido censurada em 1975. Quase nenhum personagem novo foi introduzido, e a trama central da história se manteve idêntica, com poucas adaptações. Na nova versão, Asa Branca deixou de ser apenas uma cidade do interior da Bahia para representar uma mistura de várias regiões brasileiras.

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