quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pessimismo ou Realismo?

Resolvi externar uma tese que defendo há anos, declarando antecipadamente que tenho sido voto vencido: a de que a maioria dos males dos quais somos vítimas-algozes de nós mesmos resulta de um único fato: somos um povo culturalmente autoritário!
A característica básica de um estado democrático de direito é a sujeição à carta magna e às leis POR TODOS. Somos um estado democrático de direito, mas não de fato.

Quem cumpre integralmente a carta magna e as leis em nosso país?
Os integrantes dos poderes executivos, legislativo e judiciário, seja em que nível for?

Num extremo, os letrados e diplomados, chegando aos pós-doutores?
Em outro extremo, os ignorantes e mesmo os analfabetos funcionais?

Ninguém, absolutamente ninguém (salvo raríssimas exceções, sendo discriminados por isso e taxados de chato ou algo pior ou mais deselegante, podendo sofrer, inclusive, retaliações!).

Nossa situação, por causa desse autoritarismo, fica agravada por causa de uma justiça inoperante e/ou corrupta na maioria das vezes, que em vez de estar perenemente cega fica temporariamente caolha, dependendo de quem a provoque ou dos interesses republicanos e/ou não-republicanos envolvidos.

E essa postura está tão culturalmente arraigada em nós, que aprendemos desde tenra idade até pelos maus exemplos dos que deveriam dar os bons exemplos, a começar, temos de ser imparciais nessa análise, muitas vezes pelos nossos próprios lares, visto que que sempre encontramos justificativas para o descumprimento das leis.

Vivemos num sistema que todos se beneficiam, e o que é pior: nos acostumamos e estamos perfeitamente adaptados! Por isso, sou convicto de que se queremos mudar as coisas, devemos começar por nós mesmos!

Na hora em que coletivamente começarmos a pensar e a agir de forma a não querermos mais que coisas desagradáveis ( em todos os níveis e graus) aconteçam, ou seja, abrirmos mão da adaptação ao sistema que (no fundo) mais prejudica do que beneficia, aí sim, teremos ventos de mudança.

Mas sou convicto também de que este dia ou época está muito longe de chegar!

Pessimismo ou realismo?

Por Hélio Vargas Chaves de Souza

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