segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Por que o brasileiro é tão corrupto?

Não sou eu que estou dizendo, é a Transparência Internacional que divulgou, no final do ano passado, um ranking onde o Brasil aparece na 72ª posição, com 42 pontos.

Beleza, não estamos no top five dos países mais corruptos, mas, pra mim, já não dá muito orgulho de ser visto assim pelo mundo.
2013 foi um ano em que fomos destaque nos noticiários internacionais por causa da nossa corrupção. Era nós abrirmos qualquer portal de internet que lá estava o nome mensalão em destaque.
E por que somos assim? Por que há esse sentimento que o Brasil é um país que não vai pra frente?

Um fato me chama atenção: lembram quando o imperador francês Napoleão Bonaparte estava prestes a invadir Portugal? Dom João VI, para defender seu pais, corajosamente, saiu fugido de Portugal carregando, junto, a família real. Uma atitude um tanto quanto heróica a patriota, não? (Ironia mode: on).
Ficou escondido explorando a colônia e, muito tempo depois, voltou a Portugal ainda na condição de rei. Como? Como isso? Como ele conseguiu?
Já ouviu falar no jeitinho brasileiro? Eu acredito que sua essência desse termo venha desta época. De uma maneira torta, mais ou menos, desestabilizada, não linear, desequilibrada, irregular, o rei fugido retornou ao trono.
Isso me lembra muito o “jeito brasileiro”. Poder não pode. Existem leis e regras, mas, com uma conversa aqui, uma sem-vergonhicezinha ali, um chazinho de cadeira acolá as coisas vão se aprumando. Talvez (geralmente) umas verdinhas fazem a diferença.

Então é o exemplo vindo da nossa “matriz”, digamos assim. “Afinal, se o Rei de Portugal conseguiu fugir e voltar como rei, talvez eu também consiga. Depende do meu talento em enrolar e levar as coisas.”
Quando um vereador, deputado, senador, político ou uma autoridade qualquer aparece em rede nacional… sei lá… um exemplo louco que nunca aconteceria aqui… vai… enfiando dinheiro na cueca e, através de leis, sai livre da cadeia, o cidadão comum provavelmente olha e pensa, talvez até de forma inconsciente:
- Se ele, que é uma autoridade que representa o meu pais, pode… Talvez eu também possa.
Aí esse cidadão rouba um pote de manteiga e… é posto atrás das grades porque não teve sorte na sua primeira empreitada fora da lei.
Então você ouve “se fosse rico”, “se fosse branco”, “se fosse influente”.
A questão não é bem essa. A mesma lei que reje os direitos do rico, reje os do pobre. Mas o advogado do rico está mais preparado, conhece mais as falhas da lei e as usa suas artimanhas para libertar seu cliente. E ele dorme bem, com a consciência traquila porque, afinal, ele está dentro da lei. É legítimo, mas muito pouco ético. E quem está ligando pra ética, né?
Se a TV veicula um político roubando e saindo livre e sorridente, o cidadão pobre, miserável… Não, mentira. Qualquer um: rico, pobre ou classe média. Qualquer um, na verdade, se sente encorajado a ser corrupto, desonesto. Afinal, é o nosso jeitão. O jeitão brasileiro.
- Ah, Oscar. Você está exagerando. Eu não sou desonesto…
Estou falando de pequenas infrações, as leves transgressões, sabe? Aquelas que “parecem” não fazer mal à ninguém… E, às vezes, é tão comum, tão corriqueiro e usual, que a pessoa sequer sabe que está sendo desonesta porque ela aprendeu a ser assim. “Recebi o troco errado… Ah, mas cinquenta centavos não vai fazer diferença pra padaria”.
Quando o Lula foi fazer campanha política quando não podia, foi multado. Valor da multa: R$ 15 mil… Bobagem quando muito dinheiro está em jogo, né? Se a multa para ultrapassar a velocidade fosse dois reais, não haveria papel suficiente para a emissão delas. Mas todos os outros políticos veem aquilo e pensam: “Esse Lula é demais! Que exemplo!”. Passa a ser enaltecido. Ele fez algo que todos queriam fazer e encontrou um jeito de agir dentro da própria lei. Legítimo, mas não ético. Mas, afinal…
Enquanto tivermos líderes que nos encoragem com maus exemplos, seremos assim para todo o sempre.
Por Oscar Filho (humorista e repórter do CQC)




Nenhum comentário:

Postar um comentário