sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Intolerância e Liberdade de Expressão Hipócritas no Brasil (Por Thiago Muniz)

Lema da sociedade brasileira: Jovem rico deve ser compreendido e Jovem pobre deve ir para o pelourinho.

Há três anos - mais do que mil e uma noites - que Raquel Sheherazade conta suas versões da história do Brasil que talvez gerem mais pesadelos do que sonhos tranquilos para os telespectadores.

Marco Feliciano que apoia o discurso de Raquel - principalmente o referente aos justiceiros do Flamengo - levou trezentos e sessenta e cinco dias tocando terror na CDH e está processando o Porta dos Fundos por ofender a moral cristã em seu vídeo de Natal. 

Jair Bolsonaro quer o lugar que foi ocupado por Feliciano na CDH e as histórias que ele tem potencial para contar gerariam um terror muito mais patético do que o de seu colega.


Está na hora do Brasil reorganizar as rumos da sua narrativa pois se não o fizer já corre o risco de entrar para a história como um país que não soube escrevê-la, não soube contá-la e não soube lê-la, por muito mais do que mil e uma noites.

Rachel Sheherazade, a repórter do SBT, foi ao público dizer a sua opinião sobre o menino que foi acorrentado ao poste depois de ter sido surrado e despido por um grupo de justiceiros. 

O fato atiçou os dedos nos teclados de todos e vimos ataques ferrenhos a repórter. Embora tenha ficado estarrecida com a postura da infeliz, a despeito d´eu tê-la julgado como uma completa boçal, acho que o direito dela de expressão não pode ser menor do que as minhas ideias e os meus valores. 

Tudo bem, ela é jornalista, tem aquele papo todo de ética, de discurso fascista e bababá bububú. Sei disso.

Mas de tudo que li, tive uma grande dúvida: temos o direito de nos expressar, mas a liberdade, de fato, existe no nosso país?

Esta pode acabar quando ofende os princípios de terceiros?

A sua liberdade termina quando a sua ideia contraria a minha?


Não. Não era para ser assim... antes de mais nada, vale saber que se hoje não estamos de acordo com o que um fala, amanhã poderemos ser nós os que são contrariados quando viermos a público. 

Será certo fazer com que prendamos e domestiquemos as nossas palavras? A garantia da liberdade de se expressar deve ser conservada, ainda que nos cause aversão? Limitá-la não seria o mesmo que censurá-la?

É muito difícil defender a liberdade de expressão escutando aquilo que não se deseja ouvir, sabendo que ela, a liberdade de se expressar, esteja se tornando o principal incentivo da propagação da violência em nosso país. 

Mas, de que vale essa liberdade de expressão se não se pode dizer o que se pensa? Se eu não reconhecer que o imbecil que fala seja um portador dos mesmos direitos que eu tenho, eu não estaria me igualando a ele em um certo tipo de imbecilidade?

Deixemos que os idiotas se manifestem. Parafraseando Martin Luther King, não devemos nos preocupar com o grito dos violentos, dos que não tem ética. Devemos sim nos preocupar com o silêncio dos bons. E acrescento, que estes falem, mas que também não alucinem.

Ter uma Rachel Sheherazade, um Bolsonaro e um Feliciano em nossos calcanhares é bom para se debater os fatos e as atualidades, pois vivemos num Brasil hipócrita e extremamente imparcial. 

Mas pelo menos sabemos que lado essas pessoas estão, sabemos qual o posicionamento delas.

É perigoso porque eles defendem preceitos e premissas totalmente extremas, mas sabemos quais serão os passos delas. 

Pior é convivermos numa sociedade onde caminha de acordo com as tendências onde são ditas, agem de acordo com que são mandadas e precedem de acordo com que são regidas, isto sim eu acho mais perigoso.

BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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