quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

José Mujica: o presidente rei da simplicidade

“As pessoas não compram com dinheiro, compram com o tempo que tiveram que gastar para ter esse dinheiro”



José Mujica, atual presidente uruguaio é uma figura emblemática da simplicidade e do desapego nos dias atuais. Um homem com seu posto, na maioria das vezes viveria com as mais sofisticadas regalias, tendo em volta tudo do bom e do melhor que está disponível no mercado. Mas José Mujica é diferente.
Talvez sua maior ousadia tecnológica seja se arriscar lendo jornais em seu Ipad. Mas para por ai. Mujica vive em em uma humilde chácara há cerca de 10 km de Montevidéu, com a proteção de apenas dois policiais em uma guarita improvisada. Ele vive com sua esposa, que também atua no meio politico. Mujica descartou o palácio presidencial e até chegou a oferecê-lo como refúgio para os sem-teto. Em troca das muvucas e da barulheira das grandes metrópoles, Mujica preferiu ficar apenas com o canto das aves de seu sitio.


E não ouse rotular Mujica como uma pessoa pobre, já que ele contra-argumenta com a seguinte frase:

“Eu não sou pobre. Pobre são aqueles que precisam de muito para viver, esses são os verdadeiros pobres, eu tenho o suficiente”

Quando a indústria da guerra enchia seus olhos com um possível confronto bélico na Síria, Mujica fez a seguinte declaração, conquistando ainda mais a simpatia do povo:

"Único bombardeio admissível na Síria seria de leite em pó e biscoitos"


Como politico, José Mujica é ousado. Vale ressaltar que o Uruguai é um país com apenas 3,5 milhões de habitantes, com a agricultura e a criação de gado como atividades econômicas principais, em que se vive um ritmo calmo de uma população madura. O país em si é mais famoso pela cultura do futebol e pelas praias de veraneio. Logo da chegada à Presidência de José “Pepe” Mujica, ex-guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, que passou 14 anos preso durante a ditadura militar, a primeira lei que chamou a atenção foi a descriminalização do aborto. O tema da interrupção da gravidez gerou forte oposição de setores religiosos, para quem o começo da vida  se dá desde a concepção. Ainda assim venceram os que defendem a regulamentação do aborto, quando ainda não se atinge etapas avançadas da gestação, a fim de evitar procedimentos clandestinos, sem condições sanitárias e com frequentes consequências graves para a mãe, em especial  as pertencentes à população pobre. O resultado foi positivo. Em seis meses de legalização, Uruguai não registrou mortes de mulheres que abortaram. Foram realizados 2.550 abortos legais. Uruguai se tornou um dos países com taxas de aborto mais baixas do mundo.

A segunda lei que colocou o Uruguai na vanguarda progressista da América Latina foi a do matrimônio igualitário, de abril de 2013. A legislação permite a adoção também aos casais homossexuais e que a ordem do sobrenome dos filhos seja decidida pelos pais. O Uruguai também fez possível o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas.

A terceira lei que fez voltar os olhos para o Uruguai foi a legalização da maconha, cujas características da legislação a fazem única no mundo. Já era possível cultivar e possuir a erva para consumo individual, como em outros países, mas agora o Estado passaria a controlar produção, distribuição e venda.

José Mujica tem suas individualidades como qualquer pessoa, o Uruguai também tem suas características. Não há como adotar exatamente as mesmas medidas no Brasil ou em outro país. As culturas são diferentes, a população é diferente, tudo é diferente. Porém fica a lição de um país que resolveu quebrar vários temas considerados tabu para beneficio do seu próprio povo. 



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