quinta-feira, 13 de março de 2014

Farinha pouca meu pirão primeiro

Barbosa ameaça a categoria com proposta de fragmentação.

O homem que quer ser maior que o próprio Supremo Tribunal Federal resolveu, em mais uma demonstração evidente de descaso com a história dessa instituição, dividir os servidores do Poder Judiciário, preterindo e excluindo do reajuste salarial que cobramos há muitos anos todos aqueles que não carregam no crachá a sigla STF.

Sim, o autoritarismo à moda Joaquim Barbosa, que não dá valor a nada nem ninguém senão a ele mesmo, prepara-se para fazer mais e mais vítimas promovendo um racha sem precedentes na história do Poder Judiciário. Para ele, a lógica é simples, quem é servidor do STF será valorizado, quem não for ficará para trás.

Mais do que valorizar os servidores do Supremo, Joaquim Barbosa quer se livrar da responsabilidade que tem sobre todos aqueles que compõem a nossa categoria, colocando em votação administrativa a criação de carreira específica para os servidores do tribunal que ele considera seu reino particular.

Joaquim ignora solução para reajuste

Em reunião no dia 26 de agosto de 2013, o Sindjus, reivindicou diretamente ao presidente do STF a imediata valorização salarial dos servidores do Poder Judiciário, colocando-se à disposição para contribuir com essa construção.
De lá para cá, não tivemos nenhum sinal de que Joaquim Barbosa deu importância alguma a esse pleito, que é o desejo expresso da categoria aprovado num espaço soberano – o 6º Congresso do Sindjus, em 2011:
“Garantir a equiparação – inicial e final – das carreiras do Judiciário e do MPU às carreiras análogas do Executivo e Legislativo”.

Joaquim cria proposta em surdina

A Constituição ressalta a importância do Supremo, inclusive como seu guardião, mas não diz em momento algum que o Judiciário se resume ao STF. Portanto, o presidente Joaquim Barbosa deveria respeitar seus pares. Os estudos que culminaram na criação de uma carreira própria para os servidores do STF foram feitos em surdina, sem o conhecimento do sindicato, do coletivo dos servidores ou dos outros presidentes de tribunais.

A falta de compromisso e de bom senso de Joaquim Barbosa pode fazer com que a valorização dos quadros, tão necessitada pela categoria, só aconteça no âmbito do STF, criando um cenário de desigualdade interna bastante grave no tocante à carreira e aos salários dos servidores do Poder Judiciário.

Dois pesos, duas medidas

Como presidente do CNJ, Joaquim Barbosa defende a unicidade, a uniformização da Justiça, e a valorização do primeiro grau.Já como presidente do STF, coloca o Supremo debaixo do braço e dá as costas para tudo mais, atropelando tudo e todos com práticas fragmentadoras. As atitudes mostram que aquele Joaquim, do CNJ, é uma farsa. Afinal, defendeu o reajuste dos magistrados, dos CJs e agora dos servidores do STF. Alguém ainda precisa de provas da postura extremamente egoísta e mesquinha de Joaquim Barbosa?

Como presidente do STF não se empenhou para resolver demandas antigas dos servidores como a GAJ 100%, o PL 6613/09 e o PL 319/07. Além de não realizar nada, trabalha por debaixo do pano para prejudicar ainda mais os servidores que já estão desvalorizados por conta de sua inércia. Ele é indigno de ocupar o CNJ, pois o presidente do Conselho precisa defender com equidade todos os servidores. Portanto, o Sindjus defende a saída imediata de Joaquim Barbosa da presidência do CNJ.
Se quer defender só o Supremo que renuncie ao Conselho.

Sindjus oficia Joaquim Barbosa

Em ofício encaminhado ao presidente Joaquim Barbosa, protocolado no dia 12, o Sindjus repudia o fato de, embora representar todos os servidores do Poder Judiciário, não ter sido chamado para participar da construção dessa proposta. O sindicato reitera que a proposta de reajuste salarial tem de ser feita para todos os servidores do Poder Judiciário da União, tendo como foco a equiparação salarial dos servidores do Poder Judiciário com as carreiras de atribuições e atividades semelhantes do Poder Legislativo e do Poder Executivo, que é bandeira histórica e constitucional defendida pelo Sindjus ao longo de usa história.No documento, Sindjus alerta sobre descontentamento da categoria e possibilidade de greve:

“A entidade representativa da categoria alerta para o fato de que a preterida cisão, com inegável distinção salarial, ocasionará verdadeira ojeriza e revolta em toda a categoria, que inevitavelmente se valerá dos instrumentos democráticos de pressão, tal como a greve, para impedir essa iniciativa com consequências funestas, o que poderá prejudicar os processos judiciais, os jurisdicionados e a própria democracia, ressaltando estarmos às vésperas do processo eleitoral”.

Depois de muitas considerações (veja ofício completo aqui), o sindicato se posiciona veemente contra a cisão das carreiras judiciárias e suas tabelas salariais, ciente de que tal medida enfraquece a categoria com a criação de servidores de 1ª e 2ª classe. Ao final, deixa claro que a proposta para todos os servidores deve ser encaminhada ao Congresso:

Requer que o Supremo Tribunal Federal encaminhe ao Congresso Nacional a proposta contemplando a isonomia de todos os servidores do Poder Judiciário da União aos servidores do Poder Legislativo”.

Sindjus alerta os demais ministros do STF

A partir da lógica de que o STF não é Joaquim Barbosa, mas uma Corte composta por onze ministros, o Sindjus encaminhou ofício também aos demais integrantes apelando ao bom senso. No documento, defende equidade de tratamento com valorização salarial para todos os servidores do Poder Judiciário.

O ofício é um apelo para que os ministros não aceitem mais esta atitude antidemocrática de Joaquim Barbosa e não se curvem à tentativa de aprovar a fragmentação da nossa categoria.

Além dos ministros do Supremo, os presidentes dos tribunais superiores e do TJDFT também já começaram a ser mobilizados pelo Sindjus para que a isonomia seja respeitada.

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