domingo, 20 de abril de 2014

Quem mancha a imagem da Petrobrás?

O que pode manchar a imagem pública de uma grande empresa como a Petrobrás? 

A crítica, a denúncia e os alertas dos equívocos e descaminhos da sua gestão? Ou, antes, são estes equívocos e descaminhos (para dizer o mínimo) que estão prejudicando o desempenho econômico e comprometendo o reconhecimento público da corporação brasileira? 

Claro que a imprensa divulga e critica, e não poderia ser diferente o papel dos órgãos de comunicação do país. Claro que a oposição explora politicamente os fatos e dados e é para isso que, felizmente, temos uma oposição no Brasil. O silêncio e a anestesia dos dois terminaram com o fim da ditadura de triste memória. 

A presidente da Petrobrás teve um gesto democrático de prestar informação e debater no Senado com respeito pelas criticas, algumas vezes muito duras e tentando responder como gestora da grande empresa. Inaceitáveis, contudo, são as tentativas de esconder os fatos e dados com o velho discurso de desqualificação da informação da imprensa e da critica da oposição, pretensamente para preservar a imagem da empresa. 

O principal culpado das dificuldades da Petrobrás não é a imprensa, não é oposição nem mesmo a presidente da grande corporação. O principal culpado é o governo que utiliza politicamente a empresa – empresa de capital aberto com 573 mil acionistas – para represar as pressões inflacionárias. 

A Petrobrás é a única empresa petroleira do mundo que perde dinheiro quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional; simplesmente porque, ao contrário da fanfarronice de Lula comemorando em 2006 a autossuficiência do Brasil, a Petrobrás importa muito petróleo, e compra caro a preços internacionais e tem que refinar e vender barato os combustíveis. 

Com defasagem de preço estimada em 20%, a Petrobrás tem dificuldades de financiamento do enorme investimento necessário para exploração das reservas, inclusive do comemorado pré-sal.

A Petrobrás vende caro. Nosso combustível está entre os mais caros do mundo. As outras petrolíferas conseguem vender a preço menor, com lucro.Talvez, além de uma CPI, fosse necessário criar um seminário, um evento com a participação de economistas, administradores, especialistas, para que decifrem o mistério enigmático de como uma empresa gigantesca, como a Petrobrás, consegue perder dinheiro, acumular prejuízos bilionários, vendendo seus produtos a preços exorbitantes, à vista, boa parte em dinheiro vivo, sem concorrência devido ao monopólio, com significante parte de matéria prima retirada de suas próprias fontes. Um evento como este poderia achar respostas surpreendentes.

O problema está, justamente, na ineficiência da gestão da empresa. O preço pago pelo consumidor não cobre as despesas com o refino, e transporte e demais fases do processo, até que o produto chegue na ponta, no consumo. Os lucros em queda da empresa, em parte, refletem esta diferença. E se os custos não são cobertos, isto reflete a opção por uma política de sustentação artificial da inflação, em ano eleitoral. Esperemos o pipoco dos preços da gasolina, assim que sejam realizadas as eleições. Herança maldita para a futura gestão do país.

Sobre Pasadena. É e foi correta a política de comprar refinarias no Exterior. Permitiria à empresa agregar valor em divisa vendendo derivados e não petróleo bruto. Lamentável que a empresa hoje esteja financeiramente encalacrada e assim obrigada a se desfazer de seus ativos aqui e lá fora, inclusive refinarias. Outra coisa são as negociatas que envolveram a compra de Pasadena e a venda da refinaria argentina. Não é a oposição nem a mídia que cuidam disso. 

É a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas da União e a Corregedoria Geral da União, além da própria empresa. Isso pela simples e óbvia razão que o assunto se transformou em caso de polícia. É farta, muito farta a documentação já recolhida pela PF e demais instituições. Quando ao negócio, foi a presidente Dilma e a presidente da Petrobrás que disseram com todas as letras que foi ruinoso, deu prejuízo. A presidente não autorizaria se soubesse de todas as cláusulas do contrato. 

A presidente Graça Foster não repetiria o negócio. Esses os fatos incontestes e contra eles fracassará qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira. Para que fuque claro: é de corrupção e grossa patifaria que se trata a questão conforme a Polícia Federal que também investiga em processo à parte a venda da refinaria da Argentina. Vale lembrar que o presidente e toda diretoria da Petrobrás Argentina foram sumariamente demitidos por Graça Foster diante das evidências de roubalheira. 

Foi a Ditadura Militar (Delfim Netto) que inaugurou a prática de tentar segurar a inflação segurando os preços administrados e as tarifas públicas. Isso resultou num desastre como mostra a história. Num caso pelo menos, as siderúrgicas, foral literalmente quebradas (exigindo enormes aportes do Tesouro) com a política de vender aço barato, principalmente para as multinacionais do automóvel. 

Manipular preços de combustíveis, energia elétrica e outros não segura a inflação, apenas transfere o estouro para depois,no caso depois das eleições, como fez Sarney com o Plano Cruzado. Pior, o represamento artificial de preços desorganiza a economia e todo o sistema de preços relativos com graves consequências para o próprio crescimento econômico. No caso em, questão temos a quebra de uma centena de usinas de álcool e a falta de investimentos no setor.



Resultado: se antes Lula recebia Bush com um boné da Coopersucar para quebrar os entraves à entrada do álcool brasileiro nos EUA hoje gastamos milhões de dólares importando etano de milho. A razão é clara. Com a gasolina “barata” em termos relativos, o álcool deixou de ser lucrativo. 

Combater a inflação deve ser ação de política econômica de governo, principalmente induzir o crescimento e o aumento da oferta de bens e serviços. Além, claro, do indispensável aumento da produtividade brasileira. Só isso contém preços.

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