quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Que mané Zumbi! Encosta na Parede Neguinho!

Dia de Zumbi dos Palmares, da Consciência Negra, da Africanidade do Povo da Raça Brasil: "minhas mãos colocaram pedras nos alicerces do mundo/ mereço meu pedaço de pão" (Agostinho Neto, líder do Movimento Popular pela Libertação de Angola - MPLA - e primeiro Presidente da República).




Os quilombos e a luta por sua existência representam justamente isso, um chamado à consciência das injustiças históricas que foram e são cometidas contra os negros, e neste papel chamam também a atenção para o processo análogo que sofre a maioria da população, dividida idealmente em categorias isoladas e então encaradas politicamente como uma “minoria”. Esta parcialização esconde o fato de que a estrutura exploratória de nossa sociedade representa uma unidade na qual a grande maioria é oprimida.

No passado, os quilombos eram símbolos da luta contra a escravidão, hoje eles são, como as aldeias indígenas, símbolo da resistência contra o capital, que na forma de agronegócio destrói a natureza e qualquer comunidade que possa minimamente conviver em harmonia com ela. No capitalismo globalizado a mercadoria se generalizou a tal ponto que quase não restam mais comunidades nas quais os indivíduos estabeleçam entre si laços diretos e produzam para sua própria subsistência. 

A proteção do que resta destes espaços comunitários, mais do que a defesa de uma parcela específica da população, é a defesa das formas ainda existentes de relação comunitária, é a defesa do não privatizado, do não vendável, e aqui a causa do quilombola que deseja manter seu modo de vida e sua cultura se encontra com o de todos aqueles que sonham com um novo mundo. Mundo este onde o principal não seja o dinheiro, onde nossas vidas não girem em torno do mercado e seu imperativo do lucro, mas sim do mútuo reconhecimento da liberdade dos indivíduos na construção de suas relações.

Hoje em nosso país, ao mesmo tempo em que experimentamos um grande aumento na consciência dos direitos humanos, por outro vivemos em uma era de grande expansão das relações mercantis e, mais especificamente, do agronegócio. O palco da luta política está montado de antemão pelas próprias tendências do capitalismo. Ao mesmo tempo em que este editorial é escrito, em Curitiba ocorrem protestos contra uma liminar do Tribunal de Justiça do Paraná, que suspendeu o feriado do Dia da Consciência Negra no curso de uma ação movida pela Associação Comercial do Paraná em conjunto com o Sindicato (patronal) da Construção Civil. Se avidez por lucro não mostra nenhum respeito por pessoas vivas, que dirá da memória da exploração cometida em seu nome. Devemos sempre lembrar, no entanto, que se o palco é dado, o resultado da luta ainda é incerto. Isso vale para os protestos no Paraná, para os Quilombolas e para a própria luta por uma sociedade livre, justa e igualitária.

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