quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O irritante jeitinho brasileiro de ser

Não entendo. Vejo tanta gente reclamando da Globo, de BBB, da Veja, do preço do Iphone, de políticos e do bababá e do bububú. Mas esses que reclamam são os mesmos que assistem a Globo, leêm Veja, estão com o último modelo do Iphone e votam sem estudo e sem consciência. 

Vai entender...



Agora, por exemplo, temos a moeda $urreal criada pelos cariocas para reclamar do abuso dos preços que vai de misto-quente à apartamento no Leblon. Mas muitos que reclamam mostram a nota para comprovar a veracidade e o abuso! Fala sério! Por que compraram??? Reclamar está no nosso sangue. A parte mais importante, que seria achar a solução para reclamação, simplesmente é abandonada, transformando a atitude de reclamar em algo totalmente inútil, a despeito de nos aliviar bastante. Mas infelizmente, isso somente não nos leva a nada. Por outro lado, também temos os adeptos à frase “não-vai-dar-em-nada”. Estes pertencem ao grupo dos “não-reclamantes”, mas que também são outros inúteis.

A causa de tudo isso está na educação. Daí, você, anti-sejaláqualforogoverno, diria que isso é resultado da falta de investimento do governo!!!


Essa é uma das possíveis causas, contudo, meu bem, não é a única. Somos extremamente mal educados em todos os sentidos, tanto na escola quanto na rua e no lar. E todos sabem que quanto menos educados, mais burros ficamos e eis que temos dados que comprovam a que nível chegamos: brigas de torcidas, 50 tons de cinza e Bruna Surfistinha como best sellers, fãs gritando quando Justin Bieber ganhou a Chave da Cidade do Rio de Janeiro pelas mãos do queridíssimo e amado prefeito Eduardo Paes, câmara de Deputados FEDERAIS premiando e homenageando em cerimônia pública Silas Malafaia, Vanderlei Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho ganhando a honraria máxima da Academia Brasileira das Letras, a medalha Machado de Assis e por aí vai...

Já viramos matéria de tese de doutorado. A resposta a tanta passividade pode estar na constatação de que o brasileiro é protagonista do fenômeno “ignorância pluralística” que se resume a "se o outro não faz, por que eu vou fazer?". 


Quantos ontem não vimos falando que já viram caminhões andando com caçambas levantadas. Por que não denunciaram? Por que? Maldita seja essa “ignorância pluralística”.Tanto os inúteis que só reclamam nas redes sociais e em comentários de jornais onlines quanto os inúteis que não reclamam são frequentemente associados, segundo pesquisas a nosso respeito, ao grupo que usa e abusa do "jeitinho brasileiro". 

É aquela coisa que principalmente a população brasileira é sagaz em fazer; saber reclamar mas não correr atrás e não enxergar as soluções. O povo brasileiro é especialista e dividir os defeitos e não somar as suas qualidades, por isso que não anda pra frente.

Os caras querem ser mega espertos e babaca, para eles, é quem não molha a mão do guarda, quem não tem gato, quem não anda no acostamento, quem não estaciona em vaga de deficientes, quem não fura fila, quem não se dá bem em cima da distração do outro... enfim, um mundo de gente com o rabo preso e querendo dar uma de certinho reclamando... E muitos desses que deitam e rolam nesse sistema passivo (e ao mesmo tempo mega agressivo) em que é natural, mega natural, passar por cima de um mendigo, vão para os EUA e voltam elogiando aquela merda toda e cospe em quem não tem condições para fazer a mesma coisa e mal-dizendo os brasileiros. 


Não tenho solução para nada, mas procuro fazer a minha parte. Ninguém aqui me vê reclamando por reclamar. Evito isso ao máximo. Pareço sempre de bem com a vida e feliz com todo esse inferno. Quando reclamo procuro fazê-lo para as autoridades (in)competentes. Denuncio. E ah sim, não compro Iphone ou algo que o valha, não leio Veja e revistas afins, não assisto televisão há mais de vinte anos.

O meu total desprezo, para esses, é o que eu pude fazer de melhor.

Complexo, mas simples assim.

Por Elika Takimoto (colunista colaboradora)

Nenhum comentário:

Postar um comentário