segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Antes marginalizado, handebol vira vitrine olímpica

O título mundial conquistado pela seleção feminina de handebol do Brasil neste domingo deve ter efeitos práticos enormes para a modalidade e para o esporte olímpico brasileiro de forma geral. A começar pelo fato de o País ter descoberto, há seis meses da Copa, a emoção de uma Olimpíada.
Não é segredo para ninguém que o handebol sempre foi um esporte marginalizado no Brasil. Piadinhas do tipo: “handebol é gincana” ou “handebol é esporte de educação física” partem sempre daqueles que julgam que esporte de verdade é o futebol. Basquete também é esporte. Vôlei também. Boxe e judô também, assim como o tênis. Mas o resto, ah o resto é brincadeira de gincana.

Essa cultura esportiva brasileira está diretamente relacionada a resultados. O basquete é forte no Brasil porque, lá em 1948, a seleção masculina já ganhou sua primeira medalha olímpica. São 65 anos levando basquete a sério. O vôlei tem uma tradição menor, mas fortíssima, baseada em resultados e investimento financeiro. Passa na Globo, é esporte. O boxe vem desde Eder Jofre. O tênis, com Esther Maria Bueno. No judô, ganhamos medalhas sempre desde 1988.
Mas o handebol sempre foi taxado de modalidade restrita à aula de educação física. Resultado de uma engrenagem que só agora passou a funcionar. O Brasil formava jogadoras (principalmente meninas), mas a falta de resultados internacionais não permitia sequer que elas pensassem em profissionalização. Sem isso, não há como ter resultado.
A dificuldade estrutural de se levantar uma quadra de vôlei ou de se conservar uma tabela de basquete fez com que, historicamente, o esporte mais praticados nas aulas de educação física por todo o Brasil fosse o futsal. Numa sociedade machista como a nossa, os meninos “jogam bola” e as meninas precisam de uma alternativa. O handebol.


Esse burburinho que se tornou a fase final do Mundial, principalmente o título conquistado neste domingo, é em parte aquela paixão de colégio pelo handebol. Que estava guardada, igual nossa paixão pelo boxe. Mas que agora pode se tornar pública porque temos para quem torcer, temos chance de vencer. Mais do que isso: vencemos.
Ao descobrir o handebol como um esporte competitivo, o Brasil descobriu também uma modalidade interessantíssima. Que tem gols os gols do futebol, a truculência dos esportes de contato, o placar parelho dos melhores jogos de basquete, a plasticidade de um belo ataque de vôlei…
O “hand”, assim, tem tudo para liderar um movimento por um tratamento diferente ao esporte olímpico brasileiro. O handebol deverá receber maior atenção do COB e do Ministério do Esporte (também de patrocinadores) e passar a ser o garoto propaganda da ideia de que o Brasil ganhar medalha em muitas modalidades nas quais não se espera.
Assim como descobriu o handebol, o Brasil pode descobrir o BMX, que eu digo há algum tempo que tem tudo para ser um esporte de muita importância nos Jogos do Rio (é o único radical no programa). Pode descobrir que é legal assistir a um bom jogo de badminton, que existe muita emoção numa partida de rúgbi.
A tendência é o Brasil passar a conhecer esportes pelos quais nunca se interessou e, quem sabe, descobrir novas paixões. O handebol abriu a porta. Agora é deixar as outras modalidades entrarem.

O Brasil é um país engraçado mesmo.

As meninas do Handebol vão lá para a Sérvia, sem qualquer apoio da população, esquecidas pelos patrocinadores, ignoradas pela imprensa de um modo em geral, vencem um torneio difícil pra caramba, porque se esforçaram e se dedicaram muito sem apoio quase nenhum e agora aparece um monte de gente querendo ser o pai da Criança?


O Título de Campeão Mundial de Handebol Feminino não é do BRASIL NÃO, não é da população num todo não, o Título é delas somente, e de quem acreditou nelas, de quem apoiou quando os olhos estavam voltados para esportes de gastam MILHÕES por ai e não vem trazendo quase nenhuma conquista.


As Meninas do Handebol os meus PARABÉNS pelo esforço e pela conquista de um campeonato importante, isso é de vocês e só de vocês. 


Quando o BRASIL for um país que investir em esportes como investe em no Futebol e quando der apoio e atenção a atletas que não sejam celebridades, então poderemos dizer que sim, Fomos campeões coletivamente. 


PARABÉNS POR VENCER SEM QUASE NENHUM APOIO.




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