quarta-feira, 9 de abril de 2014

Esclarecimentos Políticos

Alguns esclarecimentos políticos antes que me taxem disso ou daquilo...

O Lula foi o primeiro dirigente brasileiro que realmente se preocupou com o maior dos problemas do país: a miséria e a desigualdade social. Além do mais, um operário como ele ascender ao poder e fazer um governo tão importante é motivo de orgulho para um país cuja democracia é tão jovem e que tem uma história abjeta de exploração dos mais pobres por suas elites.

O Bolsa Família foi melhor que o Plano Real, isso é claro. O plano Real estancou a inflação num momento em que a economia globalizada já não comportava mais países considerados “players” com inflação alta. Se não fosse o plano Real, seria outro. A economia mundial se encarregaria de acabar com a inflação brasileira, porque deixara de ser interessante investir num país de economia tão bagunçada. E o mundo precisava de novos mercados para investir. Um país como o Brasil, em resumo, com mais de 150 milhões de habitantes, simplesmente precisava ter uma economia razoavelmente estável, senão não seria mercado para ninguém.

FHC entregou o patrimônio nacional a preço de banana e ainda financiou sua compra com juros muito camaradas nas privatizações. Isso é imperdoável. As estatais eram mal administradas? Que o governo cuidasse para que fossem bem geridas. E não vendesse para que grupos privados passassem a lucrar loucamente de um dia para o outro. Hoje é mais do que claro que telefonia, energia, mineração, rodovias e muitas outras áreas em que as estatais atuavam são operações lucrativas. Se podem dar lucro a grupos privados, por que não podem dar lucro a governos? 

Por que os governos federais, estaduais e municipais que detinham já esse patrimônio não poderiam usar essas estatais para gerar recursos e aplicá-los no bem comum? No fim, um monte de gente, vários grupos financeiros e empresariais, encheu as burras com as privatizações e enche até hoje. Já Lula, para mim, foi modesto no segundo mandato no que diz respeito aos avanços sociais. Não tinha de fazer acordos com grupos políticos que sempre criticou em nome da governabilidade. 

A governabilidade eram seus eleitores. Acabou se juntando com gente que não vale um centavo. Lula tinha, e tem, patrimônio político para fazer o que quisesse, avançando mais na educação, na distribuição de renda, na moradia e na saúde. Mas o que fez, que para muita gente foi pouco, já é infinitamente mais do que foi feito para o povo brasileiro nos 502 primeiros anos de sua história.

A imprensa brasileira continua nas mãos de poucos grupos familiares de claras tendências políticas de direita. Gente que enriqueceu muito fácil com todos os governos passados e que nunca engoliu um operário na presidência da república. Sendo assim, tudo que é PT é escândalo e culpa-se diretamente suas lideranças. Tudo que é PSDB é tratado como desvios de conduta que suas lideranças desconheciam. 

Exemplos claros são o mensalão, que é quase uma ficção, e os escândalos dos cartéis de trens em São Paulo, que têm valores claros, acusações nominais e efeitos bem concretos. A imprensa ficou histérica até que os líderes petistas fossem presos, mesmo sem provas. 

Essa mesma imprensa mostrou com provas os escândalos de São Paulo, mas nunca deu chilique para que seus responsáveis fossem punidos. Luta de classes, em resumo. O baronato da mídia gosta mais de champanhe do que de cerveja e torce o nariz para o novo momento do Brasil.

Por que Cuba assusta tanto os brasileiros conservadores? Qualquer coisa assusta os conservadores. No caso específico de Cuba, o medo vem de que o Brasil pudesse ter se transformado num país comunista, ou socialista, no rastro da revolução de 1959. 

Qualquer revolução que tire os privilégios políticos e econômicos das elites deixa essa gente apavorada. Mas isso não aconteceu, não vai acontecer, e a revolução brasileira é de outra natureza. Quanto a Cuba, a direita brasileira nem sabe o que acontece lá. Os cubanos são donos do seu destino. Isso é o que importa.

O comportamento da mídia será o de sempre. Fazendo campanha aqui e ali, tentando esculhambar o PT, tratando os diferentes candidatos em função de suas preferências etc. E fingindo ser imparcial e apartidária. Ainda bem que hoje a internet, de uma certa forma, consegue equilibrar as coisas.

A verba de publicidade do governo deve seguir alguns critérios técnicos, sem dúvida, mas deve também estimular o livre pensamento e a diversidade de ideias. Por isso, acho um erro a concentração de verbas em grandes veículos que cobram valores extorsivos. 

E que usam seu tempo e páginas, muitas vezes, para sabotar iniciativas governamentais que são benéficas ao país. Eu, como governo, jamais ajudaria a financiar aqueles que têm como maior objetivo minar minhas ações. 

Quem deveria recusar anúncios governamentais é essa mídia neo-liberal que acha que o Estado é o culpado de tudo num país. Mas eles não recusam, ao contrário. É fácil pregar um Estado pequeno que interfira pouco na economia de mercado, desde que o dinheiro desse Estado ajude a financiar a atividade privada — em vez de ser usado para estimular o bem social e comum. Isso eu também quero.

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